ENTREVISTA DE EDINHO LOBÃO AO JP - 'Meu primeiro projeto vai ser acabar com o suplente'POR OSWALDO VIVIANI
Empresário diz que vai assumir vaga do pai no Senado já na próxima semana
O suplente de senador Edison Lobão Filho, o Edinho (DEM), falou ontem pela primeira vez à imprensa maranhense. Em entrevista ao Jornal Pequeno, Edinho – acusado, entre outras coisas, de usar uma ‘laranja” para sonegar impostos – afirmou que não vai se licenciar e sim assumir sua vaga de senador no lugar do pai, Edison Lobão (PMDB), escolhido ministro de Minas e Energia. “Meu primeiro projeto vai ser acabar com a figura do suplente. E também dos vices todos”, revelou Edinho ao JP. Ele disse que viaja, no meio da próxima semana, a Brasília, para exibir documentos que fazem parte de sua defesa ao DEM e ao Senado. Declarou que seu principal documento é um termo de confissão, obtido em 2006 dos ex-sócios, os irmãos Marco Antonio Costa e Marco Aurélio Costa. No documento, os dois eximem Edinho de culpa nas irregularidades encontradas pela Polícia Federal na transferência de cotas da distribuidora de bebidas Bemar – entre elas, uma assinatura falsificada e a utilização de Maria Lúcia Martins, empregada de Maria Luiza Almeida (ex-mulher de Marco Antonio), como ‘laranja’ no contrato. Veja os tópicos principais da entrevista:

O ‘MASSACRE DA IMPRENSA’
“Eu fui perseguido e massacrado injustamente pela imprensa por mais ou menos 15 dias. Essa foi uma pauta que foi distribuída para toda a grande imprensa nacional. Os grandes veículos receberam simultaneamente essa pauta, eu confirmei isso com duas revistas de circulação nacional – não foi a IstoÉ – e dois jornais de circulação nacional. Essa pauta foi criada para desestabilizar a posse do meu pai [Edison Lobão] no Ministério de Minas e Energia. Eu fui usado impiedosamente para que não ocorresse a posse. Esse é o meu sentimento hoje: de injustiçado, de perseguido, mas chegou o momento de eu dar a minha resposta. Durante o período em que estive fora [viajando para os Estados Unidos], não tive a oportunidade de poder me defender. Eu contratei uma assessoria de imprensa, que respondia aos [grandes] veículos, mas os veículos não publicavam as minhas respostas. Houve uma avalanche de denúncias, eu fui massacrado, e não apareceu o outro lado da história, até por minha ausência física. Só agora estou tendo essa oportunidade. E o Marco Antonio [Costa] infelizmente, eu soube depois, estava fazendo uma cirurgia no exterior. Não sei onde. Não falei com ele até hoje. Eu não falo com ele há uns 6 meses. Eu tento falar com ele, mas o celular está sempre fora de área. Eu queria dizer: ‘Marco, e aí? Vocês [os irmãos Marco Antonio e Marco Aurélio Costa, donos das distribuidoras da Schincariol, Itumar e Bemar] precisam esclarecer isso’. Aí eu vi a entrevista do Marco Antonio no Jornal Nacional, da Globo. Graças a Deus eu tenho a uma hora de entrevista que ele deu, onde ele conta detalhadamente tudo. Agora faz parte da minha defesa.”
A SOCIEDADE
“Em relação às denúncias contra mim, eu jamais fui sócio da Itumar na minha vida. Era uma empresa que já existia há quase 10 anos, de propriedade do Marco Antonio e do Marco Aurélio, e tava em nome da mãe deles. Quanto à Bemar, eu entrei na sociedade em 1996. A Bemar representava a Schin no interior do estado. A Itumar em SL. Já vendiam em SL, tinham todo o mercado do interior, com exceção de Imperatriz. Então achei um bom negócio ser sócio da Bemar. E é bom registrar: as minhas sócias na Bemar foram a esposa do Marco Antonio e a sogra do Marco Aurélio. Eram essas as minhas sócias. Uma tinha 25%, outra 25% e eu 50%. As duas representavam os dois. Eles não entram nas sociedades nominalmente, não sei por quê, também não aparecem nominalmente na Itumar, o motivo é de foro íntimo deles. Eu acho que eles devem ter algumas restrições, não sei... então eles colocam prepostos deles. Mas todo mundo da praça sabe que Marco Antonio e Marco Aurélio é que tocam o negócio, eles é que são os donos. Dois anos depois [1998], eu saí da Bemar e fiz um acordo: eu estou entregando pra vocês uma empresa que tem contrato com a Schin para distribuição no interior, eu tenho metade dessa empresa, então eu entrego e vocês assumem as dívidas dessa empresa. O acordo foi fechado.”
