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Editorial
A Sema contra o crime

A Sema contra o crime

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Data de Publicação: 26 de fevereiro de 2008
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Revoltados, os espíritos da floresta criam situações cada vez mais difíceis e constrangedoras para a humanidade. Mudanças climáticas, desertificação, redução do volume de água potável no mundo, ar rarefeito, castigam uma humanidade que em nome do lucro fácil ataca o planeta com uma voracidade monstruosa.

A Amazônia, considerada o pulmão do mundo, se enche de clareiras quilométricas porque as árvores, responsáveis pelo equilíbrio do sistema ecológico que sustenta a vida, estão sendo arrancadas e nunca substituídas num processo pelo qual ainda haveremos de pagar muito caro.

O Maranhão é parte da Amazônia. E, embora nesse Estado o nível de desmatamento se tenha reduzido nos últimos anos, segundo informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a Pré-Amazônia Maranhense tem hoje apenas 10% de sua cobertura vegetal de origem.

Essas explicações foram dadas pelo titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema), Othelino Neto, que acaba de fazer uma declaração de guerra contra o desmatamento ilegal e deflagrou, na última quinta-feira, em São Luís, uma operação contra madeireiras ilegais sediadas em São Luís. Foram apreendidos e confiscados 75 metros cúbicos de madeira que estavam sendo comercializados ilegalmente

Historicamente, o desmatamento nas florestas brasileiras começou no instante mesmo da chegada dos portugueses ao país, no ano de 1500. Interessados no lucro com a venda do pau-brasil para a Europa, os portugueses iniciaram a exploração da Mata Atlântica. Caravelas portuguesas partiam do litoral brasileiro carregadas de toras de pau-brasil para serem vendidas no mercado europeu. Depois foi a vez da floresta amazônica, onde o desmatamento, até o ano 2000, atingiu 13% da cobertura original.

A derrubada predatória se dá para fins econômicos, construção de condomínios residenciais ou consecução de projetos rodoviários. O secretário maranhense de Meio Ambiente julga que a solução de tão grave problema passa por uma legislação mais rígida e uma fiscalização mais atuante A depender de sua vontade, as polícias federal e civil vão entrar nessa briga do desmatamento clandestino. “Estão comendo 36 quilômetros de floresta por dia neste país, o equivalente a 5 campos de futebol por minuto. Alguém tem que fazer alguma coisa para evitar isso”, ele se revolta.

Em termos logísticos, a Secretaria aumentou sua estrutura de pessoal, pôs fim às guias impressas para transporte de madeira, aumentou o volume de exigências para obtenção de guias florestais criando sérias dificuldades para fraudar o sistema, mudou o estilo das operações de combate ao desflorestamento e acabou com a figura do fiel depositário, ou seja, a madeira apreendida agora é recolhida pela Sema. Além disso, o objetivo do combate ao desmatamento se tornou mais policial: identificar os “cabeças” das organizações criminosas que atuam na extração ilegal e tráfico de madeira.

Se avaliarmos tudo o que os cientistas dizem neste momento sobre os crimes ecológicos, entenderemos o quanto é importante que a Sema se torne mais implacável e agressiva com essas organizações criminosas. A questão é muito mais complexa do que imaginamos. Trata-se, simplesmente, da preservação da vida no planeta terra.

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