Por Kátia Persovisan
Reitor José Augusto fala dos avanços da Educação a Distância, dos investimentos na capacitação de docentes e os projetos para 2008

Jornal Pequeno – Fale sobre o avanço da educação a distância na Uema.
José Augusto Oliveira – Até bem pouco tempo, as ações de educação a distância na Uema se restringiam ao Programa Magistério 2001 que oferecia um curso normal, em nível médio, para capacitar professores da rede municipal de Santa Inês e de mais 12 municípios limítrofes daquele campus. Para dar sustentação técnico-pedagógica e administrativa a essa atividade, a Uema criou o Núcleo de Educação a Distância (Nead), oportunidade em que encaminhou ao MEC o necessário pedido de credenciamento para atuar nessa modalidade. Devidamente concedido o pleito, tornou-se a Uema a sexta universidade brasileira a obter esse credenciamento. Hoje, esse Núcleo desenvolve, além do curso de Licenciatura em Magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental (projeto que já vinha trabalhando desde o seu início), o curso de Magistério em Ciências da Religião (licenciatura) e agora Administração (bacharelado), em convênio com a Universidade Aberta do Brasil (UAB) e com o Banco do Brasil. Com o advento da UAB, projeto do MEC com o objetivo de ministrar cursos de nível superior por meio da internet, abrem-se novas possibilidades para a Uema de desenvolver cursos de graduação e também de pós-graduação, nessa modalidade. Para tal, faz-se necessário que as prefeituras apresentem suas demandas e manifestem interesse junto ao MEC em participar da UAB. No curso de Administração a distância, por exemplo, a Uema já tem 644 alunos matriculados, dos quais 344 são funcionários do Banco do Brasil, que trabalham em agências no estado do Maranhão, e 300 são alunos da comunidade, todos aprovados em processo seletivo.
JP – De que forma a Educação a Distância pode trazer melhorias para o estado? Quais suas primeiras impressões?
JAO – A Educação a Distância é um fenômeno novo no Brasil e também o é na Uema. Esta Universidade tradicionalmente realizava suas atividades por meio do ensino presencial, que ainda é o forte da Uema. Contudo, a Educação a Distância vem se firmando e surgindo como oportunidade de proporcionar maior alcance à ação da universidade. No Maranhão, que tem 217 municípios, há um clamor pelo ensino superior e a Uema, por ser pública, tem sido muito solicitada para estar presente em todo o estado. Hoje, contando com São Luís, são 21 os campi existentes. No ano passado e no início deste ano seguimos trabalhando para implantar os últimos campi da Uema, já criados. Já a Educação a Distância nos possibilita chegar mais rápido e mais além. Recentemente, iniciamos em Arari um curso de Nivelamento de Acesso ao Ensino Superior, aberto à comunidade, e fizemos isso utilizando nossa plataforma de Ensino a Distância. Queremos melhor preparar os jovens para que eles realmente possam ingressar na Educação Superior, independente de ser na Uema ou não. As aulas são ministradas direto do campus Paulo VI, os alunos são acompanhados por tutores, têm alguns encontros presenciais e utilizam material didático recebido da Uema, para que tenham total sucesso.
JP – E o que tem sido feito em relação aos docentes?
JAO – Temos nos preocupado bastante com a titulação dos professores da Instituição. Isso fez parte do meu discurso de posse, do compromisso que assumi com a comunidade acadêmica de que eu daria total atenção a essa área. Hoje temos um Doutorado em Arquitetura e Urbanismo em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, que está possibilitando a qualificação dos professores dessa área; temos um Mestrado em Ciências da Matemática, com a Unicamp. Temos um Doutorado em Medicina Veterinária, titulando professores da Uema, em convênio com a Unesp; temos o Doutorado em Agronomia, em parceria com a UFPB e vamos iniciar um Doutorado em Geografia, em convênio com a Unesp e ainda um Doutorado em Zootecnia também com a Unesp. Mais recentemente, abrimos um Mestrado e Doutorado em Administração, em convênio com a FGV, já iniciado. Convém mencionar que esses programas são oferecidos na própria Uema por instituições com conceito máximo na Capes, com pós-graduações consolidadas, ministrados no campus de São Luís, o que cria oportunidade de participação não só para professores que atuam aqui na capital como para os de outros campi no interior e assim temos professores de Caxias, Bacabal, Imperatriz, Santa Inês e Balsas cursando esses programas interinstitucionais. E mais: queremos ter um programa para os professores de Caxias e estamos trabalhando ainda na possibilidade de uma pós-graduação em Educação para os professores de Balsas. Estamos discutindo ainda com a UFPE um programa de doutorado em Letras, e estamos bem avançados também nessa possibilidade.
JP – Dentro desse projeto de capacitação de docentes, qual é a conquista mais recente?
