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O Maranhão turístico
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O Maranhão turístico

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Data de Publicação: 17 de fevereiro de 2008
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Opinião

João Pereira Martins Neto*

O turismo sustentável ainda é novo no Brasil, mas está na pauta do dia de diversas instituições, inclusive do governo federal. E quais são bem sinteticamente os principais parâmetros quando se fala em turismo sustentável? Inclusão social, preservações ambiental e de costumes e tradição, desenvolvimento regional, geração de emprego e renda, valorização do artesanato e gastronomia, respeito e ética.

No Maranhão, antes do governo Jackson Lago, foram realizadas no Turismo ações pontuais e que devemos respeitar e incluí-las em projetos maiores e planificados. A própria Organização Mundial do Turismo (OMT) propõe medidas de reação, conservação e eficácia para garantir um turismo sustentável. Massificação, desqualificação, ambição por quantidade é o inverso dos preceitos que acima configuramos, além disso, temos que considerar prioritários respeitar a autenticidade sociocultural das comunidades e buscar assegurar atividades econômicas viáveis a longo prazo, com o objetivo de gerar empregos e mão-de-obra e contribuir para a redução da pobreza.

No Turismo do atual governo, não se defende imediatismo e nem se responde às idiossincrasias das críticas fáceis e a maioria das vezes desprovidas de lastro profissional e descompromissadas com a verdade dos fatos e dos números. As distorções constantes, fruto dos despreparos com a ética, a verdade, os conceitos fundamentais não fazem parte deste governo e nem poderiam fazer, pois as diferenças são marcantes e demarcam esta nova era que estamos reconstruindo para e com o povo.

Um exemplo do que pregamos e fazemos é a presença do turismo do Maranhão nas feiras dos países mais importantes na emissão do turismo para o Brasil e, em especial, para o Maranhão. Estamos falando das Feiras Internacionais de Lisboa (Portugal), Madrid (Espanha), Milão (Itália) e Berlim (Alemanha). São mercados prioritários das ações da Embratur na captação de mais turistas para nós. E por quê?

Portugal – pela nossa profunda afinidade lingüística, nossa estrutura arquitetônica, social e cultural – nossas raízes;

Espanha – atualmente o oitavo maior emissor de turistas para o Brasil e no nosso caso inclusive com capital investido em ações em São Luís e Barreirinhas.

Itália – origem lingüística, com forte investimento em empreendimentos no Ceará e Piauí que tem refletido sua presença em São Luís, Barreirinhas e Tutóia e na vasta colônia italiana em nossa cidade.

Alemanha – país cultuador das defesas ambientais e presença fortemente captada na pesquisa realizada em nosso estado.

Para tanto, a Secretaria de Turismo do Estado tem de gerar ações desenvolvidas para promoção no exterior voltadas para o relacionamento e parceria estratégica com os principais agentes desses países, como por exemplo, operadores de turismo, companhias áreas, agentes de viagens e jornalistas especializados, no sentido de aumentar o interesse e o volume de vendas do produto turístico maranhense.

Qualquer pessoa desprovida de compromisso com o nosso estado pode transformar números estatísticos ruins em quase bons, basta achar um ângulo mais propício, omitir aqui e ali e em sentido inverso vale a mesma interpretação. Mas os planejadores do setor (ou seja, todos os empresários que têm de saber onde investir seu dinheiro no ano seguinte) não querem versões e sim fatos. Neste peculiar, o ano de 2007 foi estimulante e cheio de otimismo para o Turismo no Maranhão, senão vejamos:

1 – Em 2007, o número de passageiros embarcados/desembarcados no aeroporto Marechal Cunha Machado foi 21,52% maior que o ano de 2006, isto corresponde a uma parcela de mais de 159.441 passageiros e este aeroporto recebeu um número total anual de 900.357 passageiros (foi construído na época para uma previsão de 1.000.000 passageiros). Motivos para nossa preocupação.

2 – Os desembarques de passageiros na região dos estados do Nordeste de Jan/Jun de 2007 cresceu 16,5% e no estado do Maranhão cresceu de 53,9% - (fonte Infraero), bem superior a todos os outros estados do Nordeste e da média proporcional do Brasil como um todo (7,8%).

3 – A taxa de ocupação (UH) hoteleira em São Luís no ano de 2007 foi de 60,5% e superior ao nordeste que foi de 53,3%, sendo que alguns hotéis de São Luís tiveram taxas de ocupação mensais superiores a 80% (razão de vermos grupos hoteleiros estarem ampliando sua rede, inaugurando novos hotéis e com projeções de novos empreendimentos para 2008/2009) (fonte – MTUR).

Citamos apenas estes três fatos, mas existem muito mais.

E tudo isto num ano em que permanentemente sofremos com a maior crise aérea neste país, inclusive com diminuições de vôos para São Luis (-5,1%).

