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Data de Publicação: 14 de fevereiro de 2008
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POR JOSÉ LINHARES JR.

ABERTA TEMPORADA DE INVASÕES

Como acontece em todos os anos de eleição, São Luís já começa a viver rumores de invasões de terrenos. Desde o dia 1° de fevereiro, uma movimentação estranha de pessoas, no retorno da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), vem chamando a atenção de pedestres e motoristas que trafegam pelo local.

Foto:G.FERREIRA
Num barraco com teto de lona é feito o cadastramento das pessoas que querem ocupar o terreno

Ontem, a reportagem do Jornal Pequeno esteve lá e descobriu que se tratam de sem-teto – entre eles, muitas crianças –, que estão se organizando para invadir uma área de mato existente próximo à Uema, na avenida Lourenço Vieira da Silva. Segundo o líder comunitário Filomeno Ricardino dos Santos, conhecido como Louro, as pessoas decidiram invadir o terreno por não possuir casa própria e pelo fato de que o local, por ser formado por um denso matagal, serve somente para abrigar marginais.

De acordo com Louro, o movimento iniciado no dia 1° é para que as pessoas se cadastrem para a aquisição do lote e, que, cada uma está pagando a quantia de R$ 10. Até uma barraca coberta de plástico foi montada para abrigar os organizadores da invasão e os futuros ocupantes do local.

O líder comunitário afirmou que o dinheiro arrecadado serve para comprar comida, que está sendo feita em fogareiros improvisados, e para ajudar com as despesas do grupo. “Temos nota de todas as despesas que são feitas aqui. Este dinheiro está sendo gasto com coisas de interesse das pessoas”, relatou.

Ele disse que já devem ter sido feitos 700 cadastros, mas que o loteamento deverá abrigar 1500 lotes. Louro ainda explicou que existem pessoas de todas as partes de São Luís no grupo. “Todos que estão aqui não possuem casa e estão desesperados. Isso aqui não é uma reunião armada, mas uma prova de que tem muita gente sem abrigo na cidade”, ressaltou.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de algum político estar ajudando o grupo, Louro foi evasivo. “Olha, tem uma pessoa que nos ajuda. Mas, por pedido dela, resolvemos não divulgar por enquanto”.

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