Alexandra Vidal – EpNews
Recentemente, ela completou 15 anos de idade, mas já é considerada veterana em novelas. Marcela Barroso sempre interpretou personagens com as mesmas características: são meninas espertas, com discurso de adulto e carinhas de pseudo-intelectuais. A Ramona de “Duas Caras” segue o mesmo perfil. Contudo, esta característica não é mera coincidência. A jovem atriz, assim como suas personagens, apresenta um nível de maturidade bem acima de sua faixa etária. Ela garante, no entanto, que os papéis que já fez não se assemelham à sua vida. “Sou uma garota como outra qualquer. Só aprendi a ter responsabilidades mais cedo”, diz.
A atriz, que estreou em 2002 – como Madona, a menina sapeca de “Sabor da Paixão” – e comemora seu quinto papel em novelas, conta que sempre foi estudiosa, mas buscou características de amigas mais próximas para compor a Ramona. Porém, as evidências demonstram que Marcela poderia passar no vestibular antecipadamente, como está previsto na sinopse da trama de Aguinaldo Silva. “Penso em fazer faculdade de cinema. Ser atriz é difícil, mas é preciso ter uma segunda opção profissional porque essa carreira é absolutamente instável”, conta.
Ela lembra que, aos 13 anos de idade, assim que terminou “Senhora do Destino”, foi advertida de que deveria encarar como algo natural se ficasse um período fora da televisão. “Diziam que seria uma fase difícil de conseguir papéis, esse tipo de coisa. Acham que a gente muda muito na adolescência”, relembra. Mas Marcela não ficou sem trabalhar no breve intervalo entre uma novela e outra e foi protagonizar a peça “O Rapto das Cebolinhas”, de Maria Clara Machado. Alguns meses depois já estava escalada para viver a Naná na primeira fase da minissérie “JK”, exibida em 2006. Logo em seguida, foi chamada para integrar o elenco de “Malhação” como a pré-adolescente Antônia. “Fiquei aliviada por não ter sumido da televisão. Mas meu contrato ainda é por obra”, conta.
Em sua segunda novela de Aguinaldo Silva, Marcela torce apenas para que a esperta Ramona arranje um namorado, mas sabe que isso pode não acontecer. “Queria que ela desencalhasse. Minhas personagens nunca tiveram namorado”, lamenta. “Mas sei que são muitas tramas para o autor pensar, nem todas podem ser tão desenvolvidas”, emenda. Marcela se preocupa com outros planos.
Com o fim de “Duas Caras”, ela pretende retomar um curso de dublagem, interrompido “milhões de vezes”, segundo ela. Também quer viajar para o exterior para estudar, embora haja grande probabilidade de que o especial “Os Amadores”, no qual ela interpreta a rebelde Maria, entre para a grade da Globo no segundo semestre. “Mas isso é para o futuro, só posso viajar com 18 anos. Falta uma eternidade até lá”, acredita, sempre pensando no próximo passo.
Atualmente, Marcela não aparenta ser mais aquela criança de outrora. A menina ganhou corpo, virou uma adolescente, mas não perdeu o encanto. Vaidosa como qualquer menina de sua idade, Marcela só ficou preocupada quando engordou sete quilos para fazer a Bianca de “Senhora do Destino”. Ela saiu dos 39kg para os 46kg com a ajuda de uma nutricionista. “Não fiquei chateada porque queria muito fazer a novela. Mas fiquei preocupada em conseguir perder tudo de novo depois”, conta. Aos poucos vem conseguindo, pois houve uma mudança no perfil da personagem e a exigência de estar acima do peso não existe mais. Com alguns centímetros a mais do que no início de “Senhora do Destino”, Marcela já pode dizer que está nos padrões: 42kg para 1,53 metro de altura.
Marcela só sai de casa com perfume, maquiagem, bijuterias. Adora comprar roupas e, seu maior vício, sapatos – tem mais de 50 pares. Há pouco mais de um mês, aderiu à escova progressiva. “As únicas pessoas que tinham cabelo cacheado aqui em casa eram meu cachorro poodle e eu”, brinca a menina, que mora com os pais, a instrumentadora cirúrgica Denise e o engenheiro Marcelo, e a irmã mais nova, Paula, de nove anos, num confortável apartamento em Niterói, região metropolitana do Rio. Denise conta que embora muito vaidosa, Marcela é extremamente tímida. “Ela adora todos os diretores com quem trabalhou, mas não demonstra. Chega a ser seca, fala de cabeça baixa”, conta. “Brinco que se houvesse um túnel que ligasse a portaria do Projac ao estúdio, onde não passasse ninguém, ela usaria”.