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NacionalZé Sarney trama no Senado derrubada de Tarso Genro

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28 de outubro de 2008

ARTICULAÇÃO SUBTERRÂNEA

O ex-oligarca enxerga as ‘digitais’ do ministro da Justiça no inquérito da PF sobre Fernando Sarney

Em articulação subterrânea, a cúpula da bancada do PMDB do Senado trama contra a permanência de Tarso Genro no comando do ministério da Justiça.

O movimento é capitaneado por José Sarney (PMDB-AP), que conta com o auxílio de Renan Calheiros (PMDB-AL).

É a mesma dupla que ergue barricadas contra a candidatura de Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado, sob a alegação de que o PMDB tem direito ao posto.

Sarney está irritado com as investigações da PF sobre o filho Fernando

Sentindo o cheiro de queimado, senadores do PT despejaram sua contrariedade nos ouvidos do presidente da legenda, Ricardo Berzoini (SP).

Fiador de um acordo que prevê o apoio do PT à eleição de Michel Temer (PMDB-SP) para a presidência da Câmara, Berzoini passou a insatisfação adiante.

Avisou aos deputados do PMDB que, ser não for detida, a movimentação de Sarney e Renan pode levar o petismo a dar meia-volta no apoio a Temer.

O ‘caso Fernando’ – Tarso Genro e o PT foram à alça de mira de Sarney por conta de uma questão policial. O senador insinua que o ministro usa a Polícia Federal para miná-lo politicamente.

Sarney enxerga as “digitais” de Tarso num inquérito em que a PF acusa um de seus filhos, Fernando Sarney, de traficar influência no governo federal. Coisa estritamente técnica, segundo a polícia, sem conotações políticas.

A investigação foi aberta em 2006. Apurava-se, então, denúncia de que as arcas eleitorais de Rosena Sarney, candidata derrotada às eleições do Maranhão, teriam sido borrifadas com verbas de má origem.

No curso do inquérito, a PF voltou-se para Fernando Sarney. Reuniu indícios de que o filho do senador e amigos dele estariam intermediando negócios privados nas franjas do Estado.

Agiam, segundo a PF, sobretudo em pedaços da administração pública submetidos à influência de José Sarney.

São citados no inquérito: Ministério de Minas e Energia, Eletrobrás, Eletronorte, Valec (estatal do Ministério dos Transportes responsável pela construção da Ferrovia Norte-Sul) e Caixa Econômica Federal.

O desconforto de Sarney descambou para a irritação no último mês de agosto, quando a PF encaminhou à Justiça um pedido de prisão preventiva de Fernando Sarney.

A PF requereu também a detenção de um de seus agentes, Aluisio Guimarães Mendes Filho, acusado de vazar informações sigilosas do inquérito.

O juiz Neian Milhomem Cruz, da 1ª Vara Federal Criminal de São Luiz, indeferiu os pedidos de prisão. Mas, ainda que houvesse deferido, a ordem não surtiria efeito.

Antecipando-se à PF, Fernando Sarney obtivera no STJ um habeas corpus preventivo que impedia a polícia de levá-lo para trás das grades. O inquérito segue o seu curso.

A investida de Sarney contra Tarso também avança. Aliados do senador chegam mesmo a informar que Lula teria concordado em desalojar Tarso.

Mais: sustentam que o peemedebista Nelson Jobim seria deslocado da pasta da Defesa para o Ministério da Justiça.

Acrescentam que, para a cadeira de Jobim, Lula nomearia o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), alagoano de nascimento e amigo de Renan Calheiros.

Um auxiliar do presidente negou que Lula tenha cedido às investidas do PMDB do Senado. “O presidente não age sob pressão”, disse.

Seja como for, a aversão de Sarney e Renan a Tarso Genro e Tião Viana envenenam as relações PMDB-PT.

A atmosfera fica intoxicada justamente num instante em que, passada a temporada eleitoral, Lula tenta unificar o seu consórcio partidário em torno de um projeto único para 2010.

Projeto alicerçado em dois pilares: o PT de Dilma Rousseff e o PMDB, de cujos quadros Lula tenciona extrair um vice para a chefe da Casa Civil.

(Do Blog de Josias de Sousa)

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