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Tremores de terra assustam população de Sobral, no CE
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Tremores de terra assustam população de Sobral, no CE

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Data de Publicação: 1 de março de 2008
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Dois tremores de terra assustaram a população de Sobral (CE), na madrugada de ontem. Segundo informações preliminares das defesas civis do município e do estado, ninguém ficou ferido.

Os tremores ocorreram seguidamente a partir da 1h50 e duraram poucos minutos. Eles atingiram 3,7 graus na escala Richter segundo o laboratório de sismologia da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), e provocaram rachaduras em casas localizadas nas localidades de Jordão, Jaibaras, São Francisco e sítio Bom Jardim, todas em Sobral.

Foto:OSVALDO AFONSO
Estragos de um terremoto em Minas Gerais, que matou uma criança

Desde então, foram registrados cerca de 300 pequenos tremores, em grande parte reflexo dos dois grandes abalos registrados na madrugada. O laboratório de sismologia vem estudando fenômenos desse tipo na região desde janeiro deste ano, no entanto, os registrados nesta madrugada foram os maiores já captados desde então. No dia 17 de fevereiro deste mês, foi registrado um tremor de terra não dimensionado e que foi sentido também em Tianguá e Jijoca de Jericoacoara.

Segundo Rosa de Lourdes, da Defesa Civil Munipal, ninguém ficou desabrigado. Segundo ela, alguns moradores estão com medo de retornar às suas casas e passaram a noite no meio da rua. Ioneide Araújo, da Defesa Civil Estadual, afirmou que uma equipe se deslocou de Fortaleza para auxiliar no mapeamento das áreas afetadas.

Uma equipe do laboratório de sismologia da URFN composta por três técnicos irá se deslocar ainda hoje de Natal rumo ao município cearense. Segundo o coordenador do laboratório, Joaquim Ferreira, um equipamento para medir as movimentações de terra está instalado na divisa dos municípios de Alcântaras e Sobral. Eles receberam as informações em Natal por intermédio da internet.

O objetivo da visita, segundo o coordenador, é de verificar no local o que foi captado pelo equipamento. Ele afirma não ser possível identificar com precisão o que ocorre na região. A hipótese, segundo ele, é de existência das chamadas zonas de fraqueza no solo que podem provocar movimentações e abalos. “Tratam-se de eventos que não são visíveis na superfície”, disse.

Na ‘Capital do Forró’, terra tremeu 1.200 vezes em 90 dias

A sensação esquisita sob os pés, que balança os móveis, faz tremer janelas e não dura mais que alguns segundos não é novidade para os brasileiros. De julho a setembro de 2002, a população de Caruaru, a “Capital do Forró”, no agreste de Pernambuco, sentiu esse desconforto característico dos terremotos 1.218 vezes – 102 só no dia 19 de agosto. Em setembro, a freqüência caiu para uma média de dois abalos por dia.

Até recentemente, acreditava-se que os terremotos só poderiam ocorrer em regiões próximas das fendas da crosta terrestre. Como o Brasil fica longe dessas fendas, por essa teoria nosso chão jamais seria afetado. Hoje se sabe que em grande parte do território brasileiro ocorrem abalos sísmicos. Claro que por aqui não deve ocorrer nada tão trágico, como os terremotos que atingem o Japão e a costa oeste dos EUA, cuja intensidade é muito maior.

O Nordeste é uma das regiões sujeitas a terremotos no Brasil, com magnitude média de 3,5 graus na chamada Escala Richter, que vai de 0 a 10. Os terremotos que fazem mais estragos geralmente ultrapassam 6 graus nessa escala.

Os tremores de Caruaru ocorreram porque a cidade fica localizada bem no meio de uma falha geológica, um foco vulnerável à atividade sísmica, denominado zona de cisalhamento Pernambuco-Leste. Essa falha começa no Recife e entra pelo sertão, até Arcoverde, numa extensão de 254 quilômetros. A “Capital do Forró” está no meio do caminho.

Os abalos no Brasil causam mais medo do que danos físicos, mas o Brasil já teve tremores que chegaram a derrubar prédios. Um dos eventos mais significativos foi a série de abalos que atingiram João Câmara, no Rio Grande do Norte, que se tornaram um marco na história da sismologia brasileira.

Num período de dez anos (de 1986 a 1996), a terra tremeu na região. E ainda está tremendo, se bem que num maior espaço de tempo e com menos intensidade. Lá, a vida dos moradores começou a mudar no dia 21 de agosto de 1986 com um abalo que alcançou a magnitude de 4,3. Mas, na madrugada do dia 30 de novembro — às 5h19min48s — ocorreu o principal evento da série. O abalo atingiu 5,1 pontos na escala Richter e chegou a derrubar 4 mil imóveis. O período mais crítico ocorreu entre 1986 e 1991.

Há relatos de abalos anteriores ainda mais fortes que os de João Câmara. Em 1955, a terra tremeu no Mato Grosso (6,6 pontos na escala Richter) e no litoral do Espírito Santo (6,3); em 1980, no Ceará (5,2) e, em 1983, no Amazonas (5,5). Apesar da magnitude, esses abalos não tiveram uma repercussão maior, uma vez que ocorreram em áreas de baixa densidade populacional, não deixando vítimas ou prejuízos. O mesmo não pode ser dito de um terremoto de 4,9 graus na escala Richter atingiu, em dezembro de 2007, a comunidade rural de Caraíbas, em Itacarambi, no norte de Minas Gerais, matando uma menina de cinco anos.

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