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cidadesPrefeitura de Paço do Lumiar desrespeita decisão judicial

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23 de janeiro de 2008
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POR JOSÉ LINHARES JR.

DEGRADAÇÃO DO MEIO AMBIENTE

Lixão do Iguaíba deveria ter sido fechado no início deste mês

No início de novembro, a juíza Jaqueline Reis Ca-racas, da comarca de Paço do Lumiar, determinou que a prefeitura fechasse um lixão existente no bairro Iguaíba. A ação foi movida em 2005 por pescadores da localidade, que argumentam que o lixão degrada o ambiente da região de mangue vizinha ao lugar. No ano passado, a Justiça deu um prazo de dois meses para o fechamento do lixão. O prazo terminou no início do mês. Contudo, o lixão continua funcionado.

Foto:GILSON TEIXEIRA
O lixão recebe pelo menos três caçambas de detritos por dia,

degradando as áreas de mangue

Criado em 2001 e legalizado em 2006, pelo decreto nº 15, o Lixão do Iguaíba recebe pelo menos três caçambas de lixo por dia. O comerciante Severiano Fonseca, que reside no Iguaíba há mais de 60 anos, afirmou que o lixão está degradando a área rapidamente. “O lixão é muito próximo da área de mangue. Não é preciso ser especialista para saber que isso é um crime ambiental. E os efeitos já podem ser sentidos por pescadores e moradores da área”, afirmou.

Ideneílson Pereira, também morador do Iguaíba, criticou a posição da Prefeitura de Paço do Lumiar. “Desde a eleição não aparece ninguém aqui. Depois da decisão da juíza, as coisas continuam sendo tratadas com o mesmo descaso de antes”.

De acordo com os moradores, o Iguaíba abriga hoje mais de 400 famílias. Há alguns anos, o lixão foi discutido em uma audiência pública por várias lideranças do local, sem que nenhum tipo de consenso fosse atingido.

Em seu despacho, a juíza Jaqueline Reis Caracas afirmou que “o Município de Paço do Lumiar não desenvolveu um plano adequado, integrado e participativo de gerenciamento do lixo”.

Por conta desse e de outros aspectos, a juíza decidiu mandar fechar o lixão, anular o decreto que o criou e pedir uma série de ações da prefeitura e do governo do estado que visassem a recomposição da área atingida.

Catadores – Cerca de 30 pessoas trabalham atualmente como catadores no lixão do Iguaíba. Para elas, a decisão judicial pode significar o desemprego. “Trabalho aqui há três anos e retiro meu sustento dessas montanhas de lixo. Se ele fechar, vou ficar sem trabalho”, disse José Raimundo Pereira.

De acordo com Raimundo, o trabalho no lixão garante R$ 700 por mês, dinheiro que faria falta caso o lixão fosse interditado.

A Prefeitura de Paço do Lumiar foi procurada pela reportagem para esclarecer o descumprimento da decisão judicial, mas nenhum responsável foi encontrado.

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