Famílias de comunidades rurais de três municípios da região do Baixo Parnaíba – São Benedito do Rio Preto, Belágua e Urbano Santos, bloquearam, ontem, pela manhã, a rodovia MA-226, para protestarem contra ameaças de despejo e de mortes que vêm sofrendo na região.
Os manifestantes denunciam que estão vivendo um clima de medo, insegurança e tensão, pois há dias, trabalhadores e trabalhadoras rurais vêm sendo coagidos a venderem as suas casas e a abandonarem suas comunidades, que estão localizadas numa área de 26 mil hectares. Os senhores Almir Macedo e Cleber Leite dizem serem proprietários da área.

A manifestação começou às 6h, próxima à comunidade Marçal, na divisa dos municípios de São Benedito do Rio Preto e Urbano Santos, e envolveu trabalhadores e trabalhadoras rurais de comunidades como Marçal, Centro-Seco, São Paulo, Cidade Alta, Mutirão, Trizidela, Bracinho, Fazendinha, Pau-Quebrado, Baixa D´agua, Boião, Santa Izabel, Demanda, Baixinho do Jacó, Areia, Buritizal do Binô, Piquizeiro, dentre outras.
Também apoiaram a manifestação a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Maranhão (Fetaema), Diocese de Brejo, lideranças sindicais e vereadores dos três municípios, além do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais e professores e alunos de São Benedito do Rio Preto.
Clima tenso – Segundo a presidente do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de São Benedito do Rio Preto, Maria Lúcia Vieira dos Santos, essa situação já dura cerca de 26 anos. “Foram feitas várias denúncias e reivindicações ao Iterma e ao Incra e nenhuma providência foi tomada, nesses anos. Agora, a situação fundiária se agravou na região, provocando clima de tensão, pavor e medo nas comunidades que estão dentro dessa área que os senhores Almir Macedo e Cleber leite dizem serem deles”.
A comunidade de Marçal foi uma das ‘visitadas’ nos últimos dias por capangas dos que se dizem donos da área. Segundo o morador José Nonato Mendonça da Silva, várias famílias do povoado foram contactadas por intermediários dos supostos proprietários e pressionadas a venderem suas casas. “Todos nós, das comunidades que estão dentro da área em conflito devemos nos unir e pressionar os órgãos fundiários do governo a encontrarem uma solução urgente para voltar a ter paz nessa região”.
Maria Nazaré, 70 anos, moradora da comunidade Boião, um tanto emocionada, lembrou: “Cheguei a ver meus pais sendo humilhados e agora estou vendo a gente sendo ‘vendidos’ para um grupo de outro estado plantar cana-de-açúcar em nossa terra. Nós queremos ficar na nossa terra, onde nascemos e estamos trabalhando”.
Audiência pública – A manifestação de ontem, segundo as lideranças sindicais, comunitárias e religiosas, foi apenas o primeiro passo para denunciar à sociedade essa situação fundiária da região. No próximo dia 28, a partir das 14h, será realizada, em São Benedito do Rio Preto, uma audiência pública convocada pela Fetaema, Sindicatos de Trabalhadores Rurais da região, Sociedade Maranhense de Diretos Humanos e Diocese de Brejo. A audiência contará com a participação de representantes do Iterma, Incra, Ministério Público Estadual e outras instituições.