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Porcos

Porcos

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Data de Publicação: 13 de março de 2008
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EdsonVidigal

Quando o milho está caro, o que dá aos porcos?

Os suínos, antes tão repugnados, estão agora novamente importantes.

Quase ninguém se lembra que nos fins do último seculo alguns cientistas norte-americanos atestaram que os tecidos vivos dos porcos transplantados em gente não causam rejeição, o que seria uma boa notícia para quem, no futuro, estivesse na fila de algum transplante.

Pense numa pessoa de quem você gosta tanto, agora com um coração novo, quero dizer com um coração de porco, andando por alguma de nossas praças tão bem cuidadas. Ou fazendo um passeio sem compromissos por alguma de nossas feiras.

Se o que os olhos não vêm o coração não sente, imagine alguém por aí, novinho ou novinha em folha, mas com um coração de porco, naquela felicidade latente de Prefeito bem avaliado, indo a alguma das nossas ruas depois de uma dessas últimas chuvas.

O suíno sempre foi tido como animal tão sujo que chamar alguém de porco é ofensa grave. Muitos povos até hoje não lhe comem a carne, tida como fonte de muitos males, a começar pelas doenças coronárias.

Mas a culinária de muitas regiões no mundo não dispensa grelhados ou cozidos de várias partes do porco. Uma vez, em campanha, me deram chouriço na sobremesa. Adorei. Depois soube que era feito com sangue de porco.

Certos paladares nem acham crueldade pegar um leitão com poucos dias de vida, chamado pururuca, matá-lo com uma cacetada na moleira e depois de levá-lo ao fogo dos infernos, servi-lo assado, chiando numa bandeja, com couve desfiada, ovo frito, feijão tropeiro e uma dose de cachaça.

Tem coisa mais desagradável do que ter que encarar numa feijoada aquele pé ou aquela orelha de porco? Como tem gosto para tudo, tem gente que gosta. Na Dinamarca, na Alemanha e na Bélgica, por exemplo, come-se carne de porco cinco vezes mais do que no Brasil.

O que intriga os cientistas é que, naqueles países, os índices de doenças coronárias é infinitamente menor.

Como vai o seu colesterol? Aí você se lembra que deixou de comer ovo, que não come carne de porco, deu adeus às frituras, sorri aquele sorriso de Prefeito romântico, de bem com a vida, e responde quase mecanicamente, vai ótimo!

Pois a ciência já está mandando você comer ovo dizendo que faz bem para prevenir a osteoporose, aquela doença que ataca a carcaça e vai fazendo você parecido com carro velho, capengando, afolozado. Pois a ciência insiste, e diz já ter boas notícias quanto os porcos.

Num País como o nosso, onde a grande maioria da população não sabe o que é água tratada nem conhece rede de esgotos, não é o porco, dizem os cientistas, o responsável pelas doenças decorrentes das sujeiras. Já até descobriram que uma proteína tirada do porco pode curar os diabetes.

Por tudo isso, o milho para porco volta a ficar caro. Então, o que dar para os porcos? Bem, depende de que porco e de que milho estamos agora falando.

Edson Vidigal, ex-presidente do STJ, professor de Direito na Ufma, escreve para o Jornal Pequeno às quintas-feiras.

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