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Oligarquia e Libertação: duas faces de políticas antagônicas (ou uma polêmica com Ed Wilson)
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Oligarquia e Libertação: duas faces de políticas antagônicas (ou uma polêmica com Ed Wilson)

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Data de Publicação: 27 de fevereiro de 2008
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Opinião

Robert Lobato*

No artigo “Oligarquia e Libertação: duas faces do negócio da política” o jornalista Ed Wilson inaugura a sua entrada no mundo dos blogs e chega apontando artilharia pesada contra o governo Jackson Lago, setores do PT, PSDB e PDT. De uma forma geral, Ed Wilson sustenta no seu artigo que a política maranhense está marcada pelo signo do maniqueísmo, configurado entre os atores da Frente de Libertação e o grupo Sarney.

Para que tem formação de esquerda, as teses do ex-assessor do Sindsep e atual professor da Ufma deixa a desejar quanto ao método de sua análise, tornando-a um tanto quanto pueril e reducionista. E como em política nada é por acaso, penso que por trás do artigo de Ed Wilson há mais mistérios do que julga a nossa vã filosofia. Senão vejamos.

Ed Wilson parte da premissa de que nada, absolutamente nada, difere o governo Jackson Lago dos governos anteriores ditos ‘sarneístas’. Sustenta que “Sob a retórica de ‘libertar’ o Maranhão, a frente que levou à vitória de Jackson Lago reuniu sarneístas e ex-sarneístas, a direita tucana anti-Lula, alguns democratas e uma parte do PT liderada pelo presidente do diretório regional Domingos Dutra”. Não sei quantas vezes Ed Wilson votou em Jackson, mas pelos argumentos anteriores, em 2006 deve ter votado em branco, anulado o seu voto ou ainda optado na senadora Roseana Sarney.

1. Ora, meu caro Ed, uma Frente política não se estabelece a partir de um grupo de “amigos do peito”, onde impera a convergência e o eterno entendimento. Ao contrário, ela se dá a partir do dissenso, de interesses e objetivos concretos que, de uma forma geral, são comuns entre as forças que a estabelece, embora cada uma tenha seus projetos específicos. Seria ingenuidade, o que não é o seu caso, presumo, achar que um grupo político articulado e enraizado dentro e fora do aparelho do Estado por quatro décadas, com uma rede poderosa no meio empresarial e midiático, perderia uma eleição apenas para as forças da chamada oposição de esquerda, principalmente sem o rompimento de José Reinaldo com o sarneísmo.

2. Uma eleição de dois turnos, como é o caso brasileiro, quando um candidato não vence logo no primeiro, o segundo turno transforma-se num território de possibilidades e acordos onde quem deseja apoio, deve ceder em alguns pontos do programa defendido preliminarmente no primeiro turno. Faz parte do jogo político, meu caro Ed Wilson. Daí a amplitude e heterogeneidade de forças que uniram-se em torno da candidatura vitoriosa de Jackson em 2006.

3. A avaliação que o professor Ed Wilson faz da derrota de Roseana Sarney em São Luis e Imperatriz parece mais um lamento - Freud explica -, e ao afirmar que “fora desses dois colégios eleitorais, o Maranhão inteiro sabe como o governador José Reinaldo (PSB) operou a eleição do seu sucessor”, pode lhe trazer complicações na sua pretensão de sair candidato a vice-prefeito numa chapa encabeçada pelo deputado Flávio Dino (PC do B), já que o comunista teve apoio declarado do ex-governador José Reinaldo. A não ser que Ed Wilson entenda que José Reinaldo também ‘operou’ a eleição de Dino...É isso?

4. “Toda a base parlamentar historicamente sarneísta rapidamente aderiu à tese da ‘Libertação’”. Aqui reside mais uma análise equivocada do nosso mais novo blogueiro. O que Jackson Lago fez e faz para ampliar a sua base de sustentação na Assembléia, talvez não seja tão diferente do que Lula faz em relação ao Congresso Nacional - acho até que o nosso presidente radicaliza mais nas relações com os deputados e senadores. Não se pode esquecer que a Frente que elegeu governador não fez a maioria de deputado suficiente para lhe dar uma base mais ideologizada com o seu programa de governo. Quem mudou de posição depois das eleições, o que é legítimo, é que deve explicar aos seus eleitores por que o fez, e não o governador.

