A ordem dentro do governo é não promover nenhuma licitação para exploração das reservas de petróleo dos campos de Tupi e Júpiter até que a Polícia Federal esclareça o furto dos computadores da Petrobras.
As licitações das duas áreas já estavam suspensas desde que a Petrobras divulgou suas descobertas de um megacampo de petróleo na camada pré-sal naquela região. Vão continuar na gaveta até a conclusão das investigações.
O temor dentro do governo é que os dados dos computadores, que podem conter informações sigilosas sobre localização e extensão dos poços de Tupi e Júpiter, caiam nas mãos de empresas interessadas em explorá-los. Isso poderia conferir vantagem para essas empresas no processo de licitação.
Na época, o governo suspendeu as licitações para reavaliar as regras da concessão das áreas, já que o potencial de exploração era muito maior do que o imaginado inicialmente. O objetivo é adotar mecanismos que permitam ao governo ficar com parte da produção do petróleo explorado ou o equivalente em faturamento.
O presidente Lula, que já sabia do furto, não quis se estender sobre o assunto e afirmou que se “informaria melhor”. Anteontem, Lula e Dilma conversaram sobre o tema com o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli.
O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) também trocou telefonemas com Gabrielli, que ficou responsável de tomar as medidas para tentar reaver os computadores.
Inquérito – A Polícia Federal confirmou a abertura de inquérito para investigar o furto dos dois notebooks e um disco rígido com informações sobre atividades da Petrobras. A PF informou que trabalha com duas hipóteses: roubo simples ou espionagem industrial.
Segundo a estatal petrolífera, as informações contidas no material – que era levado dentro de um contêiner transportado entre Santos (SP) e Macaé (RJ) – são “estratégicas e sigilosas”.
Por meio de nota, a Petrobras informou apenas que o furto foi feito de uma empresa terceirizada prestadora de serviços, mas não citou nomes. Segundo já confirmado pela PF, o contêiner era transportado pela norte-americana Halliburton – a empresa, porém, afirmou que não se pronunciará a pedido da petrolífera brasileira.
A Halliburton é uma das principais empresas prestadoras de serviços para o setor petrolífero do mundo e teve como um de seus executivos o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney. O contrato com a Petrobras tem validade de quatro anos e valor de US$ 270 milhões.