Comparação do turismo do Maranhão com outros estados é gerar voluntariamente uma falha proposital. Não podemos a curto prazo ocupar um espaço que foi construído há décadas pelos estados da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Ceará e até Rio Grande do Norte, que possuem vôos diários e em alguns casos, mais de um, para capitais de países da Europa e, em especial, de Portugal, Espanha, Itália, Alemanha e França.

Os vôos “charters” realizados de Lisboa para São Luís em 2006, preservados pela Setur-MA, em 2007, e em fase de negociação para este ano, faz parte da estratégia de manter o provável destino maranhense consolidado em Portugal, muito embora o número de visitantes portugueses no Brasil, como um todo, tenha diminuído em 2006/2007. Este fato igualmente ocorreu com italianos, espanhóis e alemães. A crise de oferta de vôos, a valorização do real, o custo Brasil foram e são fatores preponderantes para esta diminuição. Quem não se lembra da Varig como a companhia aérea que mais voou do Brasil e para o exterior? Ela faliu e até agora não temos ainda proporcionalmente o seu número de acentos ofertados. Os números da Embratur estão à disposição de todos é só acessar o site.

A “Pesquisa de alta temporada” 2007 realizada pela Setur-MA, em São Luís, em parceria com a Secretaria de Turismo Municipal de São Luís e com o Sebrae, e em Barreirinhas, Tutóia, Imperatriz e Carolina, através da empresa ACCESS (licitação pública) apresentam dados de grande significado da “demandas turísticas no Maranhão”.

Além disso, é necessário comparar nossa demanda habitacional e o seu crescimento com referidos estados e suas capitais.

Pela primeira vez, o turismo do Maranhão realizou pesquisa com tamanha amplitude e entregou os resultados a suas cadeias produtivas e aos representantes da mídia, em reunião dia 12 deste e por entender que são dados fundamentais para a formatação de uma consciência turística para o desenvolvimento do Maranhão.

Os resultados da pesquisa têm que ser avaliados, discutidos e principalmente gerar ações partilhadas por todos. Idêntica pesquisa foi realizada na baixa temporada (novembro 2007) e está em fase de tabulação/impressão e sofrerá o mesmo tratamento e divulgação.

Esta pesquisa apenas para curiosidade dos leitores configura a presença no estado do Maranhão de turistas da França, Irlanda, Suíça, Bélgica, Alemanha, Argentina, EUA, Espanha, Venezuela, Suécia, Portugal, Peru, Itália, Inglaterra, Holanda e outros países. Esta informação configura o acerto das campanhas promovidas pelo turismo do Maranhão no exterior.

O turismo do Maranhão não tem preconceitos, mas é fortemente embasado em conceitos e vai continuar seu trabalho de instrumentalizar seu planejamento em ações públicas e em parceria privadas alicerçadas nas potencialidades dos mercados interno do estado do Maranhão, do Brasil e Internacionais.

A nossa grande dimensão de ofertas turísticas tais como de lazer, belezas naturais, ecoturismo e de negócios e eventos serão todos tratados com a mesma intensidade. Aliás, não poderia deixar de falar neste artigo em duas ações fundamentais do governo Jackson Lago para o turismo:

1 – Priorizar a cidade de Barreirinhas com uma gama de ações (aeroporto, urbanização da entrada da cidade, rodoviária, água e tratamento de esgoto) no sentido do Turismo Sustentável, e como cidade pilar do Consórcio Integrado MA/PI/CE.

2 – O Centro de Convenções Dr. Pedro Neiva de Santana com todos seus percalços já é hoje um atrativo para estimular eventos em São Luís. Desde junho de 2007, quando começou a funcionar até 31/dezembro/2007, recebeu 25 (vinte cinco) eventos com aproximadamente 31.000 (trinta e um mil) participantes.

Independente de qualquer nova solução alternativa e crítica construtiva – sempre bem recebida – é importante ao setor do turismo deste governo manter – como tem feito até o momento – a palavra dada e fazer do turismo uma base sólida de desenvolvimento para a economia do nosso estado e não sair do rumo traçado mesmo quando há distorções, provocações e promoções contrárias a nossa maneira de ser, a nossa cultura e ao nosso compromisso com o povo.

A gestão do Turismo no governo Jackson Lago tem um começo, meio e projeção futura no sentido de saber levar os destinos maranhenses a um caminho correto, produtivo e comprometido com um turismo sustentável, dentro de sua real demanda interna. Ainda desmistificar algumas notícias de mídia sem compromisso com o nosso estado que propagam inverdades em vários de nossos serviços a desmerecer nossa maneira cortês e eficiente de bem receber, levando para fora de nossas fronteiras fatos ou mensagens que nos desonram e repletos de falsidades. Lembramos, porém, que o dia seguinte é mestre do anterior.

*Secretário de Estado do Turismo do Maranhão

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