POR JOSÉ LINHARES JR.
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
O Dia Internacional da Mulher, comemorado hoje, para muitas mu-lheres será um dia especial. Mas para outras será uma data como qualquer outra. É o caso de Priscila Silva Matheus Carvalho, 21, mãe da pequena Griziele de Jesus Silva Pereira. “Eu nem estava me lembrando, e acho que lembrar não faz diferença”, disse.
Mãe solteira, jovem e moradora de palafitas. Essa é a realidade de Priscila e de outras tantas mulheres maranhenses. Apesar disso, a jovem mãe tem sonhos e guarda muitas expectativas para o futuro. Priscila cursou até o 1ª ano do Ensino Médio, hoje cria Griziele, de apenas 2 anos, com a ajuda da mãe, Maria Benedita Silva Carvalho. “Depois que ela estiver mais velha vou voltar para a escola. Quero terminar os estudos e ter um bom emprego. Acho que mudar de vida depende só de mim, não é?”, explicou.


Apesar de ter seu futuro como uma responsabilidade sua, Priscila e sua família devem ser beneficiadas por um programa de habitação destinados a moradores de palafitas nas margens do rio Anil. “É bom ter uma casa normal para morar, isso nos deixa mais fortes para conseguir as coisas”, afirmou.
27 anos, 7 filhos – Maria Antônia Bernardo Silva tem apenas 27 anos, e já é mãe de 7 filhos. A mais nova, Vitória, tem apenas 9 meses, e a mais velha, Daniele, completa 13 anos no dia 6 de abril.
Assim como Priscila, Maria Antônia mora em condições difíceis. Sua família se abriga embaixo da ponte do São Francisco. E da mesma forma que Priscila, também não se lembrava da data comemorada hoje. “Ah, para mim é um dia como qualquer outro: difícil de viver”, disse.
O triste é que, ao contrário de Priscila, Maria Antônia não possui grandes expectativas em relação ao futuro: a área em que reside não é beneficiada por nenhum programa social e ela não pensa em voltar a estudar. “A vida é difícil. Não é que a gente não tenha esperança, mas as coisas são complicadas demais”.
As primas Lourdiane Nonata Seabra da Silva e Laila Maria Seabra da Silva também moram em situações parecidas com as de Priscila e Maria Antônia. Com 17 anos, Lourdiane já cursa o 1º ano do Ensino Médio. Ela sabia que hoje é comemorado o Dia Internacional da Mulher. “Lá na escola a gente comemora todos os anos. Alguns dos meninos dão os parabéns”, relatou.
Sobre a importância da data, a adolescente se mostrou feliz. “É uma homenagem às mulheres. Elas são diferentes, têm problemas e sonhos diferentes dos homens. Além de justa, acho a data muito importante”, disse.
Laila pretende terminar os estudos e fazer direito. “Toda mulher passa por dificuldades. Tem preconceito até da parte de outras mulheres. Mas se você lutar por si mesma, com certeza vai dar o passo mais importante para mudar as coisas, né?”, disse, esperançosa.