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Juventude e esporte: dos dissidentes aos indiferentes

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Data de Publicação: 12 de março de 2008
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Genivaldo Abreu*

Há quase um ano, num artigo que escrevi em parceria com o economista César Piorski, chamei a atenção para a questão da juventude. Naquele artigo, elogiava a iniciativa pioneira deste governo com a criação da Secretaria Extraordinária da Juventude, no entanto chamava a atenção para o fato que apesar de excelente, tal iniciativa somente teria êxito caso houvesse um esforço institucional no sentido de articular a Secretaria Extraordinária da Juventude com as demais secretarias do governo Jackson.

Dotado de perspicácia política, além de um bom senso singular, o governador Jackson Lago pareceu compartilhar de nossas opiniões, de modo que não hesitou em promover a fusão entre a Secretaria Extraordinária da Juventude com a Secretaria de Esportes. Desse modo, o compromisso assumido pelo governador em dar uma especial atenção ao jovem maranhense vem se consolidando cada vez mais.

Infelizmente, um processo de mudança não é fácil e não se faz sem alguns desgastes. Porém, é lamentável a atitude de alguns segmentos oportunistas que, abusando do processo democráticos e possuídos de mentalidade tão pobre quanto este estado, vem adotando face a tal fusão. Qualquer um que transite pelas vias da política sabe que a grande dificuldade em se implementar uma mudança ocorre pelo próprio desconhecimento da mesma, pois os grupos que perdem percebem de antemão a perda e relutam em aceitar tal transformação. Já os grupos que se beneficiam, não conseguem perceber de antemão os benefícios vindouros e por isso mesmo assumem uma postura de indiferença. Dessa forma, os dissidentes além de obliterar as transformações necessárias acabam pilhando o lugar de porta-vozes da opressão.

Assim, a fusão da Secretaria da Juventude com a Secretaria de Esportes somente poderia ser considerada uma falta de compromisso do governador para com a juventude e, ao mesmo tempo uma perda para nossos jovens, caso a juventude maranhense em peso se manifestasse contra, no entanto, parece não ser este o caso.

Os dissidentes desconhecem que com a fusão, a Secretaria Extraordinária da Juventude, passa a contar com mais fontes de financiamento, tanto no âmbito estadual quanto federal. Por outro lado, a Secretaria de Esportes por ser uma secretaria ordinária conta, além de um orçamento próprio com uma boa articulação institucional além de uma capilaridade muito maior que qualquer outra secretaria de caráter extraordinário, isso sem contar com recursos amplos de uma série de programas do governo federal, onde algum de nossos secretários possui uma estreita relação com o então ministro do esporte, que, diga-se de passagem, é muito sensível a questão da juventude.

Desnecessário informar que sob esse aspecto, a então Secretaria Extraordinária da Juventude potencializa suas funções, adquire um orçamento considerável, amplia a participação de demais aliados no governo estadual e, garante meios para que os anseios da juventude sejam tratados de forma responsável e articulados com todas as demais esferas do governo. Não enxergar em tais atitudes uma intensificação do compromisso para com os jovens é, acima de tudo, uma miopia que beira a tolice.

Os que assim se comportam, assemelham-se aos tolos, que brigam pelos símbolos de riqueza e não pela riqueza em si, pois de nada adianta uma participação no governo, sem que esta seja revestida de representatividade. Dessa forma, se o ganho dos dissidentes reside apenas na participação sem qualquer preocupação com a representatividade então sugiro que lutem pela manutenção de uma secretaria subordinada às restrições orçamentárias da Casa Civil. Por outro lado, caso o compromisso seja com os jovens então sugiro aos dissidentes que repensem suas posições.

De fato, nem tudo são flores, as alterações apesar de promissoras duplicam a responsabilidade dos nossos secretários e, para que seja exitosa exigirá destes um perfil mais conciliador, empático e acima de tudo, com boas relações interinstitucionais. Ademais, em função de sua magnitude a nova secretaria exigirá de nós uma metodologia de trabalho voltada para o planejamento e formulação de políticas públicas emancipatórias. Outrossim, nunca na história deste estado a juventude foi tão bem assistida e, para aqueles de memória curta, nunca é demais relembrar que no passado esta mesma juventude foi massacrada por reivindicar condições de acesso ao estudo mediante o artifício da meia passagem. Hoje, possuímos uma oportunidade de ouro para fazer uma outra historia e dizer à geração anterior que sua luta não foi em vão, pois hoje os jovens não apenas tem participação como também representatividade no primeiro escalão do governo. Mas lamentavelmente corremos o risco de jogar tudo janela a fora por conta de uma questão semântica, para não dizer sectária.

Uma vez mais, ressalto que a fusão de tais secretarias representa mais um passo de suma importância do governo estadual em prol da juventude maranhense, no entanto, para que tal passo seja exitoso deverá Jackson mais uma vez exigir – da nova secretaria – políticas públicas concretas e não apenas ações isoladas. É chegada a hora em que os homens serão separados dos meninos.

*Assessor da Secretaria Extraordinária da Juventude

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