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Política
Termina o recesso e deputados voltam amanhã ao trabalho
Despesas sigilosas do governo dobram em 4 anos e superam R$ 35 milhões
Diária vai substituir cartão corporativo dos ministros

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Data de Publicação: 10 de fevereiro de 2008
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'FARRA DOS CARTÕES'

Integrantes do primeiro escalão receberão R$ 350 por dia nas viagens nacionais e terão de prestar contas das despesas

Em resposta à crise provocada pela revelação de gastos com cartões de crédito corporativo, o governo federal estabelecerá uma diária de R$ 350 a R$ 400 para uso dos ministros em viagens nacionais, conforme minuta de decreto que será submetida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva amanhã, segunda-feira, quando o presidente retornar do descanso no Guarujá (litoral de São Paulo).

Chegou-se ao valor – que deverá pagar hospedagem, alimentação e extras –após levantamento em diferentes repartições da União: R$ 350 é a diária do presidente da Câmara. No Judiciário, há quem receba R$ 600. Os ministros deverão prestar contas das despesas. O cartão continuará a ser utilizado no governo, mas não pelos integrantes do primeiro escalão nem para gastos relativos a viagens.

Na sexta-feira, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) disse que os ministros de Estado não serão obrigados a devolver os cartões corporativos, como chegou a ser sugerido pela ministra Dilma Roussef (Casa Civil).

Apesar de negar a devolução dos cartões, Bernardo recomendou aos ministros que não utilizem esse mecanismo de gastos do governo.

O secretário-executivo do Ministério do Planejamento, João Bernardo de Azevedo Bringel, enviou, também na sexta-feira, um ofício-circular no qual recomenda a todos os ministérios a não utilização dos cartões diante da “inconveniência do uso do cartão pela própria autoridade para efetuar o pagamento de despesas de serviço geradas por eles”.

Antecipando-se à decisão do governo, os ministros Hélio Costa (Comunicações) e Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) abriram mão do uso de seu cartão.

Já o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) disse que sua pasta não fornecia cartões para ele nem para assessores, portanto, não teria como utilizá-los.

A suspeita sobre o uso abusivo de cartões corporativos levou a ex-ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial) a pedir demissão na última semana. Ela teria gasto R$ 171 mil no cartão corporativo. Já Orlando Silva informou que devolverá os R$ 30 mil que teria utilizado no cartão.

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