Joãozinho Ribeiro
Recebo uma correspondência neste final de semana do amigo Tião Rocha, Educador mineiro, Empreendedor Social 2007 – Fundação Schwab e Folha de São Paulo. Faço questão de reproduzir do texto, a seguinte parte:
“Prezado amigo e parceiro do CPCD (Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento),
“Se todo o Brasil pudesse perder alunos para o futuro, em vez de para o atraso, o país seria imensamente melhor”. Assim o Clóvis Rossi concluiu sua coluna “O Bolshoi e o corte de cana”, de 23/11/07, a respeito do trabalho do CPCD.
Acho que esta é a nossa sina, “perder para o futuro”.
Pois então, o Coro “Meninos de Araçuaí” (comemorando seus 10 anos de existência – 1998/2008, além dos três meninos “perdidos” para o Bolshoi/Joinville/SC e dos seis “perdidos” para a Bituca (Universidade de Música Popular Brasileira), Barbacena/MG, estará entregando para a população de sua cidade, filmes “de verdade” (e de qualidade): projeção e tela de 35 mm, som de alta qualidade, ar condicionado, 105 lugares confortáveis, galeria de arte e sala para oficina e produção de vídeos (“Novos Glaubers”)”.
Após a leitura da correspondência eletrônica do Tião, reflito sobre o imenso potencial de “perdas para o futuro” que podemos (e devemos) propiciar para a juventude maranhense em vastas dimensões da vida. Na coluna domingueira “Palavra do Governador”, da semana que se inicia, leio o artigo intitulado “A Prata da Casa”, onde o Governador Jackson Lago enfatiza:
“Definimos, também, uma pauta de compromissos para todas as empresas que queiram se instalar no Maranhão, buscando priorizar a mão-de-obra local e antecipando investimentos sociais paralelos. Esses compromissos são firmados em documento pelo investidor e podem e devem ser cobrados pela sociedade”.
Sábado, 23/02/2008, o Governador e um razoável número de Secretários estaduais estivemos participando de uma plenária do Mutirão de Cidadania, para avaliar, publicamente, quais os avanços em relação às demandas de obras e serviços apresentados pela população da área Itaqui-Bacanga, oriundos do Mutirão da Cidadania, realizado em 17 de novembro próximo passado. Dentre elas, a construção de um Centro Integrado de Cultura e Cidadania.
Que sintonia ou ligação terão estes assuntos até aqui abordados? Perguntarão os leitores, com toda certeza.
Trata-se, nada mais nada menos, que a afirmação da cidadania cultural, através da correta aplicação das políticas públicas. O ano de 2008 chega envolvido por uma carga simbólica sem precedentes: 60 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Um amplo programa de oficinas de formação e capacitação de gestores e agentes culturais para ser implementado em todo estado é a ferramenta fundamental para assegurar a milhares de jovens o exercício dos Direitos Culturais, assim expressos na Declaração de 1948, em seu artigo XXVII:
“Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios”.
As palavras-chaves desta equação humana são parcerias e responsabilidade social, entendidas e compartilhadas em seus textos, tanto pelo Governador quanto pelo Educador. Em diferentes territórios, mas perfeitamente sintonizados, Jackson lago e Tião Rocha na certa atualizam a profecia poética do maior artista popular nascido em terras do Maranhão, JOÃO Batista DO VALE:
“O negócio não é bem eu
É Mané, Pedro e Romão,
Que também foi meus colega
E continuam no sertão.
Não puderam estudar,
Nem sabem fazer baião”.
Apostamos em dois Programas Estaduais para este ano de consideráveis envergaduras, para os quais necessitamos de parcerias, tanto dos poderes públicos municipais, quanto da sociedade civil organizada:
a) Programa Estadual de Agentes de Leitura;
b) Programa estadual de Bandas de Música.
Ambos portadores da necessidade de uma parceria entre Cultura e Educação,
institucionalizada ainda em 2007, através de um Protocolo de Intenções firmado pelo Secretário de Estado da Cultura e o Secretário de Estado da Educação; e pelo Acordo de Cooperação para a Implementação Descentralizada do Programa Mais Cultura, celebrado pelo Governador Jackson Lago e pelo Ministro Interino da Cultura, Juca Ferreira.
Antes mesmo destes protocolos e acordos, várias ações já estavam sendo desenvolvidas com a rede pública estadual de ensino, tanto na capital como no interior (Núcleo de Arte-Educação do T.A.A., Festival Maranhense de Teatro Estudantil, implementação de 25 bibliotecas municipais por meio do Programa Livro Aberto, oficinas de capacitação artística em parceria com as prefeituras, idem no bairro do Coroadinho; Projeto Sabença, no Liceu Maranhense etc.).
A sensibilidade aguçada do colega e titular da pasta da Indústria e Comércio – Júlio Noronha – aponta para este caminho: a instalação de empreendimentos empresariais combinado com a responsabilidade social, o que, no nosso caso, se traduz em apoios a projetos culturais, visando a “perda para o futuro” de um formidável contingente da nossa juventude.
Concluo o presente, deixando aqui o oportuno desafio para as parcerias culturais que em muito breve poderão ser celebradas, disponibilizando uma “Cesta de Projetos Culturais” no site da SECMA (www.cultura. gov.ma) para serem “adotados” pelas bem-vindas parcerias do nosso empresariado.
O secretário de Cultura do Estado, Joãozinho Ribeiro, escreve para o Jornal Pequeno às segundas-feiras.