A preocupação com o aquecimento global levou à criação, em 1988, do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), com os principais cientistas do clima e representantes de governos de todo o mundo. Em 1992, a ONU aprovou no Rio de Janeiro a Convenção Sobre Mudanças Climáticas, que levou ao Protocolo de Kyoto, o mais ambicioso tratado ambiental da história.
A primeira meta do Protocolo de Kyoto foi uma redução média de 5,2% em relação às emissões de gases de efeito estufa para países desenvolvidos. O secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão, Othelino Neto, lembra, entretanto, que os cientistas consideraram que a redução precisa alcançar 50% das emissões globais até 2050, para que o aumento da temperatura da terra não ultrapasse o limite de 2 graus centígrados, considerado como ponto de colapso do clima.
No início do ano, o governador do Estado, Jackson Lago autorizou a realização de sete Conferências Regionais de Meio Ambiente que têm como tema central “O Maranhão e as mudanças climáticas”. A primeira delas foi realizada em Caxias e a segunda na Baixada Maranhense, mais precisamente no município de Pinheiro. Além da Sema, as conferências envolvem o Ibama e diversas entidades da sociedade civil organizada e servem como preparação para a III Conferência Estadual do Meio Ambiente, que acontece em São Luís de 27 a 29 de fevereiro de 2008.
Esta semana, o secretário Othelino Neto participa das Conferências Regionais de Grajau e Balsas onde, além dos objetivos prescritos para as conferências estaduais e do país, serão debatidos temas regionais.
Garantir que o aumento médio da temperatura permaneça o máximo abaixo de 2 graus centígrados, o que poderá ser conseguido se as concentrações de gás carbônico não ultrapassarem 400 partes por milhão, é o objetivo, hoje, de todas as conferências climáticas que ocorrem pelo mundo. No Brasil, o desmatamento é o maior responsável pela emissão de gases e a floresta amazônica ocupa a oitava e penúltima colocação entre os nove sistemas ecológicos mais ameaçados do mundo. Simulações de desmatamento na região sugerem uma diminuição de 20 a 30% das chuvas, o aumento da estação da seca e das temperaturas durante o verão. A morte gradual das árvores da floresta amazônica já foi prevista caso as temperaturas subam entre 3 e 4 graus centígrados.
Com base nestes dados e seguindo opiniões de cientistas ambientais, o secretário acha que os países em desenvolvimento não devem reproduzir o modelo de crescimento dos países desenvolvidos que se baseia na utilização intensiva de combustíveis fósseis. “Precisamos, cada vez mais, apostar na utilização de energias renováveis modernas”, afirma.
A importância das conferências regionais pode ser inferida também de uma realidade observável e que faz parte da pauta de sugestões da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, conforme observa o secretário: a de que práticas agrícolas sustentáveis precisam ser disseminadas entre os agricultores que já estão sofrendo anomalias climáticas. Em outras palavras, a expansão da agricultura deve ocorrer através da recuperação de áreas já desmatadas e não sobre biomas já demasiadamente ameaçados.
Ao contrário dos países desenvolvidos, 75% das emissões de gases do efeito estufa no Brasil têm origem no desmatamento de florestas tropicais. Só as mudanças na exploração da terra poderiam levar a Amazônia a um ponto crítico.
O colapso do clima não é uma realidade distante estimulada por previsões catastróficas. É factual que o ano de 2007 foi o mais quente da história e cientistas afirmaram, ainda esta semana, que o Ártico pode viver verões sem gelo dentro de 5 a 6 anos.
Caso medidas drásticas não sejam tomadas para conter o aquecimento global, a temperatura do planeta pode aumentar além de 2 graus centígrados acima dos níveis pré-industriais, com riscos de extinção em massa, colapso dos ecossistemas, falta de alimentos, escassez de água e grandes prejuízos econômicos, diz o secretário de Meio Ambiente, citando o Greenpeace.