O deputado Carlos Filho (PV) revelou, ontem, na Assembléia Legislativa, que o ex-deputado Alberto Marques (PMDB) é o verdadeiro proprietário do trator roubado que foi encontrado realizando serviços para o prefeito Hemetério Weba, em Nova Olinda do Maranhão. A operação Serra Pelada colocada em prática pela polícia do Piauí acusou Weba, que teve sua prisão pedida à Justiça, de participar de um esquema de compra de tratores e caminhões roubados em vários estados do Nordeste, e de revenda dessas máquinas a políticos e empresários maranhenses e até na Bolívia.
Carlos Filho disse que o prefeito é inocente, e que a máquina que tem suspeita de adulteração no número de fabricação é de propriedade do ex-deputado, e que é o seu filho, conhecido como Araújo, quem trabalha com ela. “Suspeita de adulteração para falar que a máquina é roubada é uma coisa completamente diferente. E se a máquina for roubada, quem tem que ser acusado não é o prefeito e sim o dono da máquina, porque a máquina trabalha em Nova Olinda desde 2001”, discursou.
Durante a defesa do prefeito, Carlos Filho acusou o delegado Bareta, que comanda a Operação Serra Pelada, de irresponsável e pediu providência da Assembléia, lembrando que o próprio Bareta declarara que havia deputados envolvidos no esquema e depois voltou atrás diante das pressões do legislativo maranhense. “Estou aqui falando sobre o prefeito Hemetério Weba, que é uma pessoa de bem e eu quero que prove que ele roubou essa máquina”, desafiou.
Segundo o deputado, o prefeito já solicitou que o trator seja transferido para São Luís a fim de ser submetido a perícia no Icrim para que o caso da adulteração seja esclarecido.
Envolvido – Em 1999, Hemetério Weba foi preso pela CPI do Narcotráfico, e apontado como envolvido com o crime organizado no Maranhão. Nova Olinda chegou a ser classificada como o quartel-general do crime organizado, foco de ataques a carretas e comércio de entorpecentes.
Além de Hemetério Weba, outros três prefeitos maranhenses foram acusados de fazer parte do esquema. Francimar Marculino da Silva, o “Mazim” (Governador Newton Bello); José Augusto Sousa Veloso (Bela Vista do Maranhão) e José Uilson Silva Brito, o “Coreirinho” (Araguanã) foram indiciados no inquérito e tiveram prisão pedida, na terça-feira, pelo delegado Bareta, da Polinter do Piauí.
De acordo com o delegado, todos os prefeitos maranhenses indiciados foram flagrados com enchedeiras roubadas pelo bando. O delegado concluiu que eles compravam as máquinas e depois as alugavam para as próprias prefeituras que comandavam. O aluguel variava de R$ 15 mil a R$ 20 mil mensais.
Ainda durante a sessão, o presidente interino da Assembléia, deputado Pavão Filho (PDT) leu um ofício encaminhado pela Polinter do Piauí afirmando que em nenhum momento disse a qualquer meio de comunicação que havia participação ou não de deputados do Maranhão na prática de delitos apurados durante a Operação Serra Pelada.
De acordo com o ofício, não há nenhuma acusação nem suspeita contra parlamentares maranhenses. Ele informou apenas que ao ser indagado pela imprensa sobre a participação de agentes políticos nas ações delituosas sobre as quais recaem as investigações respondeu que fora identificado o envolvimento de vereadores, prefeitos e ex-prefeitos.