A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) chegou às lágrimas na manhã de ontem, no plenário do Senado, ao participar de sessão em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Ao lembrar o período da ditadura militar, em que as presas políticas eram torturadas nos porões do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), Dilma embargou a voz e não conseguiu conter o choro.
Ela ficou emocionada ao lembrar, em especial, da amiga Terezinha Zerbini – uma das homenageadas na sessão do Senado –, com quem ficou presa durante a ditadura militar. “Conheci a Terezinha nos anos 70. Ela lutou contra a ditadura, a luta de resistência da época em um período, em um momento difícil, em que não se tem a facilidade de se manifestar (...) com torturas”, disse.
Emocionada, Dilma mencionou episódios vividos na prisão ao lado da amiga. “Ela [Terezinha] mostrou imensa solidariedade em alguns momentos. Parece pouco, mas a Terezinha fechava as cortinas da cela dela quando recebíamos visitas não muito agradáveis daqueles que não honravam as distinções que o marido dela tinha honrado”, disse.
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), prestou homenagem à ministra depois de ouvir o breve relato sobre as torturas enfrentadas durante a ditadura. “A ministra não tornou muito claro [as torturas] por razões de modéstia, de se preservar. A ministra foi alvo da violência da ditadura militar naqueles dias sombrios”, disse o senador.
(Folha Online)