O CASO DA ‘LARANJA’
Eles me trouxeram o contrato de alteração social, onde saíamos da sociedade eu e a esposa do Marco Antonio. Por que ela tava saindo? Porque já estava em briga com ele, em processo de separação. Litigioso ao mais alto grau. Manteve a sogra na sociedade. E eles colocaram quem no lugar? Uma pessoa indicada por eles, que eu não conhecia, nunca vi na minha vida [Maria Lúcia Martins]. Sou amigo do Marco Aurélio. Do Marco Antonio eu gosto muito, mas nunca tive convivência com ele. Então, em 2006, por conta da briga do Marco Antonio com a Maria Luíza, ela foi à PF e fez uma denúncia: que a assinatura na alteração do contrato social era falsa e que era da empregada doméstica. Aí eu fui chamado na PF e foi aí que eu fiquei a par, pela primeira vez, que aquela senhora que aparecia na alteração do contrato era uma empregada doméstica e que a assinatura era falsa. Foi em 2006. Aí, eu tomei a seguinte providência, naquele mesmo ano: chamei o advogado e elaborei um documento, um termo de confissão, que foi assinado pelo Marco Antonio e pelo Marco Aurélio, onde eles declaravam que me entregaram o contrato social assinado, que eram responsáveis civil e criminalmente pelas irregularidades encontradas no contrato. Esse é o meu principal documento de defesa. O outro é a gravação integral da entrevista dada pelo Marco Antonio ao Jornal Nacional. Uma coisa que a imprensa tem de enfatizar é que a empregada doméstica não é minha, é dele, do Marco Antonio. Eu nunca vi essa senhora na minha vida. Se eu soubesse, não aceitaria. Em relação aos débitos, a Bemar parcelou e está pagando, não deve nada a ninguém, o próprio Marco Antonio disse na entrevista ao JN. E os débitos parcelados não são da época que eu estava lá, foram feitos depois de mim.”
IDA A BRASÍLIA E ROMEU TUMA
“Vou apresentar todos esses esclarecimentos, primeiramente ao meu partido, o DEM, porque eu dei minha palavra. Depois à Mesa do Senado, com solicitação de encaminhamento ao corregedor do Senado, Romeu Tuma. O senador Tuma exagerou nas colocações dele. Antes de ter feito as declarações devia ter esperado para ouvir a minha defesa. Na atribuição dele de Corregedor, ele está certo em resguardar o Senado. Contudo, já há uma jurisprudência de que fatos anteriores ao mandato não são passíveis de processo. Então, acho que houve um exagero por parte do Romeu Tuma, mas ainda assim vou solicitar à Mesa do Senado para encaminhar a ele a minha defesa. Eu estou convicto da minha inocência.”
FAMÍLIA POUPADA
“Com meu pai ainda não tive a oportunidade de sentar e conversar em nenhum momento. Ele tem, nesse momento, os seus próprios desafios dentro de um ministério que é tão importante para o Brasil e eu não quero assoberbá-lo, encher ele com os meus problemas. Eu disse a ele: ‘Meu pai, fique distante porque eu é que vou resolver os meus problemas’. Também não conversei com minha mãe [Nice Lobão]. Estou vivendo um momento difícil e quero poupar minha família, meu pai, minha mãe, minha esposa, meus filhos, até resolver definitivamente esses problemas. Depois é que eu vou conversar com calma com minha mãe, meu pai e com o resto de minha família.”
