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SEBASTIÃO NERY

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Data de Publicação: 23 de fevereiro de 2008
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O HOMEM DO TELEFONE

Formou-se em Direito pela Universidade de Brasília, abriu um belo escritório de advocacia, móveis de bom gosto, instalou-se todo. Pôs anúncios nos jornais, ficou esperando o primeiro cliente.

Tocaram a campainha, abriu todo feliz:

- Entre, por favor, e sente-se. Mas me dê um minuto, porque preciso ligar para o Planalto. O presidente quer falar comigo.

Ligou, falou com a telefonista, com a secretária, com o chefe de gabinete, com o secretário-geral da Presidência e, afinal, com o presidente.

Conversa rápida, profissional, competente, respeitosa. Desligou. O homem esperava tranqüilo e perplexo. Ele se justificou:

- Desculpe, mas presidente é presidente. Não se pode deixar esperando. O que é que o senhor deseja?

- Sou funcionário da companhia telefônica e vim ligar os telefones.

DIRCEU

Companheiros do presidente Lula na viagem à Antártica, dias atrás, contam que, nos angustiantes momentos de espera, enquanto o tempo não abria para os aviões decolarem, essa velha história foi relembrada e Lula deu boas gargalhadas. O homem do falso telefonema seria José Dirceu.

Mas não só ele. Lula se queixa de que antigos companheiros do PT usam abusivamente o nome dele e de ministros mais próximos e mais poderosos, para demonstrarem força junto ao governo e fazerem lobby e negócios. Ainda há pouco, em entrevista, José Dirceu dizia:

- Tenho falado com o Lula, tenho estado com ele.

E mais:

- É evidente que um telefonema meu pesa muito no governo.

Só assim se explica o que ele diz estar faturando, pelo mundo afora, com clientes bilionários como o Slim do México, o mais rico do mundo.

DELÚBIO

Os escândalos do mensalão, dos vampiros, dos sanguessugas, dos dossieiros, das ONGs, dos cartões corporativos, todos comandados pelo PT, vêm sobretudo daí. As ONGs, por exemplo. Quando não são os próprios petistas que as criam, como o Delúbio Soares, com seu inefável sorriso de capivara, petistas são chamados para as diretorias porque abrem portas, arrancam verbas, conhecem o caminho das cobras.

Como se explica que o Incra tenha dado R$ 7,1 milhões e a Petrobrás R$ 4 milhões para a ONG “Ifas”, fundada inclusive pelo Delúbio, “ensinar trabalhadores rurais de Minas, Ceará e Bahia a plantarem mamona para a produção de biodiesel”? (Época).

Todo nordestino sabe que mamona dá em qualquer barroca. É só jogar o caroço que um novo pé logo aparece.

COMPANHEIRA MATILDE

Como Lula sempre os defende, a corrupção fica oficial e inevitável.

O discurso de defesa da “companheira Matilde” é um escárnio público:

- A companheira Matilde sai do governo sem ter cometido nenhum crime. Não cometeu nenhum delito. Teve apenas falhas administrativas. Eu lhe disse que não compensava ficar para ser massacrada e triturada, como ela foi dez dias consecutivos. Minhas homenagens à companheira Matilde, que continua sendo a minha companheira intocável que sempre foi, desde os tempos de Santo André.

A raiz do problema é que a filosofia do governo é a da impunidade. O PT e o governo do PT acham que “podem tudo”. A “companheira Matilde” “podia” usar o “cartão corporativo” para comprar “mimos” (perfumes, cosméticos) em “free-shops”, para alugar carrões e viajar para onde quisesse nos fins de semana, gastando como bem entendesse.

Outro ministro “podia” pegar a família e ir para fins de semana em hotéis caríssimos do Rio e pagar com o cartão corporativo.

CARTÃO “INCORPORATIVO”

Por isso o Palácio do Planalto criou a tese de que os gastos da Presidência são “segredos de Estado” e quer impedir que a CPI do Cartão apure e revele quanto e como foi gasto. Até “O Globo” se escandaliza:

“Em 2007, a Presidência da República gastou R$ 5,2 milhões com cartões, sendo R$ 551,8 mil em saques. A funcionária Maria Emília, que trabalha para a primeira-dama, sacou R$ 614,7 mil em dinheiro vivo, entre 2003 e 2005. No total, gastou R$ 870 mil” (em quê, ninguém sabe).

O Supremo já gritou: “Não há segredo com dinheiro público”.

O PT e o governo do PT misturam os bolsos e não lêem o Aurélio. Transformaram o cartão corporativo em “cartão incorporativo”:

“Incorporar: juntar, reunir, acrescentar, receber” (enfiar no bolso).

ALAGOAS

E a “incorporação” é nacional. A Folha conta:

- “Em Alagoas (já tão sofrida, tão sangrada, coitadinha), dirigentes do PT sacaram mais de R$ 700 mil com cartões corporativos”. “Incorporaram” a grana no bolso. Seria essa “a moral socialista a que pandegamente aludiu o ex-ministro José Dirceu” (Folha), e que tanto irritou o lúcido Clóvis Rossi?

CRIVELA

O senador “bispo” (entre aspas) Crivela está querendo ser candidato a prefeito do Rio. O eleitorado começa a correr sério risco. Como ele não vai mesmo ganhar a eleição e é sobrinho e herdeiro do titio “bispo” (entre aspas) Edir Macedo, que está processando quase toda a imprensa brasileira, imaginem se o Crivela, derrotado, resolver processar todo o eleitorado. Ou o eleitor vota nele ou ele crivela um processo em cima do eleitor.

(www.sebastiaonery.com.br)

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