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Aumento da frota de veículos em SL agrava problemas no trânsito

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Data de Publicação: 24 de fevereiro de 2008
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POR JULLY CAMILO

Cidade está entre as capitais brasileiras com maior incremento de carros novos por ano

São Luís parece estar ficando cada vez menor para a quantidade de veículos que rodam nas ruas. De acordo com estatísticas do Detran, são mais de 200 mil veículos trafegando nas vias da capital, o que representa quase 40% de toda a frota do estado. Esse número aumenta exponencialmente a cada ano. Em 2006 foram vendidos mais de 24 mil carros de passeio. Em 2007, as vendas caíram um pouco – cerca de 22 mil –, mas o número ainda espanta. O principal reflexo disso são os engarrafamentos, cada vez mais freqüentes nas ruas e avenidas de São Luís.

Com uma população 957.515 habitantes, São Luís é considerada uma das capitais brasileiras com maior incremento de carros novos por ano, chegando a um percentual de quase 13%, quando o aceitável seria de 6% ao ano.

Dados da Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) apontam que no sentido bairros/Centro, pela manhã, cerca de 3.600 veículos trafegam pela avenida em horário de pico. No sentido contrário, o fluxo é menor e chega a pouco mais de 1.600. Durante a tarde, o sentido bairros/Centro tem uma diminuição de fluxo e é tomado por cerca de 2.600 veículos. Já no sentido Centro/bairros, quando as pessoas estão voltando para casa, o fluxo volta para 3.600.

Fotos:G.FERREIRA
Pátio de uma concessionária de São Luís: cada vez mais carros ‘despejados’ nas ruas

Recorde de vendas – As concessionárias registraram recorde de vendas no país, no mês passado. Os números oficiais ainda não foram fechados, mas segundo estimativas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o incremento, em comparação com janeiro de 2007 vai ser de 28%.

A Anfavea estima que 170 mil veículos foram vendidos, no mês passado, em todo o país. No mesmo mês de 2007, a venda foi de 152,9 mil carros, e em 2006, 132,9 mil. Historicamente, as vendas dos três primeiros meses do ano são menores em comparação com os restantes. Os concessionários afirmam que as prestações dos veículos não aumentaram muito com o crescimento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Com a facilidade do financiamento, o aquecimento das vendas está provocando a falta de muitos modelos dentro das revendedoras. A reportagem do JP constatou essa situação em concessionárias ludovicences.

Na Taguatur Veículos, modelos como novo Siena e Punto estão em falta, em decorrência da grande procura. Segundo o gerente comercial Ulysses Ribeiro, o prazo de espera pode chegar a 45 dias. Mas isso não acontece com todas as versões. Só em janeiro deste ano a concessionária autorizada da Fiat teve um crescimento de 34% em relação ao mesmo período do ano passado, ou seja, 90 carros a mais sendo entregues aos consumidores. Com um crescimento anual de 50,34%, a empresa vendeu em 2006 um total de 2.040 carros, ultrapassando esta marca para 3.067 carros vendidos em 2007. E este total foi atribuído apenas para os carros mantidos no estoque, sem contar com a venda direta realizada pela internet.

O grupo autorizado da Chevrolet, Dalcar Veículos, com sete pontos de vendas na capital, é outro que vive um bom momento. O diretor de vendas José Paronetto Neto informou que um outro fator que impulsionou as vendas foi o fato de os preços dos veículos não terem sidos reajustados, além da venda parcelada com zero de entrada e da desburocratização da aprovação de crédito. Ele afirmou que só em janeiro o grupo vendeu 658 veículos. Em relação a dados anuais houve um crescimento extraordinário, pois em 2006 foram vendidos 4.886 carros e em 2007 esse número subiu para 6.375 veículos entregues.

Paronetto informou que comércio automotivo ainda tem predominância masculina na hora de comprar o carro, mas enfatizou que normalmente o público feminino é quem tem o poder de decisão na finalização da compra. E que os automóveis populares continuam sendo o preferido do consumidor.

Segundo o secretário municipal de Transportes e Trânsito, Canindé Barros, o crescimento das vendas de veículos chega a impressionar. “Jamais imaginamos que o mercado automotivo fosse crescer tanto assim. Antes eram vendidos 500 carros novos por mês. Hoje esse número pulou para 2.500. Há cinco anos tínhamos 100 mil veículos rodando na capital, hoje temos 210 mil. Isso caracteriza 22 mil veículos novos por ano sendo despejados nas ruas e avenidas”.

Sem alternativas – Para os motoristas que são obrigados a enfrentar o caótico trânsito de São Luís todos os dias, o problema principal é a falta de alternativas para o escoamento do fluxo de veículos. Aldemir Froz, 36, motorista de ônibus há 15 anos, disse que a avenida Jerônimo de Albuquerque é um perfeito exemplo dessa falta de alternativas. Segundo Aldemir, antes apenas acidentes geravam engarrafamentos. Mas hoje, independentemente de problemas com veículos, os congestionamentos são quilométricos. “Basta uma simples chuva e tudo vira um caos. Minha rota é Cidade Olímpica/Centro, e os piores horários pela manhã são entre 6h40 e 8h40 e entre 17h40 e 19h40. No meu trajeto, as avenidas Jerônimo de Albuquerque e Guajajaras são as mais críticas. Levamos o dobro do tempo para concluir o percurso que há 10 anos fazíamos num piscar de olhos”.

‘É mais fácil comprar um carro do que uma geladeira’, diz taxista

Silvestre Souza Teles, de 51 anos, trabalha como taxista em São Luís há 20 anos. Atualmente, fica num ponto de táxi da avenida Jerônimo de Albuquerque, no Bequimão.

Silvestre: parto no táxi

Teles disse que nesses 20 anos muita coisa mudou no trânsito da capital, principalmente o crescimento da frota de veículos e o conseqüente aumento do número de semáforos e “pardais” nas ruas e avenidas da cidade.

O motorista esclareceu que não é contra as sinalizações de trânsito, mas que o número excessivo de sinais força os motoristas a parar com freqüência, e isso acaba criando situações propícias para pequenos acidentes.

Ele contou que antes era muito tranqüilo transitar pela capital, bem diferente dos dias atuais. Silvestre atribuiu o “boom” automotivo à facilidade de aprovação do crédito para financiamento de veículos. “É mais fácil comprar um carro do que uma geladeira”, disse.

O motorista revelou que seu primeiro automóvel foi um Chevette 1983, e descreveu uma situação vivida durante o seu percurso de trabalho que hoje poderia ter sido trágica, por conta da demora provocada pelos congestionamentos.

“Em 1995, eu estava indo para casa e, ao entrar na Vila Palmeira, me deparei com um homem fazendo sinal e muito agoniado. Fiz bem rápido a curva do carro e parei para que ele entrasse. Foi quando vi que ele acompanhava uma mulher grávida que estava quase parindo. Seguimos em direção a Maternidade Maria do Amparo, no Anil. Na época, trafegar em São Luís era muito tranqüilo. Mas mesmo assim não adiantou a fluidez do trânsito: já chegando ao Anil, ouvi um choro de criança vindo do banco de trás e percebi que o bebê havia nascido ali mesmo. Ao chegar ao hospital, só ouvi o enfermeiro dizer para trazerem a tesoura que o cordão umbilical seria cortado ali mesmo no carro. Hoje fico imaginando se essa situação se repetisse novamente, com este trânsito caótico que enfrentamos todos os dias. Será que a história teria o mesmo final feliz?”

Enquanto as obras não vêm, SMTT faz intervenções pontuais

Para garantir a fluidez em pontes, ruas, bairros e avenidas, a SMTT já executa medidas, que embora paliativas, devem ajudar a descongestionar o trânsito da capital. Desde a noite da terça-feira, 19, está acontecendo uma intervenção temporária na ponte do São Francisco.

Francisco Canindé Barros

Agentes de trânsito estão dividindo a faixa central da ponte com cones de borracha e garantindo a circulação de veículos nos dois sentidos a partir das 18h. A medida busca dar maior fluidez ao tráfego no sentido Centro/São Francisco e irá ocorrer de segunda a sexta-feira, das 18h às 21h.

Fora desse horário, em feriados e finais de semana, a faixa central volta a ser de mão única, no sentido São Francisco/Centro. Na avenida Daniel de La Touche, também será feita uma pequena intervenção para melhorar a circulação de veículos nas primeiras horas da manhã. A ponte do Caratatiua, que originalmente funciona apenas no sentido João Paulo/Ipase, terá mão dupla das 7h às 9h da manhã, de segunda à sexta-feira. Nos feriados e finais de semana, a ponte volta a ter mão única.

Na altura do Ipase, será feita uma abertura no canteiro central da avenida Daniel de La Touche por onde os veículos que seguem para o João Paulo, Filipinho e avenida dos Franceses terão acesso à ponte do Caratatiua. Outra avenida que há anos registra problemas no fluxo de veículos é a São Sebastião, no Anil.

O secretário Canindé Barros afirmou que a Prefeitura deve realizar uma grande intervenção no bairro, retirando o posto de gasolina e o posto de saúde, para sobrar mais espaço. Além disso, outras intervenções serão feitas ao longo da avenida São Sebastião até a avenida São Marçal. “Temos projetos prontos de construção de novas vias para interligar bairros, por exemplo, e assim diminuir o tráfego de veículos pelos principais corredores. Mas enquanto não pudermos concretizar esses projetos vamos buscar outras formas possíveis de fazer o tráfego de veículos fluir”, disse Canindé Barros.

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