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OBAMA X HILLARY: A AUDÁCIA DA ESPERANÇA.

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Data de Publicação: 11 de fevereiro de 2008
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PALAVRA DE ESPECIALISTA

Manoel Rubim da Silva

Auditor Fiscal da Receita Federal – Professor do Decca-Ufma

email: manoel_rubim@uol.com.br

Lembro-me que ao final do ano de 2006, idealizei, todavia, não escrevi um artigo prevendo uma novidade nas eleições para Presidente dos EUA. Entendia, naquela ocasião, que ganhavam corpo duas fortíssimas candidaturas, quais sejam, as de Condoleezza Rice, pelo Partido Republicano, PR, e a de Hillary Clinton, pelo Partido Democrata, PD. Acredito, após uma fria análise, que seria um sonho dissociado da realidade esperar um avanço político de tal magnitude do PR, em escolher uma mulher, negra, para ser candidata à Presidência dos EUA. O General Colin Powell, negro, face à sua atuação na Guerra do Golfo, seria imbatível como sucessor do pai do atual Presidente Bush. Não conseguiu a sua indicação pela “máquina” do PR. Resultado: ganhou Clinton.

A dinâmica da política mudou todo o referido cenário. Afinal, política, no dizer de alguns, é como “a dança das nuvens”. Temos hoje, duas pré-candidaturas a Presidente dos EUA, pelo PD, que sem dúvida alguma, estão a dar um novo alento a quem espera mudanças na política. Diria que, para mim, a candidatura de Hillary Clinton, menos por ser esposa de ex-Presidente, e mais pela sua condição de mulher competente, é uma novidade em um país, que elegeu (elegeu!) Bush, um típico “cowboy” do Texas. Barack Obama, então desconhecido no cenário mundial, ganhou notoriedade há menos de um ano, conquistando a simpatia de parte do eleitorado dos EUA, entre jovens, intelectuais, artistas e bilionários, um fenômeno inimaginável, sinalizando, com uma mensagem edificante para o mundo, para milhões de jovens, que lutam em busca de um “lugar ao sol”, e que, no mais das vezes, são levados pelo descrédito, ao desespero, às drogas, aos crimes etc.

A candidatura da Senadora Hillary Clinton não me surpreendeu, pois a considero até como muito natural, embora seja de se admirar que em um país tão próspero como os EUA, prevaleçam candidaturas que, por mais mérito que a Senadora tenha, está associada à figura emblemática do seu marido, assim como dos seus dramas passionais pessoais, que de certa forma deu à Senadora Hillary um certo ar de dignidade. Logo, tal candidatura configura-se como dinástica, fazendo com que marido e esposa já sejam conhecidos como a dupla Bill&Hill. Segundo o famoso Jornalista Carl Bernstein – consagrado juntamente com Bob Woodward por terem desvendado o escândalo Watergate - autor de uma biografia de Hillary Clinton, intitulada de “A Woman in Charge: The Life of Hillary Rodham Clinton”, a pré-candidata democrata à Presidência dos EUA seria, pela sua própria definição, “alguém com mente conservadora mas com coração progressista”. Por outro lado, o referido jornalista-biógrafo a considera como alguém que “passou a sua vida escondendo verdades”.

Barack Obama, filho de uma americana com um queniano, contraria tudo o que diz respeito ao tradicionalismo na política dos EUA, pelo menos nos últimos tempos. Tido como brilhante aluno, em Ciências Políticas, no Havaí, e em Direito, em Harvard, se credenciou para ser o primeiro afro-americano a presidir a famosa “Harvard Law Review”. Ao mesmo tempo em que a sua candidatura é favorecida pelo “vento renovador” na política americana, essa mesma oxigenação gera desconfiança nos eleitores mais velhos, que seriam a maioria nos EUA. Todavia, conforme pesquisas, Obama teria mais chances de vencer um candidato republicano. Recentemente, para desespero dos Clinton, Obama ganhou o apoio da família Kennedy, via Caroline Kennedy, filha do ex-Presidente Jonh, seu primo Patrick e Ted Kennedy que - fazendo um certo paralelo entre a esperança sentida pelos jovens quando da campanha de John Kennedy à Presidência da República, e o momento atual em que se busca uma nova fronteira - afirmou: “Hoje vejo a mesma fome nesta nova geração de americanos e vejo o líder com a energia e o poder de liderança para buscar essa Nova Fronteira. E vejo que esse líder é Barak Obama, que não só tem a audácia da esperança como a capacidade para torná-la realidade”.

Acredito, sinceramente, pela influência dos EUA no mundo, que tais candidaturas, pelo significado intrínseco que representam, sinalizam, para todos, os valores de uma democracia consolidada, em que pese tal democracia se configurar, de uma certa forma, como uma verdadeira plutocracia. Um Negro, de origem africana próxima, confronta-se, no mesmo partido, com uma Mulher, abstraindo-se do sobrenome, na luta pela indicação à disputa pela Presidência do País mais poderoso do mundo. Nem em seu mais famoso discurso, “Eu tenho um Sonho”, Martin Luther King previu tal possibilidade. È a audácia da esperança expressa no belo sorriso da avó africana de Obama, nas primeiras páginas dos principais jornais do mundo.

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