Numa ação integrada, as polícias Militar, Civil, Federal, Rodoviária e a Fundação Nacional do Índio (Funai) vão manter a ordem no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Estreito, a 752km de São Luís, e fazer cumprir a liminar que mantém o empreendimento, na divisa entre os estados do Tocantins e do Maranhão. Foi o que garantiu, ontem, a secretária de Segurança Cidadã. Eurídice Vidigal, durante reunião que discutiu a questão e definiu estratégias de atuação conjunta.

Ativistas ligados aos grupos Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e Via Campesina obstruíram, desde terça-feira (11), a entrada do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Estreito. Depois da ocupação, o juiz da comarca do município, Gilmar de Jesus Everton Vale, concedeu liminar de manutenção de posse da Usina Hidrelétrica de Estreito.
Os manifestantes pretendiam paralisar os serviços sob o argumento de que a hidrelétrica prejudica o meio ambiente, os índios e outras comunidades tradicionais que vivem na área. Um grupo, formado por ribeirinhos, agricultores, pescadores, barqueiros e barraqueiros, reivindica um fórum de discussão sobre os impactos da construção do empreendimento para a região.
Diante do impasse, a secretária de Segurança Cidadã, Eurídice Vidigal, discutiu com representantes de órgãos de defesa estaduais e federais uma ação conjunta para evitar maiores problemas na área de conflito. Participaram da reunião o secretário executivo do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), coronel Adécio Luiz Vieira; o delegado-geral Jefferson Portela; o procurador federal da Fundação Nacional do Índio (Funai), Ezequiel Xenofonte; o superintendente da Polícia Federal, Gustavo Gominho, e o superintendente da Polícia Rodoviária Federal, Inácio Castro Júnior.
Segurança - Segundo Eurídice Vidigal, o objetivo é garantir a segurança e o cumprimento da decisão judicial sobre a questão. “A ação integrada é resultado da proposta da Segurança Cidadã, que prioriza essa ação conjunta para evitar a desordem. Cada órgão fará o seu papel”, afirma.
A secretária disse ainda que o Gabinete de Gestão Integrada já está estruturado para lidar com esse tipo de problema e vai atuar na conciliação e na prevenção. “Essas questões precisam ser solucionadas no início e o GGI está mobilizado para resolver essa situação”, garante.
O coronel Adécio Luiz Vieira disse que, além da ordem judicial, que precisa ser cumprida, uma série de reivindicações deve ser analisada para respeitar as partes envolvidas no processo.
Segundo Gustavo Gominho, a Polícia Federal estará atuando com todos os órgãos de segurança para dar cumprimento a essa ordem. “Não estamos lidando com bandidos e sim com pessoas que tiveram direitos desrespeitados. Não podemos deixar acontecer como no caso de Eldorado dos Carajás”, afirmou.
Justificativa - O Consórcio Estreito Energia (Ceste), de empresas responsáveis pela construção da usina hidrelétrica, alega que o empreendimento não prejudicará as populações indígenas. O grupo é formado pelas empresas Vale do Rio Doce, Camargo Corrêa, Alcoa e a franco-belga Suez Energy. O Ceste diz também que grande parte dos ativistas é de outro município, fora da área de abrangência do empreendimento. A usina faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo Governo Federal em janeiro do ano passado.