A casa nova do LegislativoO suntuoso prédio da Assemblé4ia Legislativa do Maranhão, inaugurado no último dia 18, confirma a vitória das relações políticas especiais entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo que, num dizer filosófico já cansado, são independentes, porém harmônicos.
É provável que a Estação Ecológica do Rangedor tenha pago um preço alto por essa conquista. Assim como também pagou alto pela presença do Tribunal de Contas do Estado, pelos prédios da Ordem dos Advogados do Brasil e da Secretaria da Saúde.
Pelo menos aparentemente, a obra extrapolou as expectativas das licenças ambientais concedidas pelos órgãos responsáveis. Mas trata-se de uma estrutura digna das melhores casas legislativas do país, onde o conforto, segurança e imunidade dos parlamentares foram muito bem pensados. Apesar disso, não sobram dúvidas de que a imensidão da obra, assim como sua localização, afasta o povo de sua principal área de protestos. A Casa do Povo, para nossa lógica tupiniquim, onde desaguavam todos os reclamos, transmutou-se num arraial ultra-moderno que, em princípio, distancia sindicatos e organizações outras da sociedade civil do seu objetivo de convencer os parlamentares, pela via da pressão democrática, de intervirem em favor de suas reivindicações.
A obra, inevitavelmente, vai além das expectativas dos funcionários. É, sem sombra de dúvidas, em sua arquitetura interna, coisa de primeiro mundo. É a vitória principal do presidente João Evangelista em sua trajetória histórica no comando do Poder Legislativo. Mas não é a única. Mais que os blocos de cimento, as dezenas de banheiros que dão conforto ao público, os espaços permitidos para cada setor e a majestade do gabinete da Presidência, Evangelista marcou sua administração com a capacidade de fazer ouvir o povo. Cada uma das reivindicações e dos protestos que ali chegaram nos últimos quatro anos foram devidamente encaminhados às comissões permanentes da Casa ou ficaram na dependência de comissões especiais destinadas a encontrar soluções para as demandas apresentadas. Sem contar a conquista de um Plano de Cargos e Salários que os funcionários esperavam há séculos. E mais: o instituto das audiências públicas enriqueceu aquele poder como nunca.
O que se espera, portanto, é que a suntuosidade do edifício do Legislativo não sirva para dele afastar o povo. E que a nova direção da Assembléia saiba entender que há coisas que não devem ser mudadas. Parabéns aos senhores deputados, aos funcionários e ao presidente que a partir de janeiro deixa o Poder.
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