Petrobras: candidatos viajam sem saber de adiamentoO técnico em eletrônica Márcio Nascimento Gomes, 26 anos, deslocou-se de Itaboraí para a capital fluminense, onde prestaria concurso para operador júnior. Na chegada ao local da prova, o comunicado na porta: "Provas da Petrobras serão remarcadas". A insatisfação descrita por ele é relatada por vários outros candidatos que não souberam a tempo do adiamento da seleção, por decisão da Justiça.
A cidade onde ele mora fica no Grande Rio, a cerca de 50 km da capital. Outros candidatos percorreram distâncias bem maiores para disputar uma das 296 vagas oferecidas pela empresa no estado. No Campus Arcos da Lapa da Universidade Estácio de Sá e na Universidade do Grande Rio (Unigranrio), no centro, havia mineiros, paulistas e até brasilienses, que se viajaram mais de 1 mil quilômetros.
"Ridículo: você estuda, se prepara para fazer a prova, conclui o ensino médio em técnico de eletrônica e acha que vai conseguir uma oportunidade de emprego", diz Gomes. "Chega aqui e não há sequer alguém para lhe dar uma informação. Eu vim de Itaboraí e dou de cara com esse frio comunicado informando o cancelamento da prova."
Marcos Antônio Morais conta que saiu da cidade de Jacareí, em São Paulo, de madrugada, e gastou R$ 86 somente com o ônibus da vinda. Depois de uma rápida passagem na casa de parentes em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, também viu a expectativa de uma vaga nos quadros da estatal brasileira do petróleo ser adiada.
"Viajei durante toda a noite e não recebemos qualquer satisfação", comenta. "Nenhum comunicado nos foi enviado informando do cancelamento. Agora teremos que voltar e amargar o desperdício de um dinheiro que nós sequer tínhamos tivemos que arrumar".
A Petrobras adiou a seleção obedecendo a uma decisão judicial. Na noite de sábado, a desembargadora Assusete Magalhães, presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, negou recurso contra a liminar que suspendia as provas do concurso.
A estatal oferece, no processo seletivo público adiado pela Justiça, 989 vagas para dois cargos de nível médio: 936 para técnico de operação júnior e 53 para técnico de equipamentos e instalações júnior. Estavam inscritos 90.264 candidatos, o que dá uma média de 91 pessoas por vaga.
A assessoria de imprensa do Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe-UnB), organizador do concurso, informou que o transporte e a acomodação de candidatos não são de responsabilidade da instituição. A assessoria afirma ter comunicado todos os candidatos por e-mail sobre o adiamento da prova. O Cespe também publicou nota ontem em sua página na Internet após a decisão do tribunal.
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