Flávio Dino
A Universidade Estadual do Maranhão (Uema) começa 2008, quando completará 27 anos de atividade, com um imenso desafio, que, pela amplitude, precisa ser extensivo a seus parceiros: oferecer mais educação aos jovens maranhenses, com mais qualidade. O compromisso foi assumido publicamente quando da posse de seu atual reitor, professor José Augusto Silva Oliveira, e está detalhado no plano de gestão da instituição para o período até 2010.
Nessa espécie de roteiro a ser cumprido – que foi encaminhado também ao governo do estado – a Uema revela uma lúcida visão sobre si mesma, seu passado e presente e, especialmente, sobre o que pretende para o futuro. O propósito é corajoso: nossa universidade estadual quer transformar-se numa agência indispensável para o desenvolvimento do Maranhão.
Não é tarefa fácil nem rápida num estado com o perfil do nosso, com 217 municípios espalhados por mais de 300 mil quilômetros quadrados, um quarto deles com menos de 10 mil habitantes. Pior: onde mais de 1 milhão de maranhenses ainda se encontram na condição de analfabetos. É um contingente enorme a pressionar por educação e emprego, por melhorias reais no padrão de vida atual, e que esbarra num velho paradoxo. “Temos recursos mas não temos riqueza; não temos riquezas porque não temos pessoas qualificadas para produzi-la; não temos pessoas qualificadas porque não produzimos riqueza para custeá-las – essa a realidade que desafia a competência da Uema hoje e nos próximos anos”, resume o reitor Oliveira.
O desafio de romper com esse ciclo vicioso ocorre num momento em que os quadros da instituição estão aquém da pressão por crescimento: são pouco mais de 700 professores para atender 35 mil alunos nos 14 campi em funcionamento atualmente - além de São Luís, também em municípios como Caxias, Imperatriz, Bacabal, Balsas, Santa Inês e Açailândia. Contando com os quase 500 técnicos administrativos, é uma corporação de 1.200 funcionários que faz a Uema funcionar hoje.
Do amplo roteiro de ações que a Uema pretende implementar até 2010, destacamos algumas criativas e com real potencial de provocar mudanças na comunidade, como, por exemplo, a aceleração da criação de cursos de pós-graduação e pesquisa, com mecanismos para atrair e fixar doutores na Universidade, inclusive os ali formados; a revisão de critérios e modelos de avaliação do processo seletivo para a graduação e cursos pós-secundários, levando em conta a diversidade e a pluralidade cultural dos candidatos; e a expansão dos programas de ensino à distância.
Também estão nos planos a criação de um centro de extensão voltado para a formação de trabalhadores em áreas de economia solidária, como o cooperativismo; a implantação, nos próprios campi da Uema, de mecanismos de colocação e ajustamento dos formandos em seu ambiente profissional; e a criação de um Fórum de Relações Universidade-Comunidade em todos os campi, com o objetivo de tornar a sociedade maranhense uma interlocutora efetiva e participante das decisões da instituição.
Por todo esse contexto, é indispensável à Universidade, não apenas para poder dar início a tal roteiro mas também para conseguir concretizá-lo, contar com a cooperação das autoridades do Governo do estado e também com as da esfera federal.
De minha parte, estou tomando todas as providências que o mandato de deputado federal possibilita para obter mais recursos e infra-estrutura que ajudem a Uema a cumprir esse seu desafio. Apresentei duas emendas ao Orçamento Geral da União de 2008, que vão garantir o repasse de R$ 300 mil à Uema, via Ministério da Educação. Em 2007 também postulei e obtive a liberação de uma emenda para a Universidade Estadual do Maranhão, no valor de R$ 150 mil, de autoria inicial do ilustre e querido ex-deputado Neiva Moreira.
Destaco ainda o apoio reiterado que tenho dado aos funcionários da Uema para que conquistem o seu Plano de Cargos Específico, como um reconhecimento à grande contribuição que dão diariamente à Universidade.
Como parlamentar, tenho focado minha atuação, dentre outros temas, na busca de caminhos para o desenvolvimento sócio-econômico do nosso estado. Não acredito que isso vá ocorrer sem uma instituição como a Uema estar ocupando um papel de liderança na formulação e na gestão de políticas públicas.
O deputado federal Flávio Dino escreve para o Jornal Pequeno às quartas-feiras.