POR JULLY CAMILO
O Ibama destruiu, na manhã de ontem, na Maiobinha, aproximadamente 100 gaiolas, provenientes de apreensões e entregas voluntárias, ocorridas em todo o estado. A destruição, realizada por tratores, foi uma ação do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), da Superintendência do Ibama no Maranhão. Com o ato, o órgão teve a intenção de simbolizar o combate contra o tráfico de animais silvestres, além de conscientizar a população da importância da liberdade desses animais no meio ambiente.
Segundo o analista ambiental Roberto Rodrigues Veloso, o tráfico de animais silvestres é um dos principais crimes praticados contra o meio ambiente. É proibida por lei a compra, venda, criação em cativeiro, transporte ou qualquer outro negócio envolvendo esses espécimes da fauna brasileira sem autorização do Ibama, resultando em multa e processo administrativo, civil e penal.

“Ainda não tivemos registro de prisões. E o valor da multa é de R$ 500 para quem for pego com animais que não constam na lista de espécimes ameaçadas e R$ 5.000 para os que constam na lista. Entretanto ainda é comum a manutenção desses animais, principalmente aves, em cativeiros em todo o país”, declarou Roberto.
A comercialização ilegal de espécies da fauna silvestre brasileira acontece em todo o Brasil. Mas sua maioria provém das Regiões Norte e Nordeste, em direção ao Sul e ao Centro-Oeste, tendo como principais destinatários os estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
O tráfico internacional só acontece com espécies raras, e normalmente os animais são levados para a Europa, os países asiáticos e Estados Unidos. “Alguns animais são destinados ao mercado ilegal de estimação, outros para colecionadores particulares, zoológicos e pet shops”, explicou o analista.
O tráfico - Os animais traficados são anestesiados pelos traficantes para que pareçam dóceis e mansos. Alguns traficantes até furam os olhos das aves para que elas não vejam a luz do sol e não cantem, evitando chamar a atenção da fiscalização.
Muitos bichos morrem durante o transporte por serem escondidos em espaços diminutos, como meias, caixas de sapato, fundos falsos de bagageiros etc. A criação em cativeiro diminui a capacidade de eles buscarem seus alimentos, de se defenderem de predadores e até mesmo de se protegerem de situações adversas no habitat natural.
Maior parte dos animais apreendidos é de aves
O Núcleo de Fauna da Superintendência do Ibama na capital apresentou o relatório de suas atividades no ano de 2005, contabilizando o registro de entrada de 651 animais, em sua maioria aves (348, o que representa 55,2% do total).
Em seguida, aparecem os mamíferos (155) e os répteis (148). Em 2006, o Cetas registrou a entrada de 470 animais, na maioria aves (256, o que significa 54,47% do total), depois vieram os mamíferos (137) e os répteis (76).

O maior registro foi no ano passado, com a entrada de 688 animais, na sua maioria aves (403, o que representa 65,97% do total), em seguida aparecem os mamíferos (177) e os répteis (107).
Esses espécimes são oriundos de apreensões, entrega voluntária e resgates feitos por diversas instituições como a Polícia Rodoviária Federal, o Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Estado, o Corpo de Bombeiros, a fiscalização do Ibama e o próprio Cetas.
A maioria dos animais apreendidos já foram encaminhados para soltura ou para criadouros credenciados, sendo que a maior parte das solturas foi feita dentro do Sítio Aguahi da Merck, em São José de Ribamar, e no próprio Horto Florestal do Ibama.