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PolíticaLula acaba com plano de Sarney de derrubar Tarso

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22 de novembro de 2008
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Cai por terra plano de Sarney de derrubar Tarso Genro

O presidente Lula resolveu manter a Esplanada dos Ministérios imune aos resultados do recente ciclo eleitoral. Ele anunciou que quem está ministro continuará até o fim do governo, salvo aqueles que pretendem se candidatar a cargos eletivos em outubro de 2010 e, pela lei, serão obrigados a entregar as suas pastas até seis meses antes. Quem está fora, portanto, não entra. Com isso, cai por terra o plano de um rearranjo do ministério pelo qual o PMDB, que desfila pelo Planalto os seus ganhos nas urnas municipais, estenderia as suas posses ao Ministério da Justiça, onde o petista Tarso Genro cederia o lugar ao colega da Defesa, o peemedebista Nelson Jobim, que por sua vez seria substituído pelo deputado Aldo Rebelo, do PC do B. (Um interessado no arranjo era o senador José Sarney. A Polícia Federal, subordinada à Pasta, apura “movimentações financeiras atípicas” do empresário Fernando Sarney, filho do cacique.)

A decisão presidencial é má notícia também para alguns dos prefeitos cujos mandatos terminam agora e que esperavam federalizar as suas carreiras. É o caso dos petistas Fernando Pimentel, de Belo Horizonte, e João Paulo, do Recife. Ambos fizeram os seus sucessores e contavam com uma promoção a fim de se aprovisionar para o próximo pleito. Tampouco haverá prêmio, nesse caso de consolação, para Marta Suplicy, a candidata de Lula derrotada em São Paulo, a quem conviria regressar à Esplanada (ela foi ministra do Turismo). Quaisquer que sejam as suas ambições para 2010, ela terá de cultivá-las sem as benesses de uma chapa-branca.

Mantida a equipe de governo pelos próximos 17 meses - se nenhum imprevisto tirar dos trilhos a intenção anunciada -, o presidente terá assegurado a estabilidade administrativa para a travessia do período crucial que lhe resta no Planalto, durante o qual terá de “não deixar o País entrar mais profundamente nessa crise”, como disse, e ao mesmo tempo avançar na construção política da candidatura Dilma Rousseff à própria sucessão. É bem verdade que a administração da crise pouco seria afetada por mudanças tópicas no Gabinete. Nada mudaria na Fazenda, no Planejamento e no Banco Central. Ainda assim, Lula há de ter concluído, quanto menos marolinha, melhor.

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