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Edição 22,524
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Um grande político

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Data de Publicação: 19 de fevereiro de 2008
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José Reinaldo

Logo depois do rompimento com a oligarquia, um querido amigo perguntou-me com quantos deputados eu contava na Assembléia e eu respondi que não sabia. A mesma resposta dei para perguntas semelhantes sobre outras instituições. Ele virou-se para mim e disse: “quer dizer que entras em uma briga com o Sarney, sem ter apoio na Assembléia Legislativa, no Judiciário, na imprensa? Ficastes louco?! O homem tem grande influência em todos os poderes, serás presa fácil”. Eu disse a ele que meu objetivo não havia sido brigar com ninguém, mas que não abria mão de mudar a agenda do governo, trocando o enfoque dos programas que passariam a ter como prioridade melhorar o IDH. Isso e outras coisas mais levaram os donos do poder a abrir guerra contra mim. E, assim, não havia me preparado para a luta, mas eu sabia o que fazer para poder agüentar o que viria daí para a frente.

A oligarquia espalhava que o impeachment era iminente e a Assembléia iria me tirar do cargo em poucos meses. Dediquei uma parte do meu tempo a trabalhar para que, nas eleições para presidente da Assembléia, que estavam chegando, tivéssemos um candidato forte e confiável, e, sobretudo, comprometido com os novos tempos para o Maranhão. Isso era fundamental para a estabilidade do meu governo, assim como é para todos os governadores que têm a família Sarney como adversária. Com a Assembléia sob comando do grupo Sarney, e, apoiados na força da mídia sarneisista, serão criados fatos contra o governo cuja finalidade é formar um ambiente favorável a um golpe com aparência legal, licenciando na marra o governador e abrindo caminho para a tomada do poder, obsessão do ex-dono do Maranhão. Com o governador fora do poder e sem apoio da Assembléia ele não conseguirá reunir força suficiente para voltar. A Assembléia é como a rainha no jogo de xadrez; perdendo-a, ficará muito difícil resistir. No mínimo não terá tranqüilidade para governar.

Tínhamos vários quadros, entre os deputados, com o perfil desejado na casa e eu me fixei no nome de João Evangelista, que é um político extraordinário, com ampla experiência como parlamentar, como vereador e deputado.

Quando era vice-governador havia me aproximado muito de João Evangelista e criado, além da amizade, uma grande admiração por ele, como político e homem íntegro.

Foi a nossa primeira grande vitória contra Sarney. Tivemos de enfrentar o poder de fogo da mídia sarneisista, que joga sujo e faz intrigas, como está se repetindo agora. Não desistem. Passamos por cima de todas as armadilhas, das pendências judiciais protelatórias, das intrigas, e na última hora com a derrota iminente nem apresentaram candidatos. Era a primeira vez que isso acontecia e teve grande repercussão política, pois ficou claro que nós estávamos dispostos à luta e que os enfrentaríamos.

Essa vitória foi muito importante para o meu destino como governador do estado, e mostrou aos políticos e à sociedade que podíamos vencer o medo que dominava o Maranhão, e que Sarney não era imbatível. Foi um divisor de águas. Foi a primeira derrota importante da família no estado.

A postura sincera de João Evangelista e seu trânsito entre os deputados foi muito importante para a vitória.

E ele me ajudou muito a governar e a implantar grandes conquistas para a sociedade por meio dos deputados e dos prefeitos. Com Roseana Sarney no governo, o orçamento, além de ser uma peça de ficção, era praticamente secreto, pois só Jorge Murad, que o elaborava, conhecia-o. Os deputados aprovavam o orçamento em seções rapidíssimas sem ao menos saberem o que continha. Aquilo era um arremedo de democracia, como na verdade era tudo no Maranhão. E decidimos que os deputados teriam direito não só de conhecer como também de propor emendas destinando recursos para obras em seus municípios. O Maranhão mudava, e as relações entre os poderes também, como foi com o Judiciário e o Ministério Público.

João Evangelista abriu a Assembléia para o povo e passou a fazer audiências públicas sobre temas relevantes para a sociedade, com grande sucesso e participação. João Evangelista é um grande político, um grande homem e um presidente de poder democrata e ativo. Além de ter muito caráter.

O governador Jackson Lago tem a sorte de contar com ele na presidência da Assembléia. Como foi comigo, é sempre leal e atuante, tranqüilizando o governador, garantindo que aquele poder está em mãos seguras, longe do canto das sereias, e infenso a propostas golpistas de um grupo que só pensa em poder e inclusive mantém uma questão na Justiça Eleitoral tentando roubar o mandato do governador com um processo totalmente viciado, aliás, como sempre.

Atualmente em licença médica, rezamos muito pela recuperação de Evangelista. O governador precisa muito dele e o Maranhão mais ainda. Sua licença mostra a sua importância, como demonstra a confusão gerada por ambições pessoais, legítimas, mas totalmente fora de hora e contexto, que só animam o grupo Sarney, rejeitado pelo povo, mas que aproveita todos os momentos para tentar criar intrigas e ganhar vantagens. Fique atento, governador, pois o senador José Sarney jogará todas as suas fichas no controle da Assembléia.

Falei sexta-feira com Georgina, esposa de João, e as noticias são tranqüilizadoras. Força, meu querido amigo João, que você é muito forte e vai vencer mais essa!

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