Edinho Lobão faz 1º discurso e pede 'limites para acusações irresponsáveis'
Em um plenário vazio, o senador Edison Lobão Filho (sem partido) fez, ontem, seu primeiro discurso na tribuna do Senado desde que assumiu a cadeira na Casa, em janeiro deste ano, como suplente do ministro Edison Lobão (Minas e Energia). No discurso, o senador não explicou as acusações de sonegação de impostos, sociedade oculta em uma empresa de bebidas e irregularidades na venda de uma emissora de TV no interior do Maranhão.
Edinho Lobão disse apenas que foi acusado injustamente de cometer as irregularidades antes de assumir o cargo. Mas não cumpriu a promessa firmada antes de chegar ao Senado de se defender perante os colegas, como chegou a anunciar.
“Paguei na imprensa o preço pela posse do excelentíssimo ministro Edison Lobão, titular da vaga que ora ocupo. É natural que o homem público tenha sua vida escaneada e vigiada bem de perto, mas fica aqui um desabafo. É preciso haver limites nas acusações irresponsáveis e claramente motivadas por interesses contrariados. Mas para mim este fato está superado”, afirmou.
Lobão Filho disse que vai encaminhar ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), sua defesa nas investigações promovidas pelo senador sobre as irregularidades de que é acusado. Mas não deixou claro se pretende prestar depoimento, pessoalmente, ao corregedor.
O senador também não adiantou o partido político que irá integrar, já que pediu formalmente ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o desligamento do DEM após 20 anos na legenda.
“Eu o faço com o coração partido, mas consciente de que no atual panorama político a minha permanência no Democratas é quase impossível. Do DEM, caso autorizado o meu desligamento, só ficarão saudades e muitos e grandes amigos.”
Suplentes – Lobão Filho anunciou, no discurso, que vai apresentar a PEC (proposta de emenda constitucional) com mudanças nas regras para as eleições de suplentes no Senado. Apesar de ter assumido a cadeira na Casa como suplente do pai, o senador defende mudanças no sistema atual —em que o titular do mandato escolhe, por contra própria, dois suplentes para a sua cadeira.
“Desde 2003 isso é discutido, agora temos a oportunidade de mudar essas regras. Pela minha proposta, cada partido ou coligação terá que apresentar dois candidatos por vaga ao Senado. O que tiver mais votos assume como titular, o outro, como suplente”, explicou.
O senador disse que tem maior “legitimidade” para apresentar a proposta, uma vez que assumiu a cadeira como suplente. Mas evitou criticar o modelo atual adotado pelo Senado.
“A Constituição Federal é clara, não existe distinção entre os senadores. Eu não falo do meu caso particular, já tenho a minha história no meu Estado. Eu falo no sentido de melhorar o processo eleitoral”, disse.
Atualmente, 13 dos 81 senadores são suplentes —o que representa quase 20% dos parlamentares escolhidos nas urnas para o Senado Federal.
Afastamento do DEM – Ontem também, Edinho anunciou seu afastamento formal do DEM. Ele afirmou que deseja procurar “novos rumos”, e agradeceu ao senador José Agripino (DEM-RN) pela condução do assunto no partido.
A expulsão de Lobão Filho, foi solicitada pelo líder do partido na Câmara, Onyx Lorenzoni, contrariando o acordo fechado entre Lobão e Agripino. Pelo acordo, sairia amigavelmente do partido.