Opinião
José Luiz Oliveira de Almeida*
Todos assistimos, estarrecidos, a luta que se trava quando se aproxima – ou mesmo antes – a sucessão nos três Poderes. A luta levada a efeito é renhida e não dispensa expedientes questionáveis, escusos, abomináveis. Pelo Poder (stricto sensu) e em face do poder (lato sensu), mesmo os que posam de vestal saem do prumo – se excedem, não raro.
A história está prenhe de fatos que corroboram as afirmações supra. Não preciso, pois, citá-los. Muitos são os que descem ao chão, fazem qualquer acordo, negociam a honra, em nome do poder.
Sempre fui um idealista, razão pela qual sempre que me predispus a lutar por um fragmento de poder, o fiz em nome desse ideal. Nunca o fiz movido por um sentimento menor.
Nunca, por exemplo, postulei ser membro da Corte Eleitoral do Estado, por entender que não seria capaz de exercer aquele naco de poder, sem me incompatibilizar com muitos.
Releva anotar, para que não se faça uma análise equivocada das reflexões que faço, que pretender a direção de um Poder é mais do que legítimo. Eu não condeno a busca do poder. O que condenado são as negociações que estão por trás da ascensão e o que muitos são capazes de fazer para ascender. A ambição pelo poder, sabe-se, é própria dos homens. O que acho deplorável e criticável são os meios para se alcançar esse fim e, depois, em nome desse fim, o que se é capaz de fazer.
Compreendo que a conquista do poder não pode prescindir dos princípios morais. Não vale, na minha ótica, o uso de qualquer expediente para ascender. Digo mais: o acesso ao comando de um Poder não pode ser por mera vaidade. Dirigir um Poder, em nome de muitos, deve ir além do retrato fixado na parede e das benesses que decorrem do seu exercício.
Quem age apenas sob perspectiva de ganhos pessoais em face do Poder que exerce, faz muito mal à instituição que dirige. Quem faz do exercício do poder apenas um meio para desfilar a sua vaidade merece o repúdio de todos os que têm o mínimo de ética a motivar as suas ações.
Aquele que pensa que a história lhe rendera homenagem, apenas porque logrou colocar o seu retrato na galeria dos que lhe antecederam, comete um grave equívoco e terá, inelutavelmente, a condenação da história.
Exercer o poder é muito mais que um mero exercício de vaidade, repito. O exercício do poder público vai muito além da distribuição de cargos e honrarias aos acólitos e/ou aos áulicos. Exercer o poder público em benefício de uma instituição vai muito além da bajulação.
Digo mais. Aquele que ascende a direção de um Poder, não deve dele se servir para escarnecer, para se vingar dos adversários que logrou derrotar, nem para perseguir quem não comunga de suas idéias.
Quem exerce o poder imaginando que será honrado apenas porque o seu retrato permanecerá afixado na parede, comete um grave equívoco. Se não for digno do poder que exerceu, passará para história, seguramente, apenas como mais um oportunista.
Exercer o poder público é bem servir ao interesse público. Exercer o poder com honradez e respeito, é renunciar, é abdicar das vendetas pessoais,das perseguições.
O poder bem exercido é entrega, é dedicação, é perseverança, é tratar a todos da mesma forma, sem qualquer tipo de discriminação.
Quem exerce o poder pensando em dele se servir ou para, a partir dele, servir aos amigos, não será lembrado com respeito, ainda que na galeria destinadas às fotografias se destaque pela beleza física ou pelos retoques proporcionados pela computação.
Quem exerce o poder pelo poder, não representará para historia da instituição a quem pertence além de um simples retrato na parede.
*Juiz de Direito da 7ªVara Criminal
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