POR JULLY CAMILO
Apontado pelo Comitê Gestor da Internet (CGI) como o 2º estado no país com menor índice de inclusão digital (7,7%), o Maranhão depende de iniciativas de um par de ONGs (organizações não-governamentais) e de uma parte ainda tímida do poder público para tentar mudar essa realidade. As ONGs Formação e Comitê para a Democratização da Informática (CDI) e a Prefeitura de São Luís (que procura ampliar sua rede de telecentros) são raros oásis num deserto de falta de iniciativas visando a inclusão digital.

Segundo Fábio Cabral, coordenador de comunicação da ONG Formação – Centro de Apoio à Educação Básica, a instituição já trabalha com a proposta de inclusão digital desde 2004, e atualmente coordena 13 telecentros, espalhados por 11 municípios do estado. Os telecentros da Formação são mantidos pela prefeitura, organizados pela sociedade civil (com jovens monitores) e contam ainda com o apoio da iniciativa privada, que financia equipamentos e a internet.
Para Fábio Cabral, inclusão digital é a democratização do acesso às tecnologias da informação, de forma a permitir a inserção de todos na sociedade da informação. “Um incluído digitalmente não é aquele que apenas utiliza essa nova linguagem, que é o mundo digital, para trocar e-mails, mas aquele que usufrui desse suporte para melhorar suas condições de vida. Somente colocar um computador na mão das pessoas ou vendê–lo a um preço menor não é, definitivamente, inclusão digital. É preciso ensiná–las a utilizá-lo em benefício próprio e coletivo”, disse Cabral.
De acordo com o coordenador regional do Comitê para a Democratização da Informática (CDI), George Coelho, o objetivo principal da ONG é sensibilizar e mobilizar a sociedade para ser formadora de consciências, pois aliar novas tecnologias e transformação social é, segundo ele, o principal foco do CDI, que atua diretamente com comunidades excluídas digitalmente, por meio das chamadas Escolas de Informática e Cidadania. “O índice de discriminação digital mostra que o Maranhão é o segundo estado com menor média de uso da internet 7,7%, enquanto o Distrito Federal possui 41,1% da população conectada. O trabalho das ONGs é importante, pois em 2003 o índice maranhense era de 1,44%”, analisou Coelho.
O CDI foi criado em 1995 e atua no estado desde 2000, com a implementação de programas educacionais no Brasil e no exterior, com o objetivo de mobilizar os segmentos excluídos da sociedade para a transformação da sua realidade.
Atualmente, possui 753 Escolas de Informática e Cidadania por todo o Brasil e em mais nove países. No Maranhão existem 27 escolas – 20 na capital e outras sete distribuídas pelo interior do estado. De 2000 até 2007, o Comitê já formou cerca de 10 mil alunos e conta com parceiros que incentivam a inclusão digital das comunidades carentes, como a Vale e a Alumar.
“Acreditamos que o domínio das novas tecnologias não só cria oportunidades de trabalho e geração de renda, como também possibilita o acesso a fontes de informação e espaços de sociabilidade que colaboram para que se encontrem soluções para os problemas enfrentados pelas comunidades”, disse o coordenador regional do CDI.
Prefeitura – Integrando sua rede de telecentros ao Clube de Oportunidades Nossa Vez – o que aumentou de 34 para 83 unidades – e capacitando mais de 6 mil pessoas, a Prefeitura ludovicence faz a sua parte para incluir mais maranhenses digitalmente.
Os telecentros estão distribuídos em quatro programas que promovem a inclusão digital na capital maranhense: o Programa Qualificar para Trabalhar (projeto que capacita alunos e a comunidade do entorno das escolas); o ProJovem (Programa de Inclusão de Jovens); o Programa Trabalho e Renda (para a qualificação da comunidade para a inclusão digital); e o Programa Emplenet (Projeto de inclusão digital desenvolvido em parceria com a comunidade européia).