Joãozinho Ribeiro
“Investir no Maranhão e nos maranhenses é condição para quebrarmos o modelo perverso de desenvolvimento excludente e inaugurarmos as virtudes do crescimento com inclusão social”
(Governador Jackson Lago)
A exemplo do ano anterior (2007), na semana que findou, mais precisamente no dia 13 de março, fizemos uma prestação de contas pública do Carnaval da Maranhensidade de 2008, tendo como convidados os órgãos de imprensa – falada, escrita, televisada etc. Além do balanço quantitativo (valores) e qualitativo (mudanças no modelo), nos submetemos à avaliação crítica dos jornalistas e radialistas presentes, através de uma espécie de entrevista coletiva para todos os interessados em debater democraticamente o uso dos recursos públicos combinado com a potencialidade das nossas festas populares, para além da produção simbólica e da afirmação identitária, como fontes agregadoras de valores econômicos, gerando emprego, trabalho e renda para nós maranhenses.
No sábado passado, integrando a equipe da Secretaria de Estado da Cultura, estivemos na Cidade Operária participando do Mutirão da Cidadania, junto com os demais Secretários de Estado, diretores de órgãos da administração direta e indireta e com o Governador Jackson Lago. A SECMA disponibilizou três oficinas para o evento – danças populares, sensibilização musical e atividades relacionadas com o livro e leitura.
O nível de organização e a objetividade das demandas da comunidade perante o Secretariado, em mesa coordenada pelo próprio Governador Jackson Lago, foram pontos altos desta ação integrada de Governo em parceria com a população da Cidade Operária e seu entorno (Vila Riod, Jardim América, Recanto dos Pássaros, Vila Geniparana etc.).
No que tange às demandas culturais, merece destaque a evolução do mérito dos “serviços e obras” solicitados: ESCOLA DE MÚSICA + BIBLIOTECA PÚBLICA INFORMATIZADA + CASA DA CULTURA! Digo isso com incontida satisfação e muito orgulho, pois percebo claramente que os incontáveis “Fóruns de Cultura” que vimos realizando na última década, na capital e no interior, começam a apresentar sensíveis resultados, superando o velho varejo cultural de sempre, traduzido em apadrinhamento político e “verbas para meu boi, meu bloco, minha quadrilha, meu livro, meu CD etc.” A Cidade Operária possui um dos poucos arraiais de São Luís que ainda podem ser chamados de comunitários, feito em parceria com o poder público e não dependente deste. Muito bom seria que outras comunidades, até melhores aquinhoadas, pudessem seguir este exemplo.
A Cidade Operária também desponta como um dos melhores exemplos localizados de casamento da Cultura com a Educação, através do Grupo de Teatro Gamar, da Unidade Integrada Maria Aragão, coordenado pela obstinada dedicação do professor Wilson Chagas. Formado por meninos e meninas da referida escola, este ano o grupo completa oito anos de existência, repleta de contribuições com a inclusão cultural e com a transformação social por meio da arte em nossa capital.
Seria injusto finalizar este artigo sem mencionar o lançamento do projeto “Maioba: a maior orquestra de percussão do mundo”, realizado na 6ª feira última (14/03), no Bar e Restaurante Antigamente, localizado na Praia Grande. Trata-se de algo realmente inovador, que deverá revolucionar não só o fomento e as fontes de financiamento da cultura popular do nosso Estado, como a relação de uma associação cultural da Ilha com a comunidade que lhe dá nome, possuidora de tradição centenária.
Sob as batutas do batalhador Zé Inaldo e do produtor Osvaldo uma mais do que abençoada parceria com a Fabrika – vídeo, produções e marketing se consubstancia em projeto que foca o envolvimento dos jovens e idosos da comunidade da Maioba na produção audiovisual, através de oficinas, além da aprovação da proposta pelo Ministério da Cultura, na linha do mecenato, merecendo da nossa iniciativa privada um olhar carinhoso para a destinação de recursos que poderão ser abatidos dos seus respectivos impostos de renda devidos.
Finalizo o presente declarando a minha irrestrita solidariedade, como cidadão maranhense, aos trabalhadores rurais do Assentamento Califórnia que ocuparam uma carvoaria industrial da Vale, localizada a menos de 800 metros do Assentamento. Conforme informações que me foram passadas por e-mail, “a carvoaria possui 74 fornos industriais, com capacidade para produzir 104 m3 de carvão diários, que funcionam 24 horas por dia, despejando de forma desumana, toneladas de fumaça diariamente no Assentamento”.
Grande parte de minha vida dediquei à luta dos trabalhadores do nosso estado e do país, e neste momento que tentam rotular este ato de desespero dos trabalhadores de criminoso e violento, reclamo por um justo entendimento entre as autoridades de todos os poderes: judiciário, legislativo, incluindo os representantes daquele do qual faço parte, fazendo minhas as palavras do Excelentíssimo Senhor Governador, Doutor Jackson Lago, assim dispostas em seu artigo dominical intitulado “O Capital Humano”:
“Ao recebermos empreendedores interessados em investir em nosso estado cuidamos para que o empreendimento esteja associado a compromissos sociais e ambientais. Do contrário estaremos perpetuando o modelo de crescimento das últimas décadas, às custas do empobrecimento de nossa gente”.
Valerá a pena festejar, nestas circunstâncias, um saudável entendimento entre os dirigentes do empreendimento privado com o interesse público, principalmente neste ano em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa exatos 60 anos de existência.
O secretário de Cultura do Estado, Joãozinho Ribeiro, escreve para o Jornal Pequeno às segundas-feiras.