O IBGE anuncia que o Produto Interno Bruto do país cresceu 5,4% em 2007, o maior desde 2004 e superior ao de 2006 que foi de 3,7%. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o crescimento foi estimulado pelo consumo interno e por investimentos produtivos.
Em linguagem econômica, significa que o Brasil sai da dependência de investimentos externos. Entre os fatores internos que determinaram a elevação do PIB na proporção almejada está o consumo das famílias que teve a quarta alta anual seguida e subiu 6,5%. Os investimentos produtivos cresceram 13,4%, maior índice desde 1996 e atingiram 17,6%. E para que chegássemos a esse patamar não foram necessárias as reformas estruturais como a previdenciária, tributária e trabalhista.
O Brasil, entretanto, não pode se enganar a ponto de prescindir das reformas, inclusive uma Reforma Política que seja capaz de nos manter distantes da corrupção contumaz a que o país se acostumou, lamentavelmente. Até porque todas as previsões de expansão da economia indicam um índice menor para 2008.
O desafio do momento é fazer com que a retomada do crescimento se traduza em benéficos diretos para a população. Alguns obstáculos históricos como a pobreza, a miséria absoluta, a péssima distribuição de renda, a exclusão social, precisam ser transpostos. E estão aí na nossa cara há tanto tempo que requerem planejamento imediato e urgência urgentíssima como se diz no chavão legislativo.
Enquanto os economistas do Governo comemoram a sinalização de que é o mercado interno que está puxando o crescimento econômico outros revelam uma certa preocupação com a defasagem entre importações e exportações. As importações evoluíram em nível muito superior às exportações, o que seria um sinal de perigo capaz de conter a euforia dos analistas econômicos. Precisamos identificar o que realmente emperra o investimento externo no Brasil, país, afinal, já
identificado como economicamente confiável no mercado mundial.
A retomada do crescimento traz no bojo outras duas boas notícias. As de que, provavelmente, estamos saindo de uma fase de estagnação que durou tempo demais e nos aproximamos da média de crescimento mundial.
Se, no entanto, como diz o presidente Lula, os pobres estão comendo mais e vestindo mais é preciso não esquecer que ainda tem muito chão nessa estrada e estamos bem distantes do ideal de sobrevivência dos países desenvolvidos.
O governo não pode se sentir arrogante diante dessa conquista. Não está extinta a tarefa de aliar crescimento econômico e desenvolvimento social.