O encontro entre o presidente da Bolívia, Evo Morales, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a chefe de Estado da Argentina, Cristina Kirchner, terminou ontem sem acordos sobre as cotas de distribuição do gás boliviano.
No entanto, os chefes de Estado assumiram o compromisso de que os ministros da área de energia dos três países vão coordenar ações que tentarão alcançar uma solução negociada para o problema, segundo comunicado lido pelo chanceler argentino, Jorge Taiana, ao término do encontro.

Um porta-voz da chancelaria argentina antecipou ainda que o grupo deverá se reunir dentro de dez dias na Bolívia. Lula e Morales partiram para seus respectivos países.
Morales propôs o encontro de ontem, que aconteceu em Buenos Aires, a fim de tentar solucionar de forma pactuada a redistribuição do gás boliviano, para atender à crescente demanda do Brasil e da Argentina, tendo em vista a proximidade do inverno.
A atual produção de gás boliviana é de aproximadamente 40 milhões de metros cúbicos por dia, e será elevada a 42 milhões de metros cúbicos este ano por causa da demanda dos mercados externo e interno, estimada em torno de 46 milhões de metros cúbicos diários.
A Bolívia envia entre 27 milhões e 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia ao Brasil e é signatária de um acordo em que se compromete a bombear até 7,7 milhões de metros cúbicos diários à Argentina, mas o fluxo atual se limita a 3 milhões de metros cúbicos por dia.
Em 2006, a Argentina e a Bolívia também assinaram outro acordo pelo qual o país andino se comprometeu a fornecer 27,7 milhões de metros cúbicos de gás por dia a partir de 2011, dos quais 20 milhões serão enviados através do futuro Gasoduto do Nordeste.