Brasília - O Senado decidiu punir com uma advertência o servidor Marcos Santi que, no ano passado, denunciou ao Conselho de Ética e à Corregedoria o ex-presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL) por uso do cargo em benefício próprio. Na ocasião, Santi disse que Renan teria usado da função de presidente do Senado para manipular os processos em que foi acusado de quebrar o decoro parlamentar - com manobras junto a servidores para retardar as investigações.
Depois de quatro meses de investigação, a sindicância interna instaurada para investigar o servidor concluiu que Santi infringiu artigos da lei 8.112/90 - que instituiu o regime geral dos servidores públicos. Segundo a sindicância, Santi deveria ter formalizado as denúncias contra Renan aos seus superiores ao invés de revelá-las publicamente.
O primeiro-secretário do Senado, Efraim Morais (DEM-PB), publicou ontem a decisão da sindicância no Boletim Administrativo da Casa. A apuração do caso foi solicitada pelo próprio Renan -o que resultou na instauração da sindicância composta por três servidores do Senado: Wilson Theodoro, Dirceu Teixeira de Matos e Andréa de Souza Figueiredo.
Os três foram apontados, na época, como ligados a Renan e ao diretor-geral do Senado, Agaciel Maia. Apesar da pena a Santi não ter efeitos práticos, o servidor deixa de ser réu primário por dois anos em processos no Senado, caso venha a responder a outras ações na Casa.
Em entrevista à reportagem, Santi afirmou que vai recorrer da decisão porque disse não estar de acordo com a punição -já que procurou o corregedor do Senado e o Conselho de Ética para revelar as irregularidades.