TRAGÉDIA NO RIO AMAZONAS
As equipes de resgate às vítimas de um acidente ocorrido no final da noite de quarta-feira (20) no rio Amazonas encontraram ontem o corpo de um menino de nove anos. Com isso, sobe para 14 o número de vítimas do naufrágio. No total, 92 pessoas foram resgatadas com vida e sete permanecem desaparecidas. Ontem, equipes dos bombeiros e da Marinha prosseguiram as buscas na região. Outras seis vítimas ainda podem estar nas águas.
A embarcação Almirante Monteiro, feita de madeira, saiu de Alenquer (PA) e seguia para Manaus (AM). Por volta das 23h30 (horário de Brasília), na vila Novo Remanso, em Itacoatiara, a 90 km do centro de Manaus, a embarcação bateu em uma balsa de combustível que vinha na direção oposta, impulsionada por outro barco (empurrador), e naufragou. A balsa deixou o local após o acidente.
Segundo o Corpo de Bombeiros do Amazonas, Rogério da Gama Caio, 9, foi retirado das águas por volta das 10h de ontem. Das 14 vítimas do acidente, 12 já foram identificadas, segundo os bombeiros.
Além de Caio, foram identificados: Aline Santos Castro (um ano meio de idade), Rainara Taiane Chaves, 3, Maria do Socorro Silva Leitão, 44, José Luiz Costa Leitão, 49, Antonia Vieira, 82, Lucas da Cruz Nunes, 29, Jacilene da Silva Nunes, 25, Lucas Júnior da Silva Nunes, 8 e Adriel Vitor da Silva, 7. Os quatro últimos são da mesma família, segundo a Marinha.
Uma criança de prenome Jennifer, 3, e Ana Lucia, uma mulher que não teve sua idade confirmada, também estão entre os mortos. Uma criança e uma mulher ainda não haviam sido reconhecidas.
A batida ocorreu em um trecho em que o rio Amazonas tem 300 metros de largura, e a 90 metros da margem esquerda do rio. É um local de águas barrentas e muita correnteza.
Uma embarcação da Polícia Civil teria captado o pedido de socorro do comandante do barco e prestou os primeiros socorros. Bombeiros, mergulhadores e equipes da Marinha utilizam barcos, um hidroavião e um helicóptero para vasculhar a área e socorrer eventuais vítimas.
O helicóptero da Marinha também está empenhado em procurar a balsa que estaria envolvida no acidente. Um inquérito administrativo foi instaurado para apurar as causas do acidente. A Polícia Civil também vai investigar o caso.
Suspeita – A Polícia Militar suspeita que o condutor da balsa tenha apagado a luz da cabine porque transportava carga de combustível ilegal – meio de driblar a fiscalização.
“O barco [Almirante Monteiro] estava todo iluminado. Quando o comandante viu que a balsa estava próxima demais e, no escuro, não conseguiu desviar. O condutor da balsa fugiu do local e não foi identificado”, disse o tenente-coronel Almir Barbosa.
A embarcação que naufragou levava 112 pessoas – 12 tripulantes e cem passageiros. De acordo com a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, a embarcação estava registrada, possuía condições de navegar e não estava superlotada.