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Comerciantes de peixe ganham notoriedade na Semana Santa

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Data de Publicação: 16 de março de 2008
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POR JOSÉ LINHARES JR.

PERSONAGENS DE DESTAQUE

Meros coadjuvantes no decorrer do ano, eles viram protagonistas nesta época do ano

Alcino de Brito Filho é vendedor de peixe, mas não um vendedor de peixe comum. Todas as semanas ele embarca num caminhão-baú de médio porte e se desloca de Santa Catarina até o Maranhão. Na carga ele traz toneladas de favinha. Segundo ele, o peixe ainda chega fresco no Maranhão. “Qualidade boa, moço. Pode acreditar na mercadoria”, garante. Assim como Alcino, são centenas de pessoas que trabalham no mercado de venda de peixes e mariscos no estado. Personagens que, de certa forma, são meros coadjuvantes no decorrer do ano, mas que ganham protagonismo com a proximidade da Semana Santa.

Da mesma forma que Alcino, Edimar Almeida também é peixeiro. Mas as coincidências param por aí. Ao contrário do catarinense, que trabalha há apenas 2 anos na área, ele tem mais de 20 anos de experiência. Edimar é proprietário de uma loja do Mercado do Peixe, no Anel Viário, e possui embarcação própria. “Trabalho com mais de dez variedades de peixe. Minha relação comercial é direta com o consumidor. Pesco o peixe e entrego diretamente para o freguês”, explicou.

Edimar está numa situação privilegiada no mercado. A venda de peixes e mariscos no Maranhão chega a cumprir, no mínimo, cinco etapas antes de chegar às mãos do consumidor.

Cheiro desagradável é superado com bom humor pelos trabalhadores do Mercado do Peixe

Geralmente o esquema funciona assim: primeiro, o pescador vende seu produto para distribuidores. Após a compra, o peixe é repassado para “balanceiros”, que funcionam como um segundo “atravessador” do produto. Domingos dos Anjos Aires, que trabalha no Mercado do Peixe, é um desses “balanceiros”. Ele recebe o peixe de distribuidoras e tem a tarefa de repassá-lo a feirantes. “Ganhamos 10% em cima da venda. Como o peixe é um produto perecível, não pode ficar muito tempo esperando comprador. Nós já conhecemos as pessoas certas e sabemos a quantidade que cada um vai querer. Isso facilita a vida de todo mundo”, explicou. O catarinense Alcino Filho confirma o papel importante desempenhado pelos “balanceiros”. “Quase 90% do peixe que a gente traz de Santa Catarina passa pelas mãos dos balanceiros. É mais cômodo, pois eles conhecem muita gente e a mercadoria é vendida facilmente”.

Fedidos... e alegres – Apesar da rotina pesada – eles têm de acordar no meio da noite para esperar mercadoria –, os “balanceiros” estão sempre de bom humor. “Rapaz, o negócio aqui é feio e fedido. Mas é só ver a cara alegre desses feios e fedidos que trabalham comigo para ver que a coisa não é tão ruim”, brincou um dos “balanceiros” que trabalham no Mercado do Peixe.

Depois de passar pelas mãos dos “balanceiros”, o peixe chega ao comércio propriamente dito, onde é oferecido aos consumidores.

‘Efeito Semana Santa’ – Todo o trajeto do peixe, do pescador ao consumidor final, chega a elevar o valor do produto em mais 100%. De acordo com Domingos, um quilo de peixe vendido pelo pescador por R$ 6 não chega por menos de R$ 13 nas mãos do consumidor.

Com a chegada da Semana Santa, acompanhada do costume de consumir apenas peixe e frutos do mar durante este período, os preços do pescado sobem consideravelmente.

Domingos dos Anjos tentou explicar o “efeito Semana Santa”: “É muita gente trabalhando e muita gente procurando. Às vezes aumenta o número de caminhoneiros, pescadores, balanceiros e igualmente de fregueses. A quantidade acaba carregando os preços lá para cima”, cogitou.

A tese de Domingos pode ser confirmada em alguns locais da cidade. Albério Azevedo Carneiro, que balconista do setor de pescados numa grande rede de supermercados da capital, afirmou que o número de vendedores aumentará durante a Semana Santa. “Nós trazemos pessoas de outros setores para ajudar na peixaria. O movimento aqui fica intenso”. De acordo com o vendedor, o aumento nas vendas já podia ser visto desde a semana passada. “Tem gente que vem comprar logo para fazer estoque”, explicou.

Compras antecipadas são arma contra aumento dos preços

Martin Messier é proprietário de uma conceituada loja de empadas de São Luís. E um dos carros-chefes em seu comércio são as empadas de bacalhau. Por isso, com a proximidade da Semana Santa e a possibilidade do aumento do preço do bacalhau, Messier não pensou duas vezes: fez suas compras do produto com antecedência. “Por experiência, nós sabemos que o valor do bacalhau, que é o peixe que nos interessa, sobe em torno de 50%. Dessa forma, nada mais natural do que aproveitar os preços baixos para comprar logo”, explicou.

Peixe sofre aumento de até 100% da origem ao consumidor

Não são apenas os empresários que aumentam os estoques de peixe neste período. A dona de casa Francisca Maria Oliveira afirmou que a antecipação nas compras é sua principal arma na hora de pechinchar. “Esses aumentos são iguais chuvas de verão, todo mundo sabe que vão acontecer. O problema é que algumas pessoas deixam para comprar guarda-chuva na hora da chuva, e outras compram antes. Tenho geladeira em casa. Não custa nada deixá-la um pouquinho mais carregada para economizar”, brincou.

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