JAO – Temos o programa Darcy Ribeiro, que tem por objetivo a formação docente para as disciplinas da área das Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. O nosso objetivo com este programa é a expansão e integração do ensino superior com o desenvolvimento do estado do Maranhão, onde a Uema estará cumprindo efetivamente com sua função social. O programa vai oferecer um curso de graduação para os jovens do Ensino Médio que serão os futuros professores do Maranhão nessas áreas. Esse programa estará em todos os campi da Uema. Onde a Uema não está instalada com uma base física, nós criaremos um pólo de Ensino Superior. O estado do Maranhão foi dividido para efeito desse programa de modo que cada pólo tenha no máximo cinco municípios ao seu encargo. Tomamos como referência a nova regionalização do Maranhão instaurada no governo Jackson Lago e, a partir dela, definimos as regiões para o Programa Darcy Ribeiro. O Programa vai criar 9.600 vagas nos cursos de Licenciatura da Uema de 2008 a 2011 em 46 pólos e para isso vamos criar 26 pólos no estado do Maranhão, pois 20 desses pólos serão nos campi da Uema já existentes e estruturados. A média de implantação será de 12 pólos por ano até 2010 e em 2011, cerca de 10 pólos. Esta é a idéia do Programa. Quando totalmente implantado, deverá alcançar 213 municípios, pois não estamos incluindo os municípios aqui da ilha, que já têm uma boa performance. Queremos matricular 210 alunos em cada pólo. A prioridade para a área de ciências não inviabiliza a implantação de licenciaturas em outras áreas. Esse programa é na modalidade presencial, podendo, em algumas circunstâncias, serem utilizados recursos da Educação a Distância naquilo que a legislação permite.
JP – Quais são os principais projetos para este ano de 2008?
JAO – Olha, 2007 foi um ano positivo – apesar de algumas dificuldades, como a paralisação ocorrida face à reivindicação dos servidores – para pensar a universidade e tentar traçar um crescimento planejado. Estamos finalizando em 2008 um planejamento estratégico, em que o plano de desenvolvimento institucional da Uema vai propiciar um direcionamento novo para nossa universidade. Também estamos realizando um estudo de custos da universidade para apresentar ao governador Jackson Lago no sentido de que seja concedida à Uema a sua autonomia financeira. Queremos apresentar ao governo do estado todos esses trabalhos quando de sua finalização. São trabalhos no sentido da organicidade de nossa Instituição universitária. Estamos dando prioridade à infra-estrutura dos diversos campi e conseguimos no ano passado recursos de emendas parlamentares individuais e de bancada para diversos fins, sobretudo, para melhoria dos prédios dos campi e de suas bibliotecas. Estamos envidando esforços para melhorar as condições de toda a comunidade universitária, no que tange a laboratórios e equipamentos. Estamos debruçados no Plano Diretor da Uema para estudar e propor melhor distribuição espacial de nossas unidades administrativas e das nossas unidades acadêmicas. Queremos continuar nosso trabalho de titulação dos professores para formar uma excelente massa crítica e grupos de pesquisa fortes. Queremos oferecer o maior número de cursos de pós-graduação stricto sensu e abrir novas possibilidades no lato sensu em áreas de conhecimento de interesse do estado do Maranhão. Discutimos com a Secretaria de Igualdade Racial um Curso de Sociologia em nível de pós-graduação lato sensu para atender interesses de comunidades tradicionais do Maranhão, sendo que a Uema foi convidada a desenvolver esse projeto, a ser iniciado provavelmente em março, em parceria com a Fapema. Temos sempre que começar sonhando e tentar materializar nossos sonhos.
JP – E em relação aos profissionais que atuam na universidade?
JAO – Temos muitos problemas a superar nessa área, como por exemplo, ampliar o quadro docente da instituição, e vamos solicitar isso ao nosso governador. Hoje, há um grande número de contratados, mas isso é temporário, precisamos fazer concursos não só para admissão de professores como de técnico-administrativos, cujo quadro é formado atualmente por pouco mais de quatrocentas pessoas que também reivindicam o seu Plano de Carreira, Cargos e Salários, pois os professores já alcançaram essa conquista, e eles ainda não. Eu lhes dou o meu incentivo, pois eles precisam desse Plano. Apresentamos, ano retrasado, uma proposta nesse sentido, que tramitou, foi à Secretaria Estadual de Planejamento e à Procuradoria Geral do Estado e ainda está tramitando. Apresentamos outro plano com nova forma remuneratória, mas a categoria não aceitou. Voltamos então a apresentá-lo na forma anterior e estamos aguardando o retorno da Sead. Que este ano se consiga um entendimento que seja bom para todos, pois essa é uma das prioridades que declarei quando assumi a reitoria. Sei que o governo do Estado tem sinalizado positivamente e tenho esperança de que, muito em breve, essa aspiração seja concretizada.