CONVERSA COM SARNEY E ROSEANA
“O grupo Sarney acha que quem tem de decidir sou eu. Falei com a Roseana Sarney, falei com o José Sarney. Uma vez só. Eles estavam juntos. Conversei com eles na residência do ex-presidente Sarney. Isso foi há uns dois dias, logo que eu cheguei dos Estados Unidos. Comuniquei a eles qual era a minha intenção, o que eu desejava fazer. O Sarney não opôs nenhuma resistência. Não houve pressões do grupo para que eu não assumisse a vaga. A imprensa pode insinuar isso, mas a imprensa fala o que quer falar. Meu pai, por exemplo, disse que eu iria me licenciar. Isso não é verdade, eu não vou me licenciar. Eu vou assumir minha vaga. Sei que vou chegar lá e encontrar uma pedreira, mas a minha vida sempre foi uma pedreira, nunca foi fácil.”
O COMPORTAMENTO DO DEM
“Você sabe o que eu vivi nesses últimos 15 dias. Eu esperava um apoio maior do meu partido nessa hora. Com declarações à imprensa e até emocionalmente. Deviam acreditar na minha inocência até provarem o contrário. O partido deveria dizer: ‘não pode haver pré-julgamento, o Lobão Filho tem o direto de colocar suas provas antes que alguém emita um juízo de valor dele. Falo de apoio psicológico, emocional, jurídico até. Mas aconteceu exatamente o contrário: meu partido deu declarações hostis, deselegantes em relação a mim, e que eu não posso perdoar. Nem aceitar, pois faço parte desse partido há mais de 20 anos. Só que eles presumiram que meu posicionamento político seria pró-governo Lula, por conta do meu pai ser ministro. E por conta dessa presunção, dessa expectativa, eles julgaram que eu não podia fazer parte do partido. O meu jeito de ser é ter minhas próprias opiniões. Acho que o parlamentar tem de representar os desejos do povo. Ele não pode ser sempre contra o governo só porque o partido quer. Ele tem de ter o direito de analisar tema a tema. Então, de preferência, eu gostaria de ter a liberdade de votar de acordo com o tema, a favor ou contra o governo. Sou radicalmente contra o voto fechado, todos os integrantes de um determinado partido votando como o partido quer. Acho isso antidemocrático e ditatorial. Meu desejo é sair do DEM, quero sair. Estou conversando com eles para sair amigavelmente. Se não sair amigavelmente, vou mostrar na Justiça que estou sendo hostilizado dentro do partido e a lei permite que eu saia. Mesmo litigiosamente.”
PARA QUAL PARTIDO VAI
“Já fui procurado por quatro partidos menores que me querem em seus quadros. Mas não vou me decidir agora. Vou ficar sem partido durante um certo período e depois vou decidir, com muita calma. Mas meu desejo é ir para um partido menor.”
PROJETO PARA ACABAR COM SUPLENTES
“Meu primeiro projeto no Senado será para acabar com a figura do suplente. Que assuma, no caso do afastamento do titular, o segundo mais votado, como era antigamente. Também quero acabar com a figura do vice. Os vices – do governador, do prefeito, do presidente – também não têm nenhum voto e podem assumir a titularidade. Então, meu projeto é que no caso de afastamento do titular de cargo no Executivo, assume o segundo mais votado nas eleições. Eu não gosto da figura do senador suplente, mas é a lei. Estou dentro da lei: quero minha vaga de senador. Mas concordo com a tese de que temos de acabar com a figura do suplente e dos vices todos. Vou apresentar um projeto de emenda à Constituição nesse sentido. Também vou propor projetos na área da produção, que visem a proteção tanto do trabalhador como do empresário brasileiros. Eu conheço bem o sofrimento desses setores.”
QUANDO ASSUME
“Vou no meio da próxima semana a Brasília. Quero dar entrada nos meus esclarecimentos formais e assumir minha vaga de senador também na próxima semana.”
0 pessoas comentaram a notícia "ENTREVISTA DE EDINHO LOBÃO AO JP - 'Meu primeiro projeto vai ser acabar com o suplente'"
Deixe o seu comentário
Você deseja ver o seu avatar no seu próximo comentário? Você precisa do Gravatar.
* Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores e podem não expressar necessariamente a opinião do Jornal Pequeno.