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Prefeito acusado de trocar droga por voto responde ao JP

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Data de Publicação: 2 de fevereiro de 2008
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O prefeito do município de Alexandre Costa, Carlos Machado (PTB), esteve na quinta-feira, 31, na redação do Jornal Pequeno para refutar notícia veiculada pelo jornal no domingo passado 27/01 (“Prefeito do interior é acusado de trocar droga por voto”), que afirma que a Polícia Federal apura denúncia de que ele teria distribuído droga em troca de votos, nas eleições de 2004. A reportagem cita a existência de gravação em vídeo que seria a base da denúncia. O conteúdo da gravação é uma declaração do traficante José Cilto Sampaio de que teria recebido “a incumbência de distribuir 1 quilo de maconha a viciados em troca de votos”. José Cilto foi assassinado pouco mais de um mês depois que a gravação foi feita. A seguir, a resposta do prefeito Carlos Machado:

Carlos Machado negou acusações e acusou adversários

“Além de muitas afirmações que não correspondem à verdade, a reportagem comete vários equívocos e, o que é mais grave, indiretamente, sugere o envolvimento de Carlos Machado na morte do traficante. Desde a data do crime que resultou na morte de Jose Cilto, toda a cidade só conhece a versão de crime passional. Cilto foi alvejado por uma espingarda de chumbo — o que não combina com o modus operandi dos crimes de encomenda, como sugere subliminarmente a reportagem. E o atirador seria o marido de uma amante da vítima. O próprio Cilto, que sobreviveu uma semana aos ferimentos, foi o autor da acusação.

A reportagem diz ainda que o traficante acusa Carlos Machado de tê-lo contratado para distribuir maconha em troca de votos. A afirmação é a primeira das muitas contradições nela contidas. Fazer negócio com um comerciante, no caso um traficante, fornecendo-lhe a mercadoria que é a razão de ser do seu negócio, desafia a mínima lógica do comércio. E José Cilto nunca foi “aliado” de Carlos Machado, e nem poderia, pelo fato de que ele nunca atuou na política da cidade.

A referência à distribuição da droga por Cilto, fazendo crer que o traficante teria dado a mercadoria como brinde de campanha de Carlos Machado, é outra incoerência. O próprio processo de cassação da adversária de Carlos mostra que votos são comprados por valores bem superiores ao preço de um cigarro de maconha. Um dos eleitores comprados pela ex-prefeita Francisca Sales Costa custou um milheiro de telhas, algo em torno de 300 reais.

Além do mais, por que Carlos Machado se envolveria com dois traficantes — e ainda ficar devendo dinheiro e “favor” a um deles —, se quisesse comprar votos? Outro desafio à lógica; desta vez a lógica eleitoral.

A matéria diz ter por base uma “denúncia” feita por parentes da ex-prefeita Francisca Sales, a Dona Sula, logo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 18 de dezembro passado, dar por encerrado o processo que cassou seu mandato por compra de votos e abuso de poder. Mesmo sem conhecer o teor da gravação em vídeo que o jornal afirma ter tido acesso, Carlos Machado atribui à derrota jurídica de Dona Sula a tentativa de envolver-lhe com as atividades e a morte de Cilto.

Do contrário, por que Sula, que tinha uma prova de compra de votos desde o final de setembro do ano passado, como afirma a reportagem, guardou tal denúncia por tanto tempo, se seus advogados recorriam ao TSE para recuperar seu mandato, cassado justamente por compra de votos?

Mas a afirmação mais insustentável que faz a matéria é a de que alguém, mesmo um “traficante” como Jose Cilto, pudesse confessar (na fita de vídeo) dois crimes — tráfico de droga e compra de votos —, com penas de até quinze anos de prisão pelo primeiro e até quatro anos e pelo segundo, sem poder provar o crime cometido por seu acusado, o prefeito Carlos Machado.

Outra afirmação que não merece crédito é a de que um traficante pudesse se expor à prisão por crime não-afiançável e o pagamento de multas superiores a 2.000 reais, como reação a um suposto calote de valor apenas um pouco maior (“R$ 2.000 e a compra de 5 pneus [...] 6 janelas, e 2 portas”). Um desafio à lógica financeira e ao bom senso.

A mais inverídica, porém, de todas as afirmações contidas na reportagem está logo em suas primeiras linhas, quando diz que a “Delegacia da Polícia Federal de Caxias apura denúncia de que o prefeito Carlos Machado (PMDB) teria encarregado um traficante de distribuir droga em troca de votos, nas eleições de 2004”. Ao tomar conhecimento da publicação, o prefeito Carlos Machado fez contato com a delegacia da PF de Caxias, e o delegado Ronaldo Marcelo Prado de Oliveira negou haver a acusação, afirmando “que não há registro nesta descentralizada de nenhum procedimento policial que apure denúncia de compra de voto através de distribuição de entorpecente”. A afirmação está registrada em certidão emitida pelo delegado.

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