Opinião
Gutemberg Araújo*
Acabou-se o que era doce e o que restou, além do cansaço, foi uma sensação de alegria. O carnaval é uma festa popular que oxigena a auto-estima do povo. Nele, a palavra de ordem é a igualdade. O rei é plebeu. O plebeu é rei convivendo num mundo onde os valores e objetivos são comuns: a diversão. A senha é a criatividade e a identidade jogada para o espaço é apenas um detalhe sem importância. Lá somos simplesmente “Os Foliões”, espécie tradicional que além de promover a folia e disseminar a alegria, mostraram a todos que é possível e fraterna a convivência de gerações. O velho e eterno coringa foi a sensação no carnaval do século XXI.
Unidos e “Liberais” assim vamos nós. Liberais foliões que seguiram rodando, pungando, homenagearam o tambor de crioula, a negra Áurea. Liberais exemplos de amizade e humildade que fazem da fé dos seus princípios a maior bandeira do carnaval.
Carnaval onde o suor e as emoções nos rostos regulados pelas batidas dos tambores fazem entender que esses foliões são mesmo uns “Fanáticos”. Fanáticos, jovialmente fanáticos, que fazem da sua marcação um convite à liberdade e à paz. Seguiram pelo circuito da vida isentos de qualquer preconceito e cantaram os velhos carnavais que saindo da boca de pessoas tão jovens nos faz ter a esperança de que o novo e o velho podem e devem conviver de braços dados com muito respeito.
O carnaval com os seus três dias que mais parecem três anos tantas são as lembranças. É efervescente. O dia ainda nem começou e lá vem a “Banda do Galo”, do Lira para o mundo, a despertar quem nem dormiu. Arrastaram multidões. Uma verdadeira família!
O carnaval é uma viagem de emoções, ilusões e realizações. Basta imaginar e tudo pode virar realidade. Imaginem um lava jato, que sem clientes, vira um lava pinga. “Lava Pinga” que como mágica fez o povo subir ao Monte da Alegria: o Monte Castelo e, juntos, fazer como uma família uma grande festa. Fez os velhos moradores sentarem à porta e ver o desfile de alegria e emoções e, sem dúvida, recordar bons tempos.
Carnaval é desprendimento. É a oportunidade de, por meio da alegria, cada um contar a sua história. Basta querer. São os “Los Barkeros, Los Parceiros” e tantos amigos que juntos contribuíram para a alegria, para a diversão amiga e saudável. Assim foi por onde eu passei. No mais, parabéns a todos e bom 2008 com muitas vitórias.
Até o próximo carnaval.
*Médico e vereador