ESPETÁCULO EM FAMÍLIA
Encenada há 27 anos, a peça envolve famílias inteiras, dentro e fora do palco
Maria Léa do Nascimento, de 68 anos, é cozinheira. O filho, Carlos Henrique do Nascimento, 42, é coordenador de adereços e acessórios. Claudina Silva e a irmã Claudionor de Jesus são costureiras. Cláudio Silva, diretor do espetáculo, divide o dia-a-dia do trabalho com filhos, irmãos, sobrinhos, mãe, pai e a tia, Maria Machado (ela tem 68 anos e há mais de 20 trabalha como cortadeira, no setor de costura). É assim a Via Sacra, peça encenada na quinta e na sexta-feira da Semana Santa há 27 anos, no bairro do Anjo da Guarda. O espetáculo envolve famílias inteiras, dentro e fora do palco.


Claudionor (foto à dir.) também ajudam a fazer do espetáculo um congraçamento familiar
De acordo com Cláudio Silva, já virou praticamente regra, envolver integrantes da mesma família no espetáculo, seja nos bastidores ou em cena. “Nos emocionamos muito com o que presenciamos no palco. A gente chora, ri, bate palmas, enfim, as pessoas percebem a nossa euforia e querem entender por que aquilo acontece. Por causa disso, acabam pedindo para fazer parte também. Foi assim com a maioria dos meus familiares”, contou Cláudio.
Maria Léa é quem prepara a comida de todas as pessoas envolvidas no espetáculo. Está na função de cozinheira há cinco anos e disse que não se vê mais longe do fogão. Ela foi levada pelo filho Carlos Henrique, que passou da função de figurante (soldado romano) para coordenador de adereços e acessórios.
“Aprendi a cozinhar aos 9 anos de idade. Mas é aqui que me sinto realizada. No dia do espetáculo, fico tão emocionada com o que vejo no palco, que capricho na comida, como forma de agradecer a todos que se empenharam na realização desse trabalho. Vir para cá foi o melhor presente que já ganhei do meu filho”, disse Maria Léa, emocionada.
Claudina Silva trabalha no evento há mais de 15 anos. Começou fazendo um curso de capacitação para costureiras e hoje assume a coordenação de costura. A irmã, Claudionor, começou como ajudante de Claudina e agora já é uma das principais costureiras, sempre pronta para qualquer jornada de trabalho. “Quando a Semana Santa se aproxima trabalhamos de 8h às 22h. Mas isso não é regra. Se tivermos que sair mais tarde, não tem problema. Ver nosso trabalho sendo elogiado e admirado por milhares de pessoas não tem preço”, disse Claudionor.
Maria Machado, de 68 anos, também pensa dessa forma. Tímida para dar entrevistas, mostra agilidade com a costura e se orgulha a cada peça de roupa terminada. Tia de Cláudio Silva, coordenador do espetáculo, já está há mais de 20 anos à frente do setor de costura, e se diz realizada com o que faz.
“Ela é tão envolvida com esse evento que evita dar entrevistas, pois quando começa a falar, chora que nem uma criança. E por ser uma mulher muito religiosa, guerreira, mãe de quatro filhos, que também trabalham no espetáculo, fica ainda mais sensível quando fala sobre o assunto”, explicou Cláudio Silva.
Novidade – De acordo com a coordenação, o tema deste ano é “O Homem, Senhor da Vida”, e envolverá 860 pessoas em cena, entre atores e figurantes.
A grande novidade será a encenação do encontro de Cristo com Lúcifer, em cima de um lixão cenográfico. “As pessoas vão se surpreender. Está lindo. Diferente de tudo o que já fizemos em termos de Via Sacra”, disse o coordenador do espetáculo, marcado para acontecer nos dias 20 e 21, às 18h, no bairro Anjo da Guarda.
(Da Redação)