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Data de Publicação: 16 de fevereiro de 2008
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REAJUSTE DA CONTA DE ÁGUA

Mesmo com aumento, tarifa da Caema continua sendo a mais baixa do Nordeste e a terceira mais barata do Brasil

O presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão (Caema), Rubem Brito, explicou, em entrevista coletiva concedida na manhã de ontem, que o aumento das tarifas de água será de acordo com o consumo de cada usuário. “Consumidores carentes, que consomem até 10 metros cúbicos, terão um reajuste de apenas 15,04%. Já os outros consumidores terão um reajuste de 39,98%. A legislação permite este tipo de realinhamento de tarifas segmentado”.

Foto:GILSON TEIXEIRA
Rubem Brito (esq.) durante a entrevista coletiva de ontem

O reajuste médio das tarifas será de 31%. Os valores não eram reajustados desde 2004. Rubem Brito afirmou que o aumento vinha sendo discutido desde o ano passado. Cerca de 214 mil usuários consomem até 10 m³/mês, o que equivale a cerca de 40% do total de usuários da Caema.

Na entrevista, Rubem Brito afirmou que atualmente apenas 60% dos custos da empresa são pagos pelos consumidores. “Hoje em dia as tarifas não estão dando conta das despesas da empresa. É lógico que não podemos aumentá-las para sanar o déficit, mas um realinhamento das contas precisa ser realizado”, disse.

Mesmo com o aumento, a tarifa da Caema continua sendo a mais barata do Nordeste e a terceira mais baixa do Brasil. “Outras empresas já realizaram seus aumentos antes de nós. Por conta disso, após nosso reajuste nossa tarifa continuará sendo uma das mais baixas do país”, esclareceu o presidente.

O presidente ainda afirmou que a nova estruturação financeira da Caema não dependerá apenas dos reajustes. “A empresa não pode relegar apenas aos consumidores a responsabilidade pelas receitas, é preciso que ocorra uma gestão financeira eficiente. Dessa forma, várias outras formas de melhorar nossas contas estão sendo formuladas. Um exemplo desse esforço é o aumento de cobertura. Quanto mais pessoas dispuserem de água potável, maior será a arrecadação”.

Crise anunciada – Em relação aos recentes problemas no sistema de abastecimento Italuís, o presidente da Caema afirmou que o caso é grave e tem recebido atenção especial da atual diretoria.

Para atender São Luís a adutora deveria ter uma vazão de 2 m³ de água por segundo. Dados da Caema informam que hoje a adutora suporta apenas 1,4 m³. “A rede está muito deteriorada. Qualquer aumento na pressão pode causar rompimentos da adutora”, disse Brito.

São 56 km de adutora construídos no início da década de 1980, ainda no governo de João Castelo. Segundo Rubem Brito, os reparos necessários na adutora não foram feitos, o que tornou a situação preocupante. “Não podemos esconder da população o risco que o sistema corre hoje; fazer isso seria imprudente com o povo. No decorrer dos anos que seguiram a construção do sistema perderam-se diversas oportunidades de evitar um colapso. Mesmo assim, temos esperança de que o problema seja resolvido”, disse.

Rubem Brito citou o exemplo de um contrato em 2000, durante o governo Roseana Sarney, que previa cerca de R$ 150 milhões na adutora. As empresas escolhidas na licitação foram a OAS e a Gautama, denunciada recentemente. De acordo com Rubem Brito, falhas no processo impediram a liberação das verbas.

A localização geográfica da adutora também foi motivo de preocupação durante a entrevista. “Temos muitas coisas em nosso desfavor em relação a adutora. Cerca de 20 km localizados no Campo de Perizes, e lá está o trecho mais crítico, pois o ferro fundido de que são feitos os canos está sendo corroído pela salinidade do terreno e pelas descargas elétricas na área”, disse o presidente.

(José Linhares Jr.)

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