5. “O Maranhão passa por um processo de transgenia ideológica. O governo que se propunha acabar com a oligarquia constituiu uma força à direita do sarneísmo.”, afirma Ed Wilson. Ora, dizer que o governo Jackson está à direita do sarneísmo não é uma crítica ao líder trabalhista, mas um elogio latente ao grupo Sarney – ou ao próprio Sarney. Claro está que o governo ainda precisa avançar, e muito, em vários setores. Trata-se de um governo em constante disputa, contraditório, com muitos vícios conceituais e de prática administrativa legado do sistema oligárquico dos “40 anos de atraso”, sim! Não temos dúvidas de que o atual governo é reformista e comprometido com a transformação estrutural do Estado maranhense. Entretanto, um ente federativo como o estado possui muitas limitações políticas e institucionais que o impede de fazer rupturas mais radicalizadas. Nem Lula, ao chegar ao poder, fez as rupturas que muitos de nós socialistas julgávamos possíveis serem feitas, e olha que os mecanismos de poder e de política a nível federal não podem ser comparados com os de um estado como o Maranhão.

6. “É preciso, portanto, superar essa falsa dicotomia de que os tucano-pedetistas com apoio de uma ala do PT sintetizam o bem em luta contra o mal (Sarney e os verdadeiros aliados do governo Lula no Maranhão)”. Ed Wilson exagera na sua postura oposicionista ao colocar Sarney ao lado dos “verdadeiros aliados do governo Lula no Maranhão”. Mas quem são esses “verdadeiros aliados do governo Lula no Maranhão”? São, por acaso, os sarneístas dentro do PT maranhense? Estaria o brilhante Ed desejando inverter os papéis naquilo que denúncia como “falsa dicotomia de que os tucano-pedetistas com apoio de uma ala do PT sintetizam o bem em luta contra o mal”, e colocar o setor do PT que integra o governo Jackson como sendo o mal e Sarney e seus aliados petistas do Maranhão como os do bem? Com a palavra, Ed Wilson.

7. “A vitória de Jackson foi fruto de uma concepção de político-eleitoral tão mercadológica quanto a vitória de Roseana sobre Cafeteira em 1994”. Com essa assertiva o professor Ed Wilson sepulta de vez a sua pré-candidatura a vice-prefeito de Flávio Dino, pois o companheiro Dino não irá aceitar compor uma chapa com alguém que assegura categoricamente que a eleição do governador Jackson Lago, que o deputado apóia, foi ‘comprada’ ou quiçá ‘roubada’. Com a palavra, Flávio Dino.

8. Finalmente, o autor de “Oligarquia e Libertação: duas faces do negócio da política” conclui o seu artigo cobrando um projeto do atual governo e advertindo que “as verdadeiras forças de esquerda do Maranhão precisam ir além do maniqueísmo tucano inspirado na Avenida Paulista”. Esquece, porém, de revelar quem são essas “verdadeiras forças de esquerda do Maranhão”. Também valoriza o tucanato local como sendo “inspirado na Avenida Paulista”, não conseguindo perceber que o PSDB maranhense nem inspirado na Avenista Paulista consegue ser, e que não está no governo enquanto partido, mas, sim, enquanto uma federação de lideranças.

9. Enfim, artigos como esse de Ed Wilson, tão recheados de sofismas, podem impressionar muitos que não têm a capacidade fazer uma leitura dialética do processo histórico e, por isso, ficam presos na escuridão das análises mecanicistas dos fatos. De qualquer forma, tem, ao menos, o mérito de chamar para o debate aqueles que preferem o silêncio, às vezes cômodo, próximo da omissão. Como gosto de um bom e saudável debate, deixo a minha leitura crítica do texto de neoblogueiro Ed Wilson para a análise, também crítica, dos leitores.

*Administrador e presidente do Instituto Devir

E-mail: robert-lobato@hotmail.com

(98) 88272843

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