PALAVRA DE ESPECIALISTA
Manoel Rubim da Silva
Auditor Fiscal da Receita Federal – Professor do Decca-Ufma
email: manoel_rubim@uol.com.br
A “Bossa Nova” completa 50 anos, todavia pairam dúvidas sobre o seu nascimento. Ronaldo Bôscoli teria afirmado que ela nasceu no apartamento de Nara Leão, na Avenida Atlântica, em plena Praia de Copacabana, apartamento esse hoje de propriedade de um corretor de imóveis, que recebeu, “com o maior prazer”, alguns dos renomados artistas participantes do famoso show, no dia 01/03/2008, na Praia de Ipanema, comemorativo dos 50(cinqüenta) anos de Bossa Nova. Segundo o compositor Carlos Lyra - participante do aludido show, e que não teria visitado o referido apartamento, com os demais artistas, para não corroborar com a versão de Bôscoli - a mesma importância que teve o apartamento de Nara, também tiveram as casas de Lula Freire (filho do falecido Senador Vitorino Freire), de Bené Nunes, de Vinicius de Moraes e de Tom Jobim. Carlos Lira deixou uma pista em seu memorável show, de 07/03/08, no Centro Cultural da Light, no RJ, ao atribuir a Johnny Alf o começo de tudo. Porém, não existe consenso, nem mesmo, em relação à primeira gravação do disco que inaugurou os tempos da “Bossa Nova”, pois, alguns entendem que teria sido em 1958, com “Canção do amor demais” cantada por Elizeth Cardoso, ou com João Gilberto em “Chega de Saudade”. Eu perguntaria: e como classificaríamos “Céu e Mar” e “Rapaz de Bem” gravadas por Johnny Alf, em 1953?
As polêmicas em torno da “Bossa Nova”, ao que tudo indica, não se limitam às suas origens, pois sobraram críticas face aos vários artistas que não foram convidados pelos organizadores do show na Praia de Ipanema, sendo rotulados de “Os Barrados em Ipanema”. Foi “um disse me disse dissonante” com as belas poéticas e harmonias da ”Bossa Nova”. É bem verdade, como teria afirmado Roberto Menescal, que a participação de todos os artistas da “Bossa Nova”, demandaria a produção de um festival, incompatível com as duas horas e meia de duração do Show de Ipanema. Por outro lado, as críticas pelas presenças de nomes não muito identificados com a história da “Bossa Nova”, como Fernanda Takai, do “Patu Fu”, que recentemente gravou um CD em homenagem à Nara Leão, foram contestadas em nome da renovação da “Bossa Nova”, como uma sinalização da sua vitalidade, em que pese cinqüentenária. Porém, alguns sentiram a falta de: os Cariocas, Pery Ribeiro, Alaíde Costa, Miúcha; sendo justificável a ausência de Johny Alf, pois estaria em convalescença.
Deixando de lado as polêmicas em torno da “Bossa Nova”, evidencio alguns momentos que vivenciei, juntamente com Naysa Bessa, que me levaram a refletir, mais uma vez, sobre a importância da cultura para um país, sob vários aspectos. Estávamos a visitar os pontos marcantes de Copacabana e Ipanema relacionados à “Bossa Nova”, quando nos deparamos, alertado por Naysa, com uma Livraria, Loja de CD e DVD, além de diversos souvenirs, alusivos à “Bossa Nova”, justamente na rua “Vinicius de Moraes”: “A Toca do Vinícius”. Ao entrarmos, depois de uma olhada nas vitrinas, fomos muito bem recebidos pelo proprietário da loja, uma pessoa singular, que ao perceber o nosso interesse por cultura, estabeleceu um diálogo, em que percebi a sua erudição, especialmente sobre a “Bossa Nova”. Foi assim que, em plena quinta feira, dia 28/02, fomos convidados para uma solenidade, no sábado seguinte, 01/03, na “Toca do Vinicius”, oportunidade em que aconteceria, como aconteceu, a gravação, na vitrine da loja, de uma frase do jornalista e escritor Ruy Castro. Presentes na cerimônia: Ruy Castro, com a sua esposa, a Jornalista e Escritora Heloísa Seixas; o Secretário de Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro; os ´Cônsules Gerais do Japão, Argentina e França; o Secretário do Consulado da Alemanha; o Cônsul para Assuntos de Imprensa, Educação e Cultura dos EUA; o Adido Cultural da Itália, além de outros convidados, inclusive, eu e Naysa, oportunidade em que recebemos o autógrafo de Ruy Castro, em seu livro “Chega de Saudade - A história e as histórias da Bossa Nova”.
“Quando ninguém falava em paz, saúde e ecologia, essa já era a plataforma da bossa nova. Hoje, quando esses temas estão na pauta das aspirações nacionais, a “Bossa Nova” voltou a ser a trilha sonora de um Brasil ideal.” Essa foi a frase, em português, que ficou gravada na frente da “Toca do Vinicius”, vertida para o japonês, inglês, espanhol, italiano e francês. Vejam que a aliança da “Bossa Nova”, com a beleza natural do Rio de Janeiro, inspiradora de inúmeras músicas, de vários compositores, como Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Billy Branco (presente ao show de Ipanema, sem cantar, face aos seus oitenta e dois anos), projetou para o mundo, o Rio de Janeiro e, com certeza, este país. É a força da cultura deste belo Brasil!