DISPUTA INTERNA NO PSDB
Encerrou-se às 14 horas de ontem o prazo para inscrição de candidaturas à Liderança do PSDB na Câmara dos Deputados. Os parlamentares tucanos escolherão entre os nomes dos deputados Arnaldo Madeira (SP) e José Aníbal (SP) para suceder o atual líder, Antonio Carlos Pannunzio (SP). A eleição deverá ocorrer hoje, em escrutínio secreto, a partir das 14 horas, no Auditório Freitas Nobre, no Anexo IV da Câmara. De acordo com o estatuto da bancada, será considerado eleito o candidato que obtiver os votos equivalentes a 50% mais um dos membros. São esperados 59 deputados para o pleito.
Segunda-feira passada, na última reunião do colégio de vice-líderes coordenada por Pannunzio, o tucano agradeceu ao apoio dos pares durante os 12 meses à frente da bancada. “Foi um período de aprendizado, em que procurei ouvir todos os colegas antes de tomar qualquer decisão. Acima de tudo, fui um servidor do partido. Nunca defendi uma tese apenas porque a maioria a apoiava, mas sim por ter sido convencido”, avaliou Pannunzio.
Ele ressaltou que no último ano contou com a colaboração dos demais deputados na defesa consistente das posições do PSDB. “Nos embates contra o governo e sua base, nem sempre vencemos, mas nos destacamos pela coerência das opiniões”, disse. Pannunzio enfatizou o papel da assessoria técnica e do Diário Tucano, “que tornaram possível a missão de municiar a bancada de informações consistentes e também divulgar com sobriedade as conquistas do partido”.
Pannunzio ponderou ainda que durante sua liderança intensificou a articulação com a cúpula do partido e a bancada no Senado. “O exemplo mais claro dessa interação proveitosa foi a derrubada da CPMF no Congresso, em outubro do ano passado”, lembrou. O líder também afirmou que sua despedida “não representa um momento de tristeza, mas sim mais uma etapa vencida com dignidade e desprendimento”.
Reconhecimento - O primeiro vice-líder do partido, deputado Leonardo Vilela (GO), destacou o trabalho de Pannunzio como “uma iniciativa engrandecedora, que conferiu estatura e respeito à bancada”. Já Lobbe Neto (SP) disse que o parlamentar paulista, mesmo após deixar o cargo, assumirá o papel de “juiz ou conselheiro” dos colegas. O ex-ministro da Educação Paulo Renato (SP) elogiou a constante disposição do líder de submeter-se às decisões da bancada, enquanto o deputado Vanderlei Macris (SP) classificou os últimos 12 meses como “uma verdadeira escola” para parlamentares em primeiro mandato.
O deputado Bruno Rodrigues (PE) ressaltou igualmente o equilíbrio demonstrado por Pannunzio - “um homem correto, que escuta, pondera e, somente então, decide”. Waldir Neves (MS), por sua vez, chamou atenção para a “amizade sólida” que se aprofundou em cada parlamentar. O deputado Raimundo Gomes de Matos (CE), por fim, sintetizou a postura de Pannunzio como “a de um líder que conduziu sua bancada com harmonia e sentimento de conciliação”.