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A CAEMA, OS MARANHENSES E OS 'NOVOS BAIANOS'

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Data de Publicação: 24 de fevereiro de 2008
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Roberto Rocha

De todos os serviços prestados pelo setor público, o fornecimento de água à população é sem dúvida um dos mais importantes. O problema é que o crescimento das cidades faz esse bem essencial se tornar cada vez mais escasso e mais distante, requerendo, assim, crescentes investimentos para sua oferta satisfatória em quantidade e qualidade. É um serviço complexo e bastante oneroso, não só a captação da água e sua adução até a estação de tratamento, como o tratamento em si e a distribuição a cada usuário.

É lamentável que a Ilha de São Luís viva uma permanente ameaça de colapso em seu serviço de abastecimento de água. O sistema de captação e adução, o Italuís, construído ainda no operoso governo do companheiro João Castelo, há muito reclama uma recuperação e, mais que isso, a sua duplicação. A rede de distribuição também é problemática, o que provoca enorme percentual de perda da água tratada destinada aos usuários, agravando a carência do produto, além de enorme prejuízo financeiro para a Caema. Colocar esse serviço no nível ideal de atendimento requer, portanto, um elevado volume de investimentos, problema comum a todas as capitais brasileiras.

Que a oposição critique e cobre os investimentos e a eficiência do serviço, o que é o seu papel, é, sim, algo benéfico e estimula providências saneadoras. Porém, atribuir ao presidente da Caema, engenheiro Rubem Brito, a culpa pelas deficiências crônicas do sistema e da empresa é algo realmente absurdo, é ignorar todo um histórico de deficiências tanto da Caema, ao longo de décadas, como da política de saneamento no país. Como dito antes, todos os estados têm problemas nessa área, cujo déficit de investimentos ronda a casa dos R$ 50 bilhões, segundo o próprio governo federal.

A questão é que não se podem avaliar as atuais dificuldades do sistema de São Luís sem levar em conta o desastre que foi a administração dos “novos baianos”, funesta invenção do sr. Jorge Murad. Aliás, não foram eles a origem das bandalheiras praticadas pelo consórcio OAS/Gautama. É preciso deixar claro que o governo Roseana, numa decisão pra lá de estranha, entregou o setor de saneamento do estado às empreiteiras OAS e Gautama, as quais, na seqüência, trouxeram os “novos baianos” para dirigir a Caema, transformada ali num mero departamento daquele consórcio de empreiteiras.

Os famigerados “novos baianos”, portanto, cumpriram fielmente a missão que os trouxe ao Maranhão: direcionaram para os seus verdadeiros patrões, as empreiteiras OAS e Gautama, um contrato no valor aproximado de R$ 350 milhões, cujo objeto seria a duplicação do Italuís. Pior: para fiscalizar a execução das obras, foi contratada uma terceira empresa, também da Bahia, trazida num simulacro pelos executores. Deboche total.

Numa perversa seqüência de falcatruas, o governo Roseana Sarney  pagou mais de R$ 40 milhões a essas empresas, sem nenhum benefício para o sistema, além de criar um tremendo imbróglio no TCU, pois o contrato foi considerado inidôneo e está na lista de censura do Tribunal, o que vem impedindo a liberação de novas verbas para a referida obra. Em síntese: além do prejuízo financeiro ao Maranhão, o desonroso obstáculo a novos recursos. Como diriam os antigos: além da queda, o coice.

Claro que a atual diretoria precisa, durante a sua gestão, reorganizar a Caema e melhorar a eficiência dos vários sistemas sob sua responsabilidade. E disso, não só como parlamentar, mas também como usuário do serviço, estou muito confiante. Pois sou testemunha do esforço do presidente da Caema, engenheiro e ex-deputado Rubem Brito, já que, demandado por ele, tenho atuado nos ministérios em apoio ao competente trabalho que está a desenvolver. É o caso do Tribunal de Contas da União, onde temos tentado desobstruir os caminhos para novos investimentos, tendo em vista o grave problema criado pelos “novos baianos”, um triste legado do governo de Roseana e Jorge Murad.

O deputado federal Roberto Rocha escreve para o Jornal Pequeno aos domingos. contato@robertorocha.com.br

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