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cidadesManifestantes e policiais entram em confronto no Itaqui-Bacanga

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28 de novembro de 2008
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Moradores da área Itaqui-Bacanga interditaram três pontos do Bairro São Raimundo, próximo ao Anjo da Guarda, ontem, dia 27, pela manhã. Durante todo esse período, nenhum motorista conseguia seguir caminho. O protesto era contra a falta de infra-estrutura no bairro e a inundação de uma rua, tomada por lama, por falta de drenagem. A polícia foi chamada e houve confronto entre manifestantes e a tropa de choque da PM, que teve de agir com munição química contra os manifestantes, que atiravam pedras e pedaços de madeira. Houve gritaria, tumulto, quatro ônibus e um caminhão foram depredados; pessoas feridas, com fraturas expostas, sangrando, foram levadas ao hospital.

Uma das bombas de gás lacrimogêneo atingiu a moradora Maria de Jesus, que ia passando próximo ao local no momento da confusão. “Só senti aquela borracha bater na minha cabeça”, lembra. Ela foi levada por familiares ao hospital. Um rapaz chamado Eleomar Lobato, de 21 anos, que conduzia Maria de Jesus até os parentes da vítima, foi preso ao passar pelos policiais e dizer: “Olha aí o que vocês fizeram com ela”. A comerciante Rosa Maria estava trabalhando em uma loja, quando foi atingida por balas de borracha.

Fotos:G.FERREIRA
Tropa de choque da Polícia Militar teve que intervir e a situação ficou tensa...

...pois os manifestantes atearam fogo em pneus para protestar contra problemas do bairro

Efeito colateral: moradora com o pescoço sangrando...

...e outra ferida no braço. Saldos da confusão no local

O presidente da Associação de Moradores da Vila Ariri, Raimundo de Jesus, foi agredido enquanto fotografava a ação da polícia. Um policial também agrediu com palavras o fotógrafo Gilson Ferreira, do Jornal Pequeno, tentando impedi-lo de realizar o seu trabalho. Antes do tumulto, o presidente da associação utilizava seu carro de som, de placas BOP-6617, para protestar. “Quando eu fotografava tudo, eles partiram para cima de mim, jogaram minha máquina digital no chão, me imobilizaram por trás e me ameaçaram”, contou Raimundo.

Prisões – De acordo com o capitão Diógenes, que comandava a Tropa de Choque, oito pessoas foram presas, entre elas, Josimar Rodrigues, 38 anos, Eleomar Lobato, 21, e J.F., de 14 anos, que foram encaminhados ao Plantão Central da Beira-Mar. “Todos eles foram pegos atirando pedras na polícia e depredando ônibus. E todos esses que foram detidos não faziam parte da manifestação; eram vândalos aqui do bairro, que gostam de baderna”, disse o capitão Diógenes.

O capitão informou que houve uma negociação com os manifestantes. “Eles queriam a presença de alguém da prefeitura, para poder desobstruir a rua. Como essa pessoa nunca chegava, eles pediram um prazo de 30 minutos. Caso nenhum representante da prefeitura aparecesse no local, eles acabariam com o movimento e deixariam o trânsito livre. O tempo se esgotou e eles não saíram. Então, tivemos que agir. Não queríamos machucar ninguém. Mas eles começaram a jogar pedras na nossa Tropa e na Policia Militar, e nós os intimidamos com munição química. Fizemos o que tinha que ser feito. Não houve exagero da nossa parte”, explicou o capitão Diógenes.

Estrago – Revoltados, moradores depredaram quatro ônibus das linhas Ilha da Paz, Itaqui, Campus, e dois da Vila Ariri; além de um caminhão.

A reivindicação dos moradores é para que a prefeitura faça a drenagem da Rua São Raimundo, no Bairro São Raimundo, próximo ao Anjo da Guarda. A água e lama acumulados deixaram a população ilhada. Alunos das Escolas São Raimundo, Jardim de Infância 3 Patinhas e Creche Lápis na Mãos estão sem poder assistir às aulas, porque não têm como chegar aos locais. Segundo o presidente da Associação de Moradores do São Raimundo, Martinho Oliveira, muitas já na caíram na água, ao tentar passar a pé. “Ontem uma senhora de idade caiu e ficou toda suja de lama quando tentava ir para o serviço. Então já chega. Está na hora disso acabar. Estamos há cinco anos esperando por essa drenagem e nada acontece. A prova está aí. Hoje (ontem), mesmo com essa confusão toda, ninguém da prefeitura veio tentar negociar com a gente. O nosso próximo passo será recorrer à Promotoria de Justiça”, disse Martinho. Como garantia de que os moradores não iriam obstruir novamente a avenida, uma viatura da polícia militar permaneceu no local durante todo o dia de ontem.

(Da Redação)

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