‘OPERAÇÃO COLA’
POR OSWALDO VIVIANI
Policiais federais realizaram ontem uma operação em 14 estados brasileiros – entre eles, o Maranhão – para combater a venda, pela internet, de diplomas falsos de ensino superior. Para os trabalhos, a Justiça expediu 34 mandados de busca e de apreensão. Um suspeito, Tiago Francisco Vieira Pereira, de 22 anos, foi preso em casa, em Tangará da Serra (Mato Grosso), e levado para prestar depoimento em Cuiabá. Em Timon, no Maranhão, uma mulher identificada como Karina teria sido presa por agentes federais que vieram de Caxias. Os policiais teriam vasculhado sua casa em Timon e apreendido vários documentos.
Com Tiago Pereira também foi apreendida grande quantidade de material para a fabricação dos diplomas, segundo a Polícia Federal – que investigava o caso há um ano e afirma que o acusado distribuiu diplomas falsos nos últimos três anos.
Em Minas Gerais, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão. Uma mulher, suspeita de ter obtido um falso diploma de medicina, foi ouvida. Mas o diploma dela não foi encontrado e ela foi liberada
Diplomas a R$ 1.800 – As investigações que levaram à chamada “Operação Cola” apontam que entre os diplomas vendidos estão os de medicina, fisioterapia, direito, enfermagem e engenharia. Cada documento custava, em média, R$ 1.800.
A polícia afirma que os clientes solicitavam a confecção do diploma por meio de um fórum de discussões na internet. Os diplomas eram fabricados em Tangará da Serra (MT) e enviados por Sedex, para todo o país.
Os policiais federais cumpriram mandados de busca em Mato Grosso, Maranhão, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Pernambuco, Acre, Pará, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas e Paraná.
A PF não divulgou o número exato de beneficiados com os falsos diplomas, mas informou que foram pelo menos 34 nos últimos seis meses. Com base no material encontrado na casa de Tiago Pereira, a polícia acredita que quase metade dos interessados seja de São Paulo.
O uso dos falsos diplomas também vai ser investigado pela Polícia Federal e por órgãos competentes. A punição para quem comprou os documentos deve variar de acordo com o uso dele. Se o dono do certificado exerce a prática da medicina por causa desse documento, por exemplo, a pena pode ser maior. (Com informações de agências)