Por Waldemar Terr (Repórter de Política)
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Secretário Edmundo Gomes revela prioridades da saúde para 2008
O secretário de Saúde do Estado, Edmundo Gomes, revela as prioridades da área para 2008 e conta que entre elas está a inauguração, até julho, do primeiro Socorrão do interior do Maranhão feito na administração Jackson Lago. O secretário explica que, da lista de projetos, fazem parte também a implementação da política de saúde do trabalhador, aumentar o número de leitos de UTI para cardiologia e pediatria, ampliação ou reforma de vários hospitais do interior e de São Luís e melhorar a questão dos recursos humanos nas regionais.
Edmundo Gomes comemora também a realização do seminário sobre violência, na semana passada, quando a violência foi colocada como sendo um problema de saúde pública e do qual participaram os integrantes do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conas), do qual ele é vice-presidente, e representantes do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana de Saúde, além do próprio governador maranhense.

Outra ação realizada pela Secretaria de Saúde, na semana passada, foi o lançamento do Sistema de Propostas de Projetos (Sispro), que vai facilitar a solicitação de convênios e diminuir o fluxo dos processos dentro da secretaria fazendo com que a máquina fique menos burocrática, uma vez que boa parte das ações passará a ser realizada via internet.
A seguir os principais trechos da entrevista.
Jornal Pequeno – Quais as lições tiradas do seminário?
Edmundo Gomes – Deste seminário tiramos várias experiências que certamente contribuirão para diminuir a violência em termos de Brasil. O último seminário a ser feito é o do Rio de Janeiro, na região Sudeste, no mês de março, e ao final realizaremos um grande seminário nacional com componente internacional sobre violência, no Rio Grande do Sul, onde todas estas experiências serão catalogadas e feito um grande documento, com propostas de políticas de saúde e ações que traduzam em prevenção da violência e que será entregue ao Ministério da Saúde. Isso é preciso para que a gente faça a delineação de uma política de saúde que contemple todas esta área. Entendemos que se a gente conseguir trabalhar bem vamos diminuir o índice de violência tanto na questão do trânsito como da violência urbana e nas violências direcionadas a segmentos como a criança, o adolescente, a mulher e o idoso.
JP – Como se dará a redução destes índices?
EG – É preciso colocar que a violência é um problema da sociedade, não é da segurança pública. Nós temos que tratar a questão da violência a partir do ser humano, desde pequeno, nos seus primeiros anos de criança. A partir dali já se pode estar criando um ser violento. A violência não é culpa de ninguém, ela pode estar intrínseca na pessoa, precisando do ambiente para acontecer. É preciso a gente incidir de todas as formas no combate da violência nos seus mais variados níveis, desde a física com óbitos até a psicológica. O seminário teve uma participação muito boa dos estados do Nordeste e das organizações não-governamentais, que também expuseram suas ações, de modo que foi avaliado tanto pelo Ministério da Saúde como pelo observador da Organização Pan-Americana de Saúde e pelo próprio Conas como um seminário de boa participação e excelente organização.
JP – Qual a principal vantagem do Sistema de Propostas de Projetos, o Sispro, lançado na quarta-feira para os prefeitos e com a participação do governador?
EG – O Sispro organiza o processo de solicitação de convênios e diminuiu o fluxo de processos, que não vão ser atendidos dentro da Secretaria fazendo com que a máquina fique menos burocrática. A gente vai racionalizar os processos que nesse primeiro momento serão pré-autorizados via internet. Depois, todos serão on-line, inclusive os formulários que vamos autorizar a dar entrada aos processos, permanecendo burocrático apenas as certidões negativas de débito que são necessárias para realizar algum convênio com entidades públicas no âmbito federal, estadual ou municipal.
JP – Quais as áreas mais beneficiadas pelos convênios com os municípios?
EG – O nosso grande foco tem sido a questão do saneamento. Temos grandes dificuldades de água em praticamente todo estado e as prefeituras sempre recorrem a sistemas simplificados de abastecimento já que somos um estado de população rural. Temos também feito alguns convênios para aquisição de equipamentos hospitalares, reforma de unidade de saúde e construção de unidade básica de saúde. Todos os projetos são nesta linha, assim como para manutenção de unidades hospitalares e os projetos serão feito agora via on-line, diminuindo o processo burocrático.
JP – Como está o atendimento das demandas que apareceram naqueles seminários regionais dos quais o governador tem participado ativamente?
EG – Bastante intenso. É o norte de o governo conversar com a sociedade organizada e dentro das nossas possibilidades estamos atendendo prioritariamente aquelas demandas. Temos feito avaliações constantes e pinçado o máximo de recursos que a gente pode para colocar as benfeitorias na área da saúde que foram solicitadas pelas populações.
JP – Agora que as chuvas começam a cair para valer, como andam as ações de combate à dengue em parceria com os municípios?
EG – Sempre neste período as prefeituras enfrentam dificuldades, porque dengue é trabalho de campo, é diminuir foco, é a população cuidando da sua casa e esse descuido ainda acontece, tanto por parte do poder público como da própria família. E quando começa o período de chuvas, começa esse alastramento que estamos vendo aí, como está acontecendo em Imperatriz. Quando o trabalho de campo está bem, não temos dengue. O estado se preparou no seu papel, que é o de fornecer o fumacê nessas crises e na questão do treinamento das equipes de campo que os municípios contratam. Acreditamos que devido aos problemas que os municípios tiveram para regularizar a situação funcional dos agentes de endemias vamos ter muitos problemas porque o combate da dengue está focalizado fortemente no trabalho de campo.
JP – Como anda o controle do beribéri, que também incidiu na região tocantina?
EG – Fizemos um grande trabalho durante o ano passado que refletiu num sistema de vigilância eficiente, na capacitação dos médicos para tratamento e do Programa de Saúde da Família e na detecção precoce e tratamento imediato dos casos. Por isso não tivemos óbitos, o que existem são três óbitos questionados para investigação, totalmente diferente do quadro do ano retrasado, quando tivemos quarenta e poucas mortes por questão do beribéri. Agora temos um fator novo que é o arroz, mas vamos interagir com o Ministério da Agricultura e com a Secretaria de Agricultura para a gente equacionar o problema da secagem e armazenagem do produto naquela região.
JP – O senhor esteve agora no Socorrão I do interior. Como andam as obras?
EG – Estive lá agora e voltarei na próxima semana. As obras estão em bom andamento, houve algum atraso por conta das chuvas, mas a gente está caminhando bem. Nossa meta é inaugurá-lo de junho para julho.
JP – Qual o tamanho do Socorrão de Presidente Dutra e vai atender quantos?
EG – Teremos cem leitos, com oito leitos de UTI, cirurgia geral, traumo-ortopedia e queremos colocar neuro e sistema de diagnóstico por imagem e laboratório. Teremos acoplado um Samu, já conversamos com o Ministério da Saúde e tenho certeza de que vai ser uma experiência muito boa para o estado do Maranhão.
JP – Vai atender quantos municípios e ele é localizado na região dos Cocais?
EG – Ali não dá para especificar muito bem qual a região vai beneficiar mais porque é trânsito, se vier de qualquer região e passar por ali e tiver emergência vai ser atendido, mas vamos beneficiar uma população regular de mais de um milhão de habitantes.
JP – E as outras unidades, como a de Pinheiro, quando sairão?
EG – Estamos em busca de recursos, porque o estado não tem recursos próprios para fazer isso. Está fazendo o de Presidente Dutra com recursos próprios, mas não agüentaria fazer mais quatro com recursos próprios, por isso estamos vendo a possibilidade de arranjar recursos extras.
JP – Quais as prioridades para 2008, além do Socorrão de Presidente Dutra?
EG – Temos que implementar a política de saúde do trabalhador, uma vez que inauguramos o Cerest, temos que colher os frutos em função do aumento do número de leitos de UTI, cujo convênio já fizemos e repassamos os recursos para o Hospital Universitário, e vamos aumentar mais leitos de UTI para cardiologia. Também firmamos convênio com a Santa Casa de Misericórdia onde a gente vai colocar mais 70 leitos na pediatria, temos a ampliação do Materno Infantil de Imperatriz, onde a gente vai criar os leitos e mais unidades intermediárias, assim como vamos intensificar o pré-natal naquela unidade, além dos núcleos que vamos ter de reabilitação e vamos melhorar a questão dos recursos humanos nas regionais para que representem uma célula de gestão de saúde do estado em cada regional para acompanhar os municípios na atenção básica.
JP – Tem mais?
EG – Vamos rediscutir a regionalização e fazer a nova PPI, dar ênfase na questão da assistência médica para a mulher, que é de suma importância para diminuir a mortalidade materna, continuaremos ampliando a Maternidade Benedito Leite, que está num processo crescente de ampliação e reforma, e vamos iniciar a reforma do Presidente Vargas, porque ele não pode atender da forma que está. Teremos ainda como prioridade equipar e reformar todas as unidades que são da Secretaria Estadual de Saúde. Na lista estão o PAN Diamante, a própria Marly Sarney e o Hospital Alarico Pacheco, em Timon, para o qual já fornecemos a ordem de serviço e agora vai começar a obra. Estamos pesando em colocar lá serviço de tomografia, que é importante para a região. Além disso, começos no ano passado e vamos regularmente depositar em dinheiro a contrapartida da farmácia básica para os municípios acima de 30 mil habitantes, vamos fazer a contrapartida para aqueles municípios que colocaram o Samu, de 25 por cento, que não estava sendo dada e aprovamos a lei de transferência fundo a fundo e a estaremos normatizando agora para que também diminua mais esse processo burocrático que tem dentro da Secretaria.