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EditorialOs métodos do grupo Sarney

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20 de novembro de 2008
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Em 1994, a então deputada federal Roseana Sarney disputou o segundo turno da eleição para governador do Maranhão com o então senador Epitácio Cafeteira. Poucos dias antes da eleição as pesquisas apontavam a derrota de Roseana. Foi aí que José Sarney (pai de Roseana) montou uma farsa conhecida no Maranhão como Caso Reis Pacheco. A farsa teve como objetivo acusar Cafeteira de ter mandado seqüestrar, matar e ocultar o cadáver do ferroviário José Raimundo Reis Pacheco. Sarney forjou documentos e acusou publicamente Cafeteira de assassino. Para dar veracidade à sua montagem, ele inventou um irmão para José Raimundo chamado Anacleto Reis Pacheco. O tal Anacleto nunca existiu. Jose Raimundo Reis Pacheco não tem um irmão com esse nome. Sarney criou o falso irmão por intermédio do advogado Miguel Cavalcante Neto, seu ex-empregado.

Miguel, que na época morava em Fortaleza-CE, montou uma documentação falsa para dar vida formal ao inexistente Anacleto. Uma carteira de identidade falsa foi tirada no Rio de Janeiro, com o local de nascimento sendo no Amapá e a foto da carteira sendo de um caseiro de Miguel Cavalcante.

Toda esta farsa foi levada a Brasília e foram formalizadas denúncias contra Cafeteira no Ministério da Justiça, na Procuradoria Geral da República e no Superior Tribunal de Justiça. As denúncias foram feitas pelo falso irmão de Reis Pacheco criado pelo esquema Sarney. O cartório onde foram registradas as firmas para as representações era de Fortaleza. No dia 06 de novembro (nove dias antes da eleição) Sarney fez um artigo no seu jornal levantando a suspeita de assassinato sobre Cafeteira. Dias depois, com as denúncias formalizadas em Brasília, Sarney e seu grupo espalharam milhares de panfletos no Maranhão acusando Cafeteira de assassino. Os documentos protocolados também foram reproduzidos em larga escala.

Na tentativa de denunciar a armação caluniosa, aliados de Cafeteira, na ocasião, ainda conseguiram localizar José Raimundo Reis Pacheco. Ele estava morando no interior do Pará. A suposta vítima gravou para o programa eleitoral de Cafeteira para desmentir a farsa.

O grupo Sarney utilizou-se de mais um golpe baixo para impedir que a verdade viesse à tona. A Cemar, estatal que cuidava do abastecimento de energia elétrica do Maranhão, era controlada pelo governo sarneysista e deixou o interior do Estado totalmente no escuro na hora que o programa eleitoral de Cafeteira mostrava José Raimundo Reis Pacheco vivo. Só a capital, onde estavam concentrados menos de 30% dos eleitores, pôde ouvir a explicação. No jornal de Sarney ainda é publicado no dia seguinte - véspera da eleição - uma matéria falando da tal denúncia de Anacleto Reis Pacheco (o irmão fantasma inventado pelo próprio Sarney).

Não houve mais tempo para restabelecer a verdade. Roseana “ganhou” a eleição (ainda houve sérios indícios de fraude nas urnas, que na época não eram eletrônicas). Cafeteira “perdeu”. E a farsa só pôde ser desmontada após o pleito.

O caso foi parar na Polícia Federal. Em um dos seus depoimentos, o advogado Miguel Cavalcante (o ex-empregado de Sarney) disse, em abril de 1998, que encaminhou o falso Anacleto a Brasília, porque “recebeu um telefonema do senador José Sarney solicitando que resolvesse um problema de um pessoal seu”. O advogado acabou perdendo sua carteira da OAB. E Sarney continua solto, até hoje armando das suas...

Daniel Mendes

nobremendes@terra.